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Economia em Destaque: Câmbio se valoriza mesmo com tensões globais

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Mais uma semana se passou sem resolução do conflito no Oriente Médio. Donald Trump indicou que ataques ao Irã podem continuar por mais duas a três semanas. Em sentido oposto, autoridades iranianas afirmaram estar desenvolvendo um projeto para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz, com o objetivo de garantir a passagem segura pela via. Apesar desse sinal positivo, os preços do petróleo permanecem elevados, refletindo o risco geopolítico ainda presente.

Nos Estados Unidos, o banco central mantém postura cautelosa diante do choque. Na zona do euro, a inflação ao consumidor de fevereiro mostrou sinais iniciais de alta nos preços de combustíveis.

No Brasil, a taxa de câmbio segue se valorizando. Ademais, a Petrobras reajustou em 55% o preço do querosene de aviação. No cenário político, o governo federal intensificou as discussões para conter o avanço do endividamento das famílias e do preço do petróleo. Por fim, Ronaldo Caiado foi anunciado como pré-candidato à Presidência da República pelo PSD.

Por fim, nos indicadores, houve leve desaceleração na criação de empregos formais em fevereiro, enquanto o resultado primário do governo central apresentou melhora, impulsionado por forte arrecadação tributária.

Gráfico da Semana

Veja na seção “Real se aprecia para 5,15 reais por dólar nessa semana”

Cenário Internacional

Conflito no Oriente Médio segue sem resolução; preços do petróleo seguem pressionados

O conflito no Oriente Médio segue sem resolução. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em discurso televisionado que já atingiu seus objetivos militares no Irã, mas não apresentou um cronograma para o fim da guerra, limitando-se a dizer que a missão será concluída “muito rapidamente”. No entanto, indicou que os ataques poderão continuar por mais duas a três semanas, podendo se intensificar contra a infraestrutura energética e o setor petrolífero iraniano caso não haja avanços nas negociações. O discurso não trouxe propostas para a reabertura do Estreito de Hormuz. Em contrapartida, autoridades iranianas informaram que o Irã e Omã estão desenvolvendo um protocolo conjunto para monitorar o tráfego de embarcações pela região. De acordo com o vice‑ministro iraniano de Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, o objetivo é garantir passagem segura e melhorar os serviços aos navios, não impor novas restrições.

Os preços do petróleo seguem sustentados em patamares elevados diante do risco geopolítico. Os movimentos de mercado seguem sensíveis a qualquer sinal — ainda que limitado — de redução ou agravamento dos riscos de interrupção no fluxo de petróleo pela principal rota energética do mundo.

Fed segue cauteloso com a reação de política monetária ao choque do petróleo

O conflito com o Irã influencia diretamente a condução da política monetária ao redor do mundo ao reacender preocupações inflacionárias. Nesse contexto, em discurso nessa semana, o presidente do Fed (banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, afirmou ainda ser cedo para avaliar a magnitude e a persistência do choque de petróleo, razão pela qual o comitê não vê necessidade imediata de resposta de política monetária. Powell destacou que o nível atual da política monetária se encontra em patamar adequado e ressaltou que as expectativas de inflação de médio e longo prazos seguem bem ancoradas, apesar do conflito.

Inflação na zona do euro com sinais incipientes da alta do petróleo

A inflação ao consumidor na zona do euro voltou a acelerar em março, alcançando 2,5%, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu, mas ligeiramente abaixo das expectativas de mercado. O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, recuou, sinalizando que o choque recente ainda não se disseminou de forma relevante até o momento. Ainda assim, já há sinais iniciais de pressão, com os preços de combustíveis avançando 4,9% no mês, em um contexto de forte alta do petróleo e do gás decorrente da guerra no Oriente Médio.  Esse cenário tem dividido o conselho do Banco Central Europeu. Por um lado, cresce a preocupação com riscos inflacionários e com a possibilidade de efeitos de segunda ordem, via repasses para preços e salários. Por outro, há evidências de enfraquecimento da atividade econômica, com revisões para baixo das projeções de crescimento e perda de dinamismo do mercado de trabalho, o que recomenda cautela na condução da política monetária.

Investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil avança

Os Estados Unidos avançaram para as etapas finais de uma investigação comercial contra o Brasil, aberta em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A apuração abrange um conjunto amplo de temas, incluindo comércio digital e meios de pagamento, tarifas consideradas injustas, leis anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, indo desde disputas tradicionais até questionamentos sobre o sistema Pix.

A depender das conclusões do USTR, o processo pode resultar na imposição de novas sanções nos próximos meses. Medidas adotadas com base na Seção 301 possuem respaldo jurídico mais sólido nos Estados Unidos e são mais difíceis de reverter judicialmente.

Enquanto isso, no Brasil…

Real se aprecia para 5,15 reais por dólar nessa semana

O dólar americano segue apresentando um nível de volatilidade acima do padrão histórico, refletindo sobretudo o aumento das incertezas decorrentes do conflito geopolítico em curso. Na semana, no entanto, a divisa está relativamente de lado frente a outras moedas de países desenvolvidos. No mesmo intervalo, o real tem mostrado desempenho relativamente melhor do que outras moedas emergentes, se apreciando para ao redor 5,15 reais por dólar nessa semana.

Os impactos do atual conflito do Oriente Médio na taxa de câmbio são ambíguos. Embora o aumento da percepção de risco global pressione negativamente a moeda brasileira, a elevação dos preços das commodities exportadas pelo Brasil, com destaque para o petróleo, melhora os termos de troca e fortalece a balança comercial, oferecendo suporte adicional ao real e ajudando a mitigar os efeitos adversos do ambiente externo.

Petrobras reajusta preço do querosene em 55%, pago parcelado pelo setor aéreo

Na esteira da forte alta do petróleo internacional provocada pela guerra no Oriente Médio, a Petrobras anunciou nesta semana um reajuste de 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir de 1º de abril. A medida gerou forte apreensão no setor aéreo, uma vez que o combustível responde por cerca de 30% dos custos operacionais das empresas. Diante desse contexto, o aumento imediato foi reduzido para 18%, com o parcelamento do restante ao longo dos meses seguintes. A medida busca mitigar o impacto imediato do choque de custos e é mais uma evidência do impacto do choque do petróleo nos preços.

Endividamento das famílias e alta do petróleo no radar do governo

O governo federal intensificou as discussões para conter o avanço do endividamento das famílias, diante do elevado comprometimento da renda com o pagamento de dívidas. A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Fazenda iniciou conversas com bancos e entidades do sistema financeiro para estruturar um plano voltado à renegociação de dívidas, especialmente nas modalidades mais onerosas, como cartão de crédito e cheque especial. A iniciativa ainda está em fase de diagnóstico e busca reduzir o comprometimento mensal da renda — atualmente próximo de 29% — sem restringir o acesso ao crédito.

Paralelamente, o governo anunciou medidas para mitigar os impactos da alta do petróleo sobre a economia doméstica. O pacote já inclui a redução temporária a zero da alíquota de PIS e Cofins sobre o diesel, a concessão de subvenção ao combustível e a criação de um imposto de exportação sobre o petróleo bruto, com o objetivo de ampliar a oferta interna e conter repasses aos preços. Também estão sendo discutidas uma subvenção temporária para o gás de cozinha e a redução temporária de tributos incidentes sobre o querosene da aviação. Segundo a equipe econômica, as medidas podem reduzir o preço do diesel nas refinarias e têm caráter temporário, além de serem acompanhadas por reforço da fiscalização no mercado de combustíveis.

Desaceleração suave na criação de empregos formais

O relatório do CAGED mostrou criação líquida de 255,3 mil empregos formais em fevereiro, em linha com as expectativas. As admissões cresceram 0,8% em relação ao mês anterior, enquanto os desligamentos avançaram 1,3%. Todos os setores continuaram gerando empregos, embora em ritmo mais moderado. Os salários mantiveram trajetória de alta, tanto em termos nominais quanto reais, reforçando a visão de um mercado de trabalho ainda apertado. Assim, avaliamos que o emprego formal segue em tendência positiva, ainda que com alguma moderação, e mantemos nosso cenário-base de taxa de desemprego baixa, em 5,6% ao fim de 2026, e criação líquida de cerca de 900 mil vagas neste ano, sustentado por demanda doméstica resiliente, estímulos à renda e ao crédito e escassez de mão de obra.

Resultado primário melhora marginalmente em fevereiro, impulsionado por forte arrecadação tributária

O governo central registrou déficit primário de R$ 30,0 bilhões em fevereiro, pior do que a nossa projeção (déficit de R$ 28,7 bilhões). No resultado acumulado em 12 meses, o governo central acumula déficit de R$ 58,3 bilhões, o equivalente a aproximadamente 0,45% do PIB. Em fevereiro, as receitas líquidas avançaram 5,6% em termos reais na comparação anual, enquanto as despesas totais cresceram 3,1%. Esperamos que a arrecadação continue a crescer com a retomada da atividade econômica e a manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados, embora a execução mais forte das despesas discricionárias e a redução da fila de pedidos de benefícios previdenciários e do BPC/LOAS sigam pressionando o resultado primário. Nossa projeção para o fim de 2026 é de um déficit de R$ 48,9 bilhões (0,4% do PIB), ou de um superávit de R$ 1,5 bilhão (0,0% do PIB) ao excluir despesas fora da meta.

Ronaldo Caiado é anunciado pré-candidato à presidência pelo PSD

O PSD anunciou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré‑candidato do partido à Presidência da República. A decisão foi comunicada pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, que afirmou que a escolha reforça a estratégia eleitoral do partido para a disputa nacional.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, destaque para a publicação da inflação ao consumidor (CPI) de março nos Estados Unidos, para a qual o mercado espera forte aceleração em função dos impactos da guerra sobre preços de energia. Na próxima semana também teremos a divulgação da inflação ao consumidor medida pelo deflator de consumo (PCE), o indicador de inflação favorito do Fed (banco central), da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária americano e a leitura final do PIB do 4º trimestre. Além disso, serão divulgadas as leituras finais dos PMIs de serviços das principais economias – PMIs são sondagens com empresas que buscam medir o pulso da atividade econômica.

No Brasil, o IBGE divulga o IPCA de março. Também teremos na semana a divulgação da balança comercial do mês passado. Veja nossas projeções abaixo.

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