Resumo
Após a decisão da Suprema Corte dos EUA invalidando todas as tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, Donald Trump anunciou uma nova tarifa global de 15% amparada em outra base legal. O movimento ampliou a incerteza em torno da política comercial e do ambiente regulatório dos EUA.
Em relação ao Irã, conversas para um acordo avançaram, mas tensão segue elevada.
No Brasil, a taxa de câmbio encerrou fevereiro em cerca de 5,15 reais por dólar. A moeda já valorizou 6,6% neste ano. Esse movimento, entretanto, também foi visto em outros países emergentes, reflexo de um dólar mais fraco nos EUA.
Nos indicadores, o IPCA-15 de fevereiro registrou forte avanço mensal, sendo a maior surpresa altista desde 2003. Apesar disso, julgamos que ainda há um cenário benigno no curto prazo. Seguimos projetando que o Banco Central inicie o ciclo de cortes de juros em março, reduzindo a taxa Selic em 0,50 p.p..
Gráfico da Semana
Veja na seção “Taxa de câmbio no menor patamar desde maio de 2024”

Cenário Internacional
Nova tarifa global de 15% aumenta incerteza comercial nos Estados Unidos
Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos invalidando todas as tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), o Presidente norte-americano anunciou uma nova tarifa global de 15% amparada em outra base legal. A incerteza em torno da política comercial e do ambiente regulatórios dos Estados Unidos levou a União Europeia a congelar a implementação do acordo comercial firmado com a Casa Branca. A região teme que o novo desenho eleve as tarifas de importação acima do teto acordado. A China, por sua vez, pediu que os Estados Unidos cancelem as tarifas unilaterais, enquanto outros países avaliam contramedidas.
Na geopolítica, conversas entre Estados Unidos e Irã avançam, mas tensão permanece na região
O presidente Donald Trump segue tentando fechar um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano em meio ao ambiente de turbulência interna no Irã. As conversas entre os dois países avançaram nesta semana. Segundo colocado pelo chanceler de Omã, que atua como mediador nos encontros, as negociações avançaram de forma “significativa”. Novas reuniões estão previstas para a próxima semana em Viena.
Tensões geopolíticas têm mantido os preços do petróleo elevados. Além do impasse entre Estados Unidos e Irã, o conflito entre o Talibã e o Paquistão também adicionou pressão aos mercados de energia. Os preços do petróleo do tipo Brent, por exemplo, alcançaram US$ 72,5 por barril, o maior patamar desde agosto do ano passado.
China mantém taxas de juros, apesar de sinais de fraqueza no crescimento da economia
A China manteve suas taxas básicas de juros para empréstimos (LPRs) pelo nono mês consecutivo. Os juros de 1 ano seguem em 3,0% e, a de 5 anos, em 3,5%. As autoridades optaram por não reduzir as taxas devido às pressões de desvalorização sobre o yuan e à necessidade de preservar a estabilidade financeira, apesar da desaceleração econômica e do fraco setor imobiliário.
A decisão reflete a estratégia de priorizar estímulos direcionados, em vez de um estímulo monetário amplo. O banco central chinês busca equilibrar estímulos moderados com a preocupação de que cortes mais agressivos na taxa de juros ampliem a saída de capitais e intensifiquem a pressão sobre a moeda.
Enquanto isso, no Brasil…
Taxa de câmbio no menor patamar desde maio de 2024
A taxa de câmbio encerrou fevereiro em cerca de 5,13 reais por dólar – o menor patamar desde maio de 2024. O real já se valorizou 6,6% neste ano e 13,5% em 12 meses. Esse movimento, entretanto, também foi visto nos outros países, reflexo de um dólar mais fraco nos Estados Unidos. A percepção de maior risco nos Estados Unidos fez com que investidores globais direcionassem seu capital para países emergentes, sendo o Brasil um dos principais alvos, aumentando o fluxo de investimentos e valorizando o real.
Outros ativos também se beneficiam desse cenário. O Ibovespa, em patamar recorde, acumula alta de 19% no ano. A título de comparação, o índice mexicano sobe 11%, enquanto na Colômbia, a valorização é de 15,70%.
IPCA-15 de fevereiro: Forte surpresa altista, mas fundamentos seguem benignos
O IPCA‑15 de fevereiro subiu 0,84% na comparação mensal, acima da nossa projeção (0,60%) e do consenso de mercado (0,56%). Apesar da pressão de fevereiro, a taxa em 12 meses recuou de 4,50% para 4,10%. O dado registrou choque pontual concentrado em serviços. Passagens aéreas subiram muito além do esperado (influenciadas pelo Carnaval), sugerindo devolução parcial adiante. Ademais, preços de seguro de automóveis, que cederam mais de 10% no final de 2025, voltaram a subir fortemente (5%) em fevereiro, acima das projeções de mercado. Por outro lado, houve manutenção da tendência desinflacionária em bens industrializados e alimentos. Assim, apesar da surpresa em fevereiro, julgamos que ainda há um cenário benigno no curto prazo.
Seguimos projetando que o Banco Central inicie o ciclo de cortes de juros em março, reduzindo a taxa Selic em 0,50 p.p.. Nossa projeção para o IPCA de 2026 segue em 3,8%. Para mais informações, acesse nosso relatório aqui.
Avanço no acordo entre Mercosul e União Europeia
A Câmara dos Deputados aprovou o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que agora segue para análise do Senado. O governo se prepara para editar um decreto de salvaguardas destinado a proteger a indústria e o agronegócio diante das regras mais rígidas aprovadas pelo Parlamento Europeu. Segundo o vice‑presidente Geraldo Alckmin, a regulamentação será enviada à Casa Civil antes da votação no Senado, atendendo à pressão de setores produtivos preocupados com impactos tarifários.
Paralelamente, o governo brasileiro monitora de perto os movimentos da União Europeia, que anunciou a aplicação provisória do acordo assim que houver a troca formal de notificações com os países do Mercosul, procedimento previsto para ocorrer dentro de aproximadamente dois meses. A iniciativa, contudo, enfrenta forte oposição interna, sobretudo da França, que alerta para riscos de aumento das importações de carne, açúcar e frango a preços mais baixos, o que poderia prejudicar produtores europeus. Em contraste, defensores do pacto, como Alemanha e Espanha, sustentam que o acordo é essencial para compensar perdas decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir a dependência europeia da China no fornecimento de minerais críticos.
Governo reduz imposto de importação
O governo zerou a tarifa de importação de 105 bens de capital e de produtos de informática e telecomunicações por meio do regime de ex‑tarifários, que permite reduzir temporariamente o Imposto de Importação para itens sem produção nacional equivalente. A medida atenua parcialmente o aumento tarifário aprovado no fim de janeiro. Além disso, o governo revogou parte da elevação recente das alíquotas aplicadas a smartphones e notebooks, restabelecendo-as aos níveis anteriores — 16% para celulares e 20% para notebooks.
Apesar desses recuos pontuais, a área econômica mantém a projeção de arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões em 2026 em função das majorações tarifárias já implementadas. Essa estimativa permanece consistente com o PLOA, que previa um ganho adicional de aproximadamente R$ 14 bilhões.
Resultado positivo no setor público em janeiro não muda tendência para o ano
O setor público consolidado registrou um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, abaixo do superávit de R$ 104,1 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. Na abertura, governo central e governos regionais apresentaram superávit de R$ 87,3 bilhões e R$ 21,3 bilhões, respectivamente, enquanto empresas estatais registraram déficit de R$ 4,9 bilhões. Do lado do governo central, os dados do Tesouro Nacional mostraram que a arrecadação continua com crescimento sustentado principalmente pelo mercado de trabalho, o que levou a uma leve melhora no resultado primário. Em relação aos governos regionais, observamos uma pequena deterioração puxada principalmente por estados, consistente com nossa visão de uma aceleração das despesas em função do período eleitoral. Por fim, o resultado das empresas estatais reflete provavelmente as despesas de pagamentos de dívidas em atraso pelos Correios.
Para este ano, projetamos déficit de R$ 48,9 bilhões (0,4% do PIB) ou superávit de R$ 1,5 bilhão (0,0% do PIB) quando consideradas as exclusões para apuração da meta fiscal para o governo central. Por sua vez, estados e municípios devem registrar pequeno superávit de R$ 5 bilhões (0,0% do PIB), enquanto se espera um déficit de R$ 12,3 bilhões (0,1% do PIB). Por fim, a dívida pública deve subir de 78,7%% no final do ano passado para 83,5%.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, o destaque será as estatísticas de emprego dos Estados Unidos referentes a fevereiro, principalmente o Nonfarm Payroll, que mede a criação de vagas de trabalho. Também serão divulgadas a produção industrial e as vendas no varejo de janeiro, além do Livro Bege do Fed (relatório sobre condições econômicas regionais do banco central). Na Zona do Euro, o índice de inflação ao consumidor estará no centro das atenções. Além disso, os PMIs das principais economias do mundo referentes a fevereiro serão publicados – PMIs são sondagens empresariais que buscam captar o pulso da atividade econômica.
No Brasil, o destaque será a divulgação do PIB do 4º trimestre e, consequentemente, de 2025 pelo IBGE. Projetamos que a economia brasileira tenha crescido 0,1% entre o 3º e o 4º trimestre, resultando em um PIB de 2,3% em 2025. Além disso, estão na agenda as estatísticas de emprego (trazidas pelo Caged e a PNAD Contínua), além da produção industrial de janeiro e a balança comercial de fevereiro. Veja nossas projeções abaixo.

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