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O que é Risco-País?

Como se mede a desconfiança dos investidores em relação ao Brasil? Saiba a importância do risco-país e como está esse indicador nos atuais cenários econômico e político.

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O que é Risco-País?

Conceito que surgiu em 1990 com o banco norte-americano J. P. Morgan, o risco-país é um indicador usado para avaliar o risco de investimento em países emergentes. No Brasil, o conceito é direcionado para os riscos em se investir aqui e orienta o mercado financeiro em relação à possibilidade de o país dar calote em seus credores.  

O que é risco-país? 

O risco-país, que também pode ser chamado de risco soberano, é um conceito econômico que expressa a probabilidade de insolvência de um país frente aos investidores estrangeiros. 

Ou seja, quando estrangeiros pensam em investir no Brasil, por exemplo, o risco- Brasil é um dos termômetros para saber a capacidade da nação em honrar seus compromissos financeiros e dívidas, sobretudo em momentos de alta incerteza. 

Dentro desse conceito, fatores externos à economia, como a condução da política nacional ou qualquer agente que cause instabilidade no mundo, são preponderantes para o nível do risco-brasil. 

Não confunda risco-país com rating 

Apesar de estarem relacionados, risco-país e rating são coisas distintas, porém complementares. Assim como empresas são avaliadas para o investidor saber qual o risco de crédito (calote) dessas companhias, os países também estão sob monitoramento das agências classificadoras de risco

Essas instituições são responsáveis também por avaliar o grau de risco de crédito soberano de uma nação, mas por notas, em padrões específicos de cada uma. 

Sob o cenário atual, avaliações da S&P Global e da Fitch feitas em 2022 classificam o país como ‘BB-’. Essa nota demonstra que o país ainda não é grau de investimento, mas, sim, especulativo. Isto é, o Brasil é considerado mais arriscado em relação a países com notas de referência, de ‘BBB-’ para cima (três degraus acima da nota brasileira).  

Como se mede o risco-país? 

Há dois instrumentos principais para medir o risco-país: o EMBI+Br e o Credit Default Swap (CDS). Vamos conhecer cada um deles para entender como os investidores estrangeiros enxergam o risco de se investir no Brasil através dos números. 

O que é EMBI+Br? 

Segundo definição do Banco Central, O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo banco J.P. Morgan Chase, é um índice ponderado composto por instrumentos de dívida externa, ativamente negociados e denominados em dólar, de governos de países emergentes. 

Há um EMBI específico para cada país que está no índice. No caso, estamos falando do EMBI+Br. Seu cálculo corresponde à média ponderada dos prêmios pagos pelos títulos da dívida externa brasileira em comparação a papéis de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos. 

Quanto maior for a pontuação do EMBI+Br, maior será o risco-país, isto é, o risco de crédito brasileiro. E, conforme os resultados, isso dá parâmetros de negociação no Brasil e também afeta de forma instantânea a decisão dos investidores de aportar ou não seu capital no país. 

O que é CDS? 

O Credit Default Swap (CDS) é outra forma de medir o risco-soberano, mas seu funcionamento é bem diferente em comparação ao EMBI. Basicamente, o CDS é como se fosse um seguro contra eventuais calotes do pagamento de títulos públicos. Por isso, ele funciona como uma medida do risco-país. 

A negociação do CDS é a chave para determinar o nível de risco para se investir no Brasil. Por exemplo, se houver uma indicação de que há uma demanda maior pela compra por CDS e, assim, seu preço for aumentando, isso quer dizer queo mercado enxerga um risco-país mais alto. 

Investidor em seu escritório analisa o risco-país antes de investir no Brasil.

Quais os impactos do risco-país? 

Um risco-país alto ou baixo pode impactar de diversas formas. De maneira geral, os seguintes pontos são os principais impactados: 

  • Flexibilidade fiscal: quanto maior for o risco-país, maior deverá ser o retorno que o governo terá que oferecer para que os investidores mantenham investimentos no país. 
  • Financiamento via setor privado: as empresas, por estarem dentro do país, acabam correndo riscos sistêmicos dessa nação. Dessa forma, com um risco-país em queda, esse setor teria recursos mais abundantes e com mais qualidade, ativando o mercado financeiro nacional. 
  • Setor de infraestrutura: como os recursos para investir são limitados, esse setor acaba por depender de capital estrangeiro para se desenvolver. Assim, o risco-soberano acaba sendo determinante para a expansão desse setor. 
  • Política e sociedade: caso o risco-país aumente sem precedentes, poderá ocorrer a degradação da economia nacional, acarretando em  quedas no PIB (Produto Interno Bruto), na arrecadação fiscal e na geração de empregos, além de aumentos na inflação, condições que trariam prejuízos para a sociedade no geral. 

Quais os impactos de um risco-país alto? 

Um risco-país alto pode causar diferentes impactos para a economia do país dentre eles: 

  • Fuga de capitais estrangeiros por parte de alguns dos grandes fundos de investimentos; com isso, há redução dos recursos disponíveis, o que ocasiona menos investimentos na economia e, por fim, menores índices de geração de empregos e diminuição dos salários da população. 
  • Maior custo de capital, dado que o governo e as empresas passam a ter mais dificuldade para conseguir empréstimos no exterior com condições favoráveis. 
  • Menos dólares disponíveis na economia, levando, assim, à desvalorização do real frente à moeda norte-americana. 
  • Aumento da sobretaxa paga ao Tesouro norte-americano, isto é, uma alta taxa de juros do título público; assim como elevação da taxa básica de juros da economia e da Taxa Mínima de Atratividade (TMA). 
  • Alta das taxas de juros dos financiamentos, tanto de instituições públicas quanto de privadas. 

Como o risco-país impacta os investimentos? 

O indicador do risco-país é o principal ponto de orientação nas tomadas de decisão dos investidores. Afinal, esse indicador vai ajudar a definir se vale a pena ou não investir dinheiro no mercado financeiro do país. 

Para o investidor, o risco-soberano vai indicar qual o risco do investimento que está sendo feito em certo país emergente. E quanto maior o risco, maior a rentabilidade. Mesmo assim, o aumento do risco-país pode levar a fuga de capital estrangeiro e dificuldades de financiamento. 

Quer saber mais sobre conceitos como o de risco-país? Não deixe de acompanhar nossa categoria especial sobre economia

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