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O que é “quantitative tightening” e como ele pode impactar os mercados?

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciou recentemente planos de quantitative tightening; entenda como funciona esse mecanismo

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O que é “quantitative tightening” e como ele pode impactar os mercados?

Inflação elevada, juros em alta. O cenário que afeta o Brasil também está presente em outros países. Nos Estados Unidos, o Fed, banco central norte-americano, anunciou recentemente que acionará um mecanismo chamado “quantitative tightening”. Você sabe o que ele significa?

O quantitative tightening (QT) é um dos mecanismos que um banco central pode acionar para intervir na economia do país. Nesse caso, trata-se de uma ferramenta de retração monetária, ou seja, consiste na retirada de reservas financeiras em circulação no mercado.

O mecanismo é o oposto do chamado quantative easing (QE). No QE, o banco central aumenta a quantidade de dinheiro no sistema financeiro. Para isso, compra títulos para reduzir as taxas de longo prazo, estimulando assim os empréstimos, o que pode impulsionar a economia. Vale lembrar que esse mecanismo foi feito pela primeira vez pelos principais bancos centrais do mundo (Fed, Banco Central Europeu, e o Banco Central da Inglaterra), durante a Grande Crise Financeira de 2008, junto com o corte de taxas de juros para estimular as economias pós-crise.

Agora, estamos passando pelo processo oposto, com os bancos centrais subindo os juros e removendo os estímulos econômicos promovidos durante a crise da pandemia. Em outras palavras, o processo de QE é na realidade uma normalização do balanço patrimonial.

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Inflação alta preocupa

E esse processo de remoção de estímulo vem, pois a inflação elevada preocupa o mundo todo. Nos EUA, o índice de preços ao consumidor do país (CPI, na sigla em inglês) acumula alta de 8,3% em abril, uma leve desaceleração em relação a março. Ainda assim, a inflação norte-americana está nos maiores patamares dos últimos 40 anos.

Fonte: FRED St. Louis Fed, XP Research.

Pra controlar a inflação, o banco central já começou a subir os juros de praticamente zero – estava entra 0% e 0,25% durante a pandemia – e agora já subiu para a banda atual de 0,75% a 1,0%. Daqui para a frente, projetamos mais dois incrementos de 0,5% nas duas próximas reuniões (junho e julho) e de 0,25% em setembro e novembro deste ano, alcançando a taxa terminal de 2,5%.

Além de subir os juros, na última reunião do Fed no dia 4 de maio, o banco central anunciou os planos de redução do tamanho do balanço patrimonial, o quantitative tightening, a partir de 1º de junho deste ano.  A autoridade monetária está finalmente revertendo todo o processo que foi feito em 2020, quando foi injetado um volume maciço de estímulos e liquidez na economia norte-americana em meio à crise da pandemia.

Na época, além dos juros em praticamente zero, o balanço patrimonial do Federal Reserve cresceu de US$ 4 trilhões para quase US$ 9 trilhões. Para efeitos de comparação, durante a crise de 2008, o balanço do Fed foi de um pouco menos de US$ 1 trilhão para US$ 4,5 trilhões até começar a normalizar em 2017.

Fonte: FRED St. Louis Fed, XP Research.

Como funciona o quantitative tightening?

O quantitative tightening é uma medida para diminuir o volume de reservas em circulação. Para isso, quando os títulos do Tesouro atingem a data de vencimento, eles são pagos pelo governo, não havendo substituição por novos títulos, reduzindo o chamado balanço patrimonial.

Com menos dinheiro em circulação, e a consequente alta dos prêmios dos títulos do governo, o efeito esperado é que a população passe a poupar mais que consumir, desestimulando a economia e diminuindo a inflação.

Os valores mensais dos títulos que poderão vencer e não ser substituídos serão limitados, possibilitando uma queda gradual no balanço. Para títulos do Tesouro, o limite será inicialmente fixado em US$ 30 bilhões por mês e, após três meses, aumentará para US$ 60 bilhões por mês. Esperamos que o vá continuar nesse ritmo até reduzir o tamanho de seu balanço para US$ 7 bilhões.

“Para garantir uma transição suave, o Comitê pretende desacelerar e, em seguida, interromper o declínio no tamanho do balanço patrimonial quando os saldos das reservas estiverem um pouco acima do nível que considera consistente com reservas amplas”, informou o Fed.

Quais os impactos para o mercado?

Como mencionamos no último Raio XP, estamos passando por uma mudança de regime: de uma economia de inflação e juros baixos com bastante liquidez nos mercados, para outra com inflação mais alta, juros subindo e estímulos sendo removidos.

O Fed nos EUA tem sido o banco central mais agressivo em retirar os estímulos nesse momento, mas outros bancos centrais do mundo (como o próprio Brasil) também estão passando por esse processo de aperto monetário.

Como o QE foi utilizado poucas vezes na história, já que foi implementado pela primeira vez em 2008, e pela segunda vez na crise de 2020, o QT também foi visto poucas vezes pelo mercado. Por isso, há na realidade uma grande interrogação em como essa redução do balanço impactará a maior economia do mundo na luta contra a inflação.

O fato é que, dessa vez, o ritmo de redução será quase o dobro do que aconteceu em 2018. Esperamos que o Fed vá continuar o processo de QT até reduzir o tamanho do seu balanço para US$ 7 trilhões, dos atuais US$ 9 trilhões. No entanto, no último ciclo, o mercado de ações global despencou mais de 13% alguns meses após o QT começar.

Até agora, o mercado tem tido um ano difícil, o S&P 500 já cai mais de 13% no ano e já chegou a entrar em um bear market. Já o Nasdaq já cai mais de 20% no ano também, sendo um índice que concentra grandes empresas de tecnologia, sensíveis à subida de juros. O grande risco daqui pra frente, que é discutido no mercado, é que a retirada de estímulos possa derrubar a economia americana em uma recessão econômica.

Por enquanto, esse ainda não é o nosso cenário base. Com juros mais altos, a economia tende a desacelerar, e, portanto, recentemente revisamos a nossa projeção de crescimento de 2022 de 3,0% para 2,5%, e o crescimento de 2023 de 2,5% para em torno de 2%. Por ora, a economia dos EUA continua bastante aquecida e o consumo continua forte, o que deve sustentar o desempenho econômico ao longo do ano.

No entanto, esta projeção assume que a economia global vai se normalizar ao longo do ano após diversos choques vindos da pandemia e da guerra na Ucrânia. Se esses choques se prolongarem, e a inflação continuar elevada por mais tempo, isso pode levar o Fed a aumentar a taxa de juros para além de 2,5%. Neste caso, a retração monetária seria ainda maior, aumentando o risco de uma recessão.

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