Green Bonds: Entenda como os ‘títulos verdes’ buscam a combinação entre sustentabilidade e retorno financeiro

Saiba por que os Títulos verdes, ou “green bonds” são importantes formas de investimentos e como o interesse pelo meio ambiente está crescendo no mercado


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Muitos investidores do Brasil e do mundo já perceberam que não é sustentável se preocupar apenas com a rentabilidade líquida dos seus ativos financeiros. Será que o meu investimento, de alguma forma, também contribui, mesmo que indiretamente para algum aspecto sustentável?

A pauta ESG nunca esteve tão em alta, e neste artigo você vai aprender sobre um investimento vinculado à uma preocupação ambiental sem desconsiderar o retorno positivo para os cotistas.

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Por que falar de ESG?

ESG é a sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança (Environmental, Social and Governance), que também pode ser lido como ASG. A pandemia trouxe maiores holofotes para investimentos que se preocupam com estas esferas além do seu retorno estritamente financeiro. 

Grandes investidores já não aceitam investir em projetos que denigram qualquer um dos aspectos relacionados ao meio ambiente, ou a questões sociais ou de governança. Por isso, cada vez mais, quando olhamos para investimentos precisamos saber se aquele dinheiro corrobora com aspectos também evolutivos, e os Green Bonds fazem isso muito bem.

Meu nome é Bond. Green Bond.

Antes de falarmos sobre os Green Bonds, precisamos entender primeiro o que são apenas Bonds. Em inglês, “bonds” podem ser entendidos como “títulos”, e eles funcionam de forma semelhante aos papeis de Renda Fixa no Brasil. Um investidor compra o papel e vai receber um rendimento acordado com o emissor. Quando o título é “green”, ou seja, “verde”, significa que os recursos captados são direcionados para projetos sustentáveis, principalmente relacionados à mitigação dos efeitos climáticos de forma comprovada.

Entre os títulos que se enquadram nesses parâmetros estão Debêntures, Debêntures de Infraestrutura, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Os títulos verdes são emitidos apenas para objetivos relacionados ao meio ambiente, e durante o seu processo de emissão é realizada uma consultoria especializada em avaliar se os recursos captados são realmente direcionados para os projetos relacionados à causa. Outros projetos, como de infraestrutura, por exemplo, mas que contenham adicional idades sustentáveis verificadas, também pode ser considerado Green Bonds.

Abaixo, veja a diferença entre os papeis “convencionais” e aqueles cujo objetivo é voltado a um propósito sustentável, aqui, denominado projetos verdes.

Fonte: Febraban

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Quando surgiram os Green Bonds?

Em 1992 foi criada a Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, e em 1995 ela obteve adesão universal. Em 1997, com o Protocolo de Kyoto, foram sendo criadas diretrizes para os países aderirem a ferramentas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Foi a primeira vez que ouvimos falar em crédito de carbono. A ideia inicial seria reduzir as emissões de gás carbônico para a atmosfera e ir compensando esse gasto com a emissão de créditos. Era o início do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, MDL, e dali em diante os países poderiam dar início a projetos vinculados a essa estratégia.

O primeiro Green Bond do mundo foi emitido pelo Banco Mundial em novembro de 2008, dando origem a um processo sustentável no mercado de capitais. A emissão deste primeiro papel demonstrou ao mundo o quanto era possível relacionar sustentabilidade com rentabilidade.

Em 2015, foi a vez do Brasil começar a fazer captações internacionais para as próprias emissões, tendo a BRF como empresa de estreia. Além dela, a Suzano, AES Tietê, Taesa, entre outras, entraram na lista de empresas brasileiras que conseguiram captar investidores domésticos e internacionais, levando o volume total de emissões em Green Bonds no Brasil para acima dos U$ 20 bilhões.

O mercado brasileiro, no entanto, ainda é incipiente, e como somos um país majoritariamente agroexportador, temos espaço para evoluir em ativos relacionados a preservação do meio ambiente.

Globalmente, as empresas que estão se envolvendo com este propósito estão aumentando cada vez mais o seu valor de mercado, afinal, ampliam seus produtos a investidores de viés sustentável, que são bastante específicos, e ganham maior visibilidade por estarem vinculadas a projetos que trazem reconhecimento perante a conservação do meio ambiente. Para o investidor, o benefício também é significativo, principalmente por causa da transparência na utilização de recursos captados.

Quem são emissores dos Green Bonds?

Um Bond pode ser emitido por instituições privadas ou públicas de qualquer país, mas para ser um Green Bond ele precisa ter um propósito sustentável. O mercado de Green Bonds mundial deve alcançar a marca de U$350 bilhões até o final de 2020.

No Brasil, segundo documentações da FEBRABRAN, Federação Brasileira de Bancos, existem três passos estratégicos para a emissão de um Green Bond. No primeiro deles, que é a pré emissão, é feita uma análise de mercado que avalia os riscos e oportunidades da operação, após ela ser considerada elegível e desenhada como um título verde. Energia renovável, eficiência energética, prevenção e controle de poluição, conservação da biodiversidade, transporte limpo, e gestão de recursos híbridos, são exemplos de projetos elegíveis.  Nesta etapa também é feito um planejamento de avaliação externa, afinal, para garantir a transparência do projeto, é envolvida uma terceira parte.

O processo de emissão que vem em seguida é quando o título é efetivamente criado, e distribuído para os investidores. Para que ele seja emitido é necessário que haja uma instituição financeira coordenador líder da oferta, que será responsável por orientar todo o processo, e por fim, colocá-lo disponível para conseguir as captações.

A terceira parte que é o período de pós emissão, engloba um monitoramento e reporte da captação e manutenção do projeto. Além disso, o controle dos recursos obtidos com a emissão para os indicadores de desempenho ambientais. Por exemplo, um Green Bond emitido por uma empresa com o objetivo de conservar biodiversidade, tem em seu monitoramento, o número de espécies de animais em perigo, mantidos em segurança; ou, em um projeto de transporte limpo, são quantificadas a quantidade de toneladas de gás carbônico na atmosfera, e assim sucessivamente.

Se algum ativo for emitido com o título de ser Verde e descumprir com algum processo previsto na emissão, ele perde a característica de ser sustentável e se mantém apenas como um título tradicional.

Para quem se interessar, existe um Guia de Princípios para os Green Bonds com diretrizes criadas pelo ICMA, International Capital Market Association.

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Como investir em Green Bonds?

Como o mercado de Green Bonds no Brasil já existe, não é complicado saber se algum ativo que está disponível no mercado financeiro é lastreado em Finanças Verdes. Como vimos anteriormente, CRAs, CRIs e FIDCs podem ser emitidos para estimular o crédito a projetos sustentáveis. Ao encontrar um Green Bond, você sabe no ato da compra a rentabilidade esperada, o prazo, e claro, que ele compactua com algum projeto benéfico ao meio ambiente.

Ao investir, basta ler o prospecto das ofertas para saber se na emissão daquele papel, existe algum propósito relacionado ao meio ambiente, e se ela possui um selo de certificação. 

Outra forma de entender se companhias brasileiras estão de alguma forma relacionadas a projetos de sustentabilidade é adotar o ISE como métrica. O Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 foi criado exatamente para analisar as companhias que se enquadram em um aspecto de sustentabilidade corporativa para eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Através de um conselho formado por onze instituições, as empresas brasileiras que cumprem com as regras mínimas são consideradas elegíveis.

Através do ISE, o investidor não precisa investir somente em ativos emitidos com o objetivo sustentável, mas em empresas que se adequam a este título, favorecendo, inclusive, a possibilidade dos agentes se posicionarem nas ações destas companhias. Seja em ações ou em títulos, não há dúvidas de que o parâmetro sustentável veio para ficar.  Não existe mais a necessidade de buscarmos por rentabilidade sem propósito em um mercado que preza pela evolução não só de seus ativos, mas dos desdobramentos que eles trazem.

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