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Vivara (VIVA3): Um 4T com resultados mistos

Forte esforço promocional leva a EBITDA abaixo do esperado, mas novas diretrizes estratégicas foram compartilhadas

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A Vivara entregou resultados mistos no 4T, com uma receita sólida, mas EBITDA abaixo do esperado em função de uma margem bruta pressionada por uma atividade promocional mais intensa. Em nossa visão, as principais preocupações dos investidores com a tese de investimento de VIVA giram em torno da pressão na margem bruta em meio ao aumento de custos e da dinâmica de FCL advinda da otimização de estoques. Em nossa visão, embora a margem bruta tenha sido um ponto negativo do trimestre, a gestão compartilhou que acelerou o repasse de preços na Vivara no 1T (o que notamos em nosso último tracker aqui), enquanto a otimização de estoques pode oferecer mais espaço para lidar com o aumento de custos de forma mais gradual. Sobre a dinâmica de FCL, embora não tenha sido um destaque, a companhia entregou estoques menores (produtos acabados -15% t/t) e deve continuar trabalhando para reduzir a cobertura. Além disso, Thiago fez sua primeira aparição oficial no vídeo de comentários de resultados (link), compartilhando, junto com Elias, diretrizes estratégicas claras sobre expansão de lojas, otimização de estoques e gestão de custos. Mantemos nossa recomendação de Compra, pois continuamos vendo a Vivara sustentando seu forte momentum comercial, enquanto iniciativas internas devem ajudar a mitigar as pressões de custos.

Receita sólida com resiliência da Vivara e aceleração da Life em uma Black Friday promocional. As vendas brutas consolidadas subiram 17,5% a/a, apoiadas por 41 novas aberturas de lojas em 2025 e pelo crescimento contínuo de vendas nas mesmas lojas (SSS) (+11,5% vs. +10% no 3T). O crescimento da Vivara desacelerou (-2,5 p.p. t/t para +12,5%) sobre comparativos difíceis, ainda permanecendo como o principal motor da receita, enquanto a Life também foi uma contribuição sólida, com aceleração de SSS (+2 p.p. t/t para +9,6%) e 39 aberturas no LTM. A companhia priorizou ganhos de participação de mercado e a otimização de estoques no trimestre, o que se traduziu no adiamento do reposicionamento de preços da Vivara para o 1T e em uma campanha de Black Friday mais promocional em ambas as marcas. Na Vivara, a companhia focou em itens comerciais e de coleções, enquanto, na Life, focou em itens de baixa rotação e excesso de estoque, principalmente na linha Moments e de coleções, para abrir espaço para os lançamentos de 2026. As vendas líquidas cresceram 16,5% a/a, com uma forte redução nas receitas de subvenção (6,2% das vendas, -1,4 p.p. a/a), à medida que a produção na fábrica desacelerou em linha com a estratégia de otimização de estoques. Por categoria, joias foram o destaque (+21% a/a), com as novas linhas da Vivara ganhando participação (Duo, Diamante de Laboratório, Prata Vivara), enquanto Life e relógios também tiveram desempenho sólido, com as três registrando crescimento de volume de dois dígitos (DD) (+11%, +22% e +17%, respectivamente).

Rentabilidade como ponto negativo, com dinâmica de FCL modesta. A margem bruta consolidada (ex-GGF) caiu 1,5 p.p. a/a, pois alavancas de expansão de margem como mix de produtos, precificação, internalização da produção e melhor negociação de relógios (+1,6 p.p.) foram mais do que compensadas por uma abordagem comercial mais agressiva na Vivara e na Life (-2,3 p.p.) para otimizar os níveis de estoque. Vale notar que joias e relógios apresentaram expansão de margem bruta, embora isso tenha sido compensado pela queda na Life. Além disso, maiores despesas de vendas (+1,7 p.p. a/a), impulsionadas por níveis normalizados de marketing, maiores custos de frete e aumento de investimentos em CRM, adicionaram pressão adicional, parcialmente mitigada por alavancagem operacional em G&A e Outras despesas. Como resultado, a margem de EBITDA Ajustado recuou 1,1 p.p. a/a e ficou 5% abaixo da nossa estimativa. O lucro líquido ajustado veio em R$265 milhões, alta de 7% a/a e 4% acima da nossa estimativa por conta de menores impostos, enquanto o FCL foi positivo em R$197 milhões (excl. antecipação de recebíveis para financiar R$164 milhões em dividendos), principalmente devido à gestão de estoques e monetização de impostos (R$124 milhões). Vale destacar que os estoques vieram em linha com os nossos, com níveis de produtos acabados caindo 15% t/t e matérias-primas subindo 9% por compras de prata e pelo derretimento de itens de ouro de baixa rotação.

Pontos interessantes a destacar: i) A companhia publicou um fato relevante anunciando seu guidance de expansão para 2026, em 55-65 lojas, sustentado por retornos em linha ou acima das projeções iniciais e com foco em shoppings com lojas Vivara, pois esses oferecem retornos mais altos; ii) As 117 lojas maduras da Life registraram vendas médias de R$5,6 milhões no LTM (-2% t/t), embora todas as coortes tenham crescido em vendas/m² a/a; iii) Na primeira aparição de Thiago como CEO (link), ele reforçou que as prioridades de 2026 são crescimento sustentável e geração de caixa, sustentadas por (1) SSS da Life com um pipeline sólido de lançamentos focado em novidade, (2) expansão de lojas, (3) crescimento digital e (4) otimização de estoques; iv) sobre este último ponto, a gestão observou que os níveis de estoque permanecem altos, o que deve permitir repassar gradualmente os maiores custos do ouro ao longo dos próximos 18 meses, enquanto iniciativas internas, como mix de produtos, processos produtivos alternativos com menor uso de metal e diferentes composições de ligas metálicas, também devem ajudar a mitigar esse efeito; v) a VIVA está focada em otimização de estoques ao reduzir a cobertura de ouro, pedras e componentes, reduzir os estoques das lojas por meio de um planejamento mais assertivo e novas rodadas de derretimento; e vi) a alavancagem ficou em 0,2x Dívida Líquida/EBITDA Ajustado (-0,3 p.p. a/a), refletindo menor exposição a operações de forfeit e um perfil de passivos alongado.

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