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Natura (NATU3): Começando o ano com uma atualização estratégica

Um curto prazo desafiador, mas um novo ciclo (há muito esperado) se formando em 2026

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Realizamos uma reunião com a alta gestão da Natura, bem como um NDR com a equipe de RI para obter atualizações sobre as iniciativas estratégicas da companhia e as tendências mais recentes. As principais mensagens foram: i) Entrada em um capítulo mais simples, há muito aguardado; ii) Novo modelo operacional devendo gerar benefícios em 2026; iii) Onda 2 finalmente concluída, mas com a Argentina ainda em processo de estabilização; iv) O relançamento da Avon se aproximando; e v) Tendências de curto prazo ainda pressionadas por uma demanda fraca, mas com entrega de rentabilidade e geração de caixa. Em suma, as reuniões reforçam nossa visão positiva para NATU, com 2026 abrindo espaço para um novo ciclo de uma empresa mais enxuta, focada em crescimento orgânico e devolução de capital aos acionistas. Assim, mantemos nossa recomendação de compra.

Uma atualização estratégica com a alta gestão.

Realizamos uma reunião com o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, a CFO, Silvia Vilas Boas, além de um NDR com a equipe de RI. Os principais pontos abordados foram:

  • (Finalmente) entrando em um capítulo simplificado: após anos conturbados, a Natura praticamente concluiu seu processo de simplificação, com a venda da Avon Intl. concluída em 2025, sem necessidade de injeção adicional de capital, restando apenas a Avon Rússia, um ativo menor, lucrativo e gerador de caixa. Segundo a gestão da empresa, alternativas estratégicas estão em andamento, com potenciais recursos de caixa representando um risco altista, na nossa visão. Além disso, esperamos que a estrutura de capital atinja níveis ótimos já no final de 2025 (YE25), o que deve abrir espaço para devolução de capital aos acionistas em 2026.
  • Novo modelo operacional: a NATU iniciou um ajuste corporativo em dezembro, que deve estar majoritariamente concluída no 1T. Esse ajuste busca trazer agilidade, eficiência e inovação, ao mesmo tempo em que deve gerar economias de G&A em 2026. Isso deve ser um importante motor para sustentar a expansão da margem EBITDA em 2026. Adicionalmente, projetos estratégicos relevantes estão sendo concluídos, o que também deve ajudar as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) a convergirem para níveis históricos.
  • Onda 2 finalmente concluída: a gestão reiterou que não deveremos ter custos de transformação a partir de 2026, já que a Onda 2 foi concluída no 4T25. No entanto, os resultados da Argentina continuam pressionados, já que a operação ainda não se estabilizou. Por outro lado, o México está mais normalizado, com expectativa de retomada de crescimento em 2026.
  • O relançamento da Avon se aproximando: a Avon deve ser relançada no primeiro semestre de 2026, com novo posicionamento, portfólio e comunicação. Para isso, a companhia utilizou os investimentos em P&D da marca em 2025 com foco em 2026, sem demandar capital adicional neste ano. Além disso, o relançamento deve ser feito em fases, com o Brasil como primeiro país, seguido pelo México. 
  • Tendências mistas de curto prazo, mas com margens e fluxo de caixa sólidos: aproveitamos também para compartilhar nossa prévia do 4T, com a dinâmica de receita ainda pressionada pelo macro fraco no Brasil e pelos efeitos da Onda 2 na Hispana, embora antecipemos uma sólida expansão de margem sobre bases fáceis de comparação e menores despesas de SG&A.
  • Prévia do 4T25. No Brasil, esperamos que a Natura siga pressionada pelo ambiente macro mais fraco, com leve deterioração em relação ao crescimento do 3T (para -1% ano contra ano, vs. -0,3% no 3T), enquanto a Avon deve apresentar melhora sequencial, com a normalização da migração da fábrica que impactou o 3T, embora ainda em queda de 12,5% ano contra ano. Na Hispana, esperamos uma melhora sequencial em ambas as marcas, com o México mais próximo de estabilizar suas operações, enquanto a Argentina continua sofrendo com os efeitos da Onda 2. Como resultado, estimamos que a receita da marca Natura diminua 12% em BRL (+13% em moeda constante), enquanto a Avon diminua 38% (-21% em moeda constante). Quanto à lucratividade, estimamos que a margem bruta de produção se manterá saudável, expandindo ano a ano em comparações fáceis (esforços promocionais e maior participação dos presenteáveis no 4º trimestre de 2024) e menor na comparação trimestral em linha com a sazonalidade usual. Enquanto isso, a margem EBITDA Ajustada deve ser um destaque, com despesas SG&A menores levando a uma sólida expansão para 13,0% (Latam em 13,6%). Vale ressaltar que estimamos os custos de transformação em R$80 milhões, sendo este o último trimestre desse impacto. Por fim, o lucro líquido deve ser de R$175 milhões, com ND/EBITDA (excluindo IFRS) em 1,4x.
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