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Bradesco (BBDC4): Definindo o tom para um 2024 ainda mais desafiador | Revisão 1T24

Confira aqui nossa análise dos resultados do Bradesco no 1T24.

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O Bradesco apresentou números fracos, um pouco abaixo do esperado e ainda longe do guidance para o ano. Dando o tom para um 2024 ainda mais desafiador. O lucro líquido recorrente foi de R$ 4,2 bilhões no 1T (+11% vs XPe e -2% A/A) implicando um ROAE de 10,2%. Vale ressaltar que na comparação trimestral houve evolução impulsionada por menores despesas com PDD, controle de despesas operacionais e resultados de operações de seguros. Contudo, a margem financeira com clientes permaneceu pressionada devido ao mix de crédito com spreads mais baixos. A carteira de crédito ampliada cresceu tímidos 1,2%, bem abaixo do piso do guidance. A qualidade da carteira de crédito foi o destaque positivo em todos os segmentos. Apesar da baixa sazonalidade no 1T, o NPL acima de 90 caiu 30bps no trimestre.

A carteira de crédito ampliada do Bradesco totalizou R$ 890 bilhões, crescendo 1,4% T/T e 1,2% A/A. Este aumento anual deveu-se em grande parte a Pessoas Físicas e Grandes Empresas. Apesar da melhoria em relação ao trimestre anterior, ficou aquém do guidance para 2024 (+7% a +11% A/A).

O destaque mais relevante do trimestre foi a qualidade do crédito. O NPL acima de 90 caiu 30 bps sequencialmente e encerrou o trimestre em 4,8%. A evolução em todos os segmentos proporcionou melhora também na PDD ampliada (provisão), que caiu 25,8% e 17,9% T/T e A/A, respectivamente, e fechou o trimestre em R$ 7,8 bilhões (-16% vs XPe). Com isso, a relação entre PDD ampliada e carteira ampliada ficou em 3,5% (130 bps melhor sequencialmente). Importante ressaltar, no entanto, que o provisionamento ficou abaixo da criação de NPL, reduzindo o rácio de cobertura em 100 bps para 164%.

Pelo terceiro trimestre consecutivo a margem financeira (NII) caiu A/A. Esta queda decorre especialmente do menor saldo médio e dos spreads mais baixos, o que levou o NII dos Clientes a cair 5,9% T/T e 14,4% A/A. Do lado da margem financeira do mercado, embora tenha aumentado A/A (+630 milhões vs -312 no 1T23), a comparação trimestral apresentou uma queda marginal. Esse desempenho combinado levou a um NII de R$ 15,2 bilhões (-6,1% T/T e -9,0% A/A), o que está 8% abaixo da nossa estimativa e da faixa baixa do guidance para 2024 (+3% a +7%).

Taxas e comissões encerraram o trimestre em R$ 8,9 bilhões, -1,8% T/T, +1,3% A/A e 1% abaixo de nossas estimativas. A queda trimestral reflete o efeito sazonal que ocorre no 1T. Os destaques negativos são os pagamentos, que são impactados por volumes menores e representam mais de 40% da linha de receitas, e os mercados de capitais, impactados pela menor atividade e altas taxas de juros. Também é importante observar que o crescimento anual ficou aquém do limite inferior da orientação.

Seguros continuaram com forte desempenho e fecharam o trimestre em R$ 4,0 bilhões (+8,9% A/A e -16% T/T). O salto A/A reflete uma melhora na sinistralidade e no índice de comercialização que mais que compensou a desaceleração no crescimento das Receitas de Seguros, Previdência e Capitalização (+8,9% A/A vs +21,1% no 4T23). Com isso, o lucro líquido desta unidade de negócio atingiu R$ 2,0 bilhões, implicando um ROAE de 19,8%.

As despesas operacionais totalizaram R$ 13,4 bilhões, -10,5% T/T, mas +4,4% A/A. O crescimento A/A abaixo da inflação mostra que os esforços de redução de custos do banco valeram a pena. No entanto, à medida que as receitas operacionais diminuíram, o índice de eficiência piorou marginalmente em termos trimestrais. Além disso, o Bradesco destacou que espera algum crescimento ao longo do ano, principalmente com despesas atreladas a: i) quadro de pessoal de TI; ii) consultorias para o plano de reestruturação; e iii) contingências.

Isso levou a um Lucro Líquido recorrente de R$ 4,2 bilhões no 1T (+46% T/T e 11% acima da nossa estimativa). Embora o resultado final tenha apresentado um crescimento sequencial significativo e superado a nossa estimativa, vemos uma contribuição significativa proveniente de um nível mais baixo de provisões (abaixo da criação de NPL) e de uma taxa de imposto efetiva deprimida. A rentabilidade mais forte implicou um ROAE de 10,2% (+30 bps vs. XPe).

O Bradesco registrou CET1 de 11,2%, 50 bps inferior sequencialmente. Isto elevou o índice BIS para 15,4% (-40 bps T/T). Apesar dessa queda no primeiro trimestre, ainda vemos o capital do Bradesco saudável.

Embora os resultados possam parecer fracos à primeira vista, não descartamos uma visão mais otimista e uma reação positiva do mercado. Os esforços do banco para resolver problemas de NPL e melhorar a qualidade do crédito sinalizam um maior apetite para acelerar o crescimento em segmentos com spreads mais elevados, conduzindo, em última análise, a uma melhoria no NII. Na nossa opinião, o ponto de partida para o ano parece muito desafiador para atingir o guidance do ano. Continuamos com nossa visão cautelosa e avaliação neutra.

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