Vale a pena investir nas ações da CSNA3?
Em setembro de 2026, atualizamos nossas estimativas para a CSN, reiterando nossa recomendação Neutra e introduzindo um preço-alvo de R$7,00 por ação para o final de 2027 (upside de 18%). A tese segue pressionada pela deterioração da geração de caixa e pelas preocupações com o balanço, em um contexto de juros elevados, fundamentos mais fracos para o minério de ferro e um ambiente ainda desafiador para a operação siderúrgica no Brasil. Estimamos uma necessidade total de caixa de aproximadamente R$41 bilhões entre o 3T26E e 2030E, que deve ser endereçada por meio de (i) cerca de R$20 bilhões em refinanciamentos bancários, (ii) aproximadamente R$13 bilhões em pré-pagamentos de minério de ferro e (iii) R$17 bilhões a R$18 bilhões em desinvestimentos, incluindo a venda do negócio de Cimentos e uma participação minoritária em ativos de infraestrutura. Embora consideremos esse plano abrangente e factível, sua execução permanece crítica para o processo de desalavancagem, limitando o upside das ações no curto prazo. Ainda assim, vemos uma assimetria relativamente positiva para CSNA3, uma vez que entendemos que a companhia dispõe de alternativas suficientes para cumprir suas obrigações e reduzir gradualmente as preocupações com liquidez.
Geração de caixa pressionada nos próximos anos. Embora o EBITDA consolidado permaneça relativamente resiliente, esperamos que a conversão de caixa siga pressionada pelo elevado ciclo de investimentos da CMIN, pelas despesas financeiras da holding e pelo cenário mais fraco para a operação siderúrgica no Brasil. Estimamos consumo operacional de caixa de aproximadamente R$17 bilhões entre o 3T26E e 2030E, com capex consolidado avançando de R$6,2 bilhões em 2026E para R$8,1 bilhões em 2027E. Como resultado, projetamos FCF negativo durante o período, enquanto a dívida líquida deve aumentar de R$43,1 bilhões em 2026E para R$48,5 bilhões em 2027E, mantendo a alavancagem próxima de 3,9x dívida líquida sobre EBITDA.
Um plano de funding abrangente, mas dependente de execução. Considerando o consumo operacional de caixa, as amortizações de dívida e as distribuições aos acionistas, estimamos uma necessidade total de aproximadamente R$41 bilhões entre o 3T26E e 2030E. Para financiar essas obrigações, assumimos cerca de R$20 bilhões em refinanciamentos bancários, R$13 bilhões em pré-pagamentos de minério de ferro e R$17 bilhões a R$18 bilhões em desinvestimentos. Entre as vendas de ativos, estimamos aproximadamente R$12,5 bilhões com a alienação integral do negócio de Cimentos, acompanhada pelo pagamento do bridge loan de US$1,2 bilhão, além de cerca de R$5 bilhões com a venda de uma participação de aproximadamente 20% em ativos de infraestrutura. Embora consideremos o plano factível, a conclusão dessas operações será determinante para aliviar o balanço e sustentar o processo de desalavancagem.
CMIN permanece como uma fonte importante de liquidez para o grupo. Mesmo atravessando um ciclo intensivo de investimentos, a CMIN deve continuar apoiando a liquidez da holding por meio de dividendos, pré-pagamentos de minério de ferro, vendas de ativos e potenciais transações entre partes relacionadas. Assumimos payout próximo de 100% até 2030E, com distribuições crescendo de aproximadamente R$1,5 bilhão em 2026E para R$4,2 bilhões em 2030E. No entanto, a combinação entre dividendos elevados e investimentos no P15, em outros projetos de mineração e na expansão do TECAR deve exigir aumento gradual da alavancagem da CMIN, reduzindo sua capacidade incremental de financiar a holding ao longo do ciclo.
Mudanças nas estimativas e valuation. Reduzimos nossas estimativas de receita da CSN em 3% para 2026E e 2027E, enquanto o EBITDA foi revisado em 9% e 2% para baixo, respectivamente, refletindo principalmente a piora das premissas para mineração e um ambiente ainda desafiador para a siderurgia. Projetamos EBITDA consolidado de R$10,9 bilhões em 2026E e R$12,4 bilhões em 2027E, com prejuízo líquido de R$209 milhões e R$306 milhões, respectivamente. A ação negocia a 4,9x EV/EBITDA em 2026E e 4,7x em 2027E, mas entendemos que esses múltiplos não refletem integralmente a elevada intensidade de capital, as despesas financeiras e o FCF negativo esperado. Assim, mantemos recomendação Neutra e preço-alvo de R$7,00 por ação para o final de 2027, embora enxerguemos assimetria relativamente positiva caso os refinanciamentos e desinvestimentos avancem conforme o planejado.
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Análise ESG
Uma análise comparativa do setor. Apesar dos desafios enfrentados por esses setores, olhando por uma perspectiva por empresa, vemos a GGBR4 liderando o setor, com destaque para uma estratégia de redução de emissões e um plano de descarbonização de alta qualidade, enquanto vemos melhoras na governança nos últimos anos. Com uma atuação multisetorial, a CSNA3 enfrenta desafios intrínsecos à essa condição, embora reconhecemos como positiva a presença de metas de redução de emissões em todos as suas unidades de negócios, além de boas práticas de saúde e segurança, ao mesmo tempo em que não podemos negligenciar os riscos relacionados ao pilar (G) como o principal desafio, que se estende para a CMIN3, apesar de ser pioneira no processo de filtragem de rejeitos e empilhamento a seco. Para a USIM5, esperamos que a mudança na composição acionária (Ternium 14%) aprimore práticas de governança da companhia, embora vejamos espaço para melhorias em iniciativas no pilar ambiental (E). Por fim, a VALE3 conta com uma detalhada e completa divulgação ESG, com esforços e ações concretas visando melhorar o desempenho ESG, embora os riscos permaneçam após a tragédia de Brumadinho.
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Quem é a CSNA3?
Fundada em abril de 1941 durante o mandato de Getúlio Vargas, a CSN é pioneira na produção integrada de aços planos no Brasil, desempenhando um papel fundamental na industrialização do país. Privatizada em 1993, a empresa tem buscado continuamente a modernização e diversificação de suas operações. Com presença em 17 estados brasileiros, além da Alemanha e Portugal, as ações da CSN estão listadas nas bolsas de valores B3 de São Paulo e Nova York (NYSE).
A CSN se destaca em cinco setores: siderurgia, mineração, logística, cimento e energia. A empresa possui um portfólio diversificado, incluindo uma planta siderúrgica integrada, cinco unidades industriais (incluindo duas internacionais), minas de minério de ferro, calcário, dolomita e estanho, uma robusta rede de distribuição de aços planos, terminais portuários, interesses ferroviários e participações em várias usinas hidrelétricas.
Siderurgia: A CSN atua em toda a cadeia produtiva e oferece uma gama diversificada de produtos siderúrgicos. Com unidades estratégicas no Rio de Janeiro e no Paraná, além de presença internacional em Portugal (Lusosider) e Alemanha (SWT), a CSN estabeleceu uma forte presença nacional e global. Além disso, a forte presença da CSN no mercado é reforçada por sua subsidiária Prada Distribuição, importante distribuidora de aço, e pela Prada Embalagens (SP), unidade especializada em embalagens.
Mineração: a CMIN é a operação mais relevante da empresa, englobando diversos ativos como mina de Casa de Pedra, mina do Engenho, usina de beneficiamento de Pires, Tecar (com 100% de participação), MRS (com 18,63% de participação) e Companhia Energética Chapecó (com participação de 99,99%). Além disso, a CMIN concluiu com sucesso seu IPO em fevereiro de 2021, resultando em uma avaliação de R$ 48 bilhões (R$ 8,50 por ação) e uma transação no valor de R$ 5,2 bilhões. Em relação à integração, 12% da produção da CMIN em 2022 foi consumida pela siderúrgica da UPV. A empresa utilizou as ferrovias da MRS para a logística de transporte do minério de ferro até o terminal portuário do Tecar, em Sepetiba (RJ), para exportação no mercado internacional. Além disso, a recente aquisição da fábrica de Quebra-Queixo tornou a empresa totalmente autossuficiente em termos de energia.
Cimento: A empresa possui 17mtpa de capacidade instalada, 7 plantas integradas, 6 usinas e 15 centros de distribuição, atendendo as regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Entre a diversificação geográfica, a empresa também tem acesso a reservas competitivas de escória e calcário de alta qualidade, além do benefício da autoprodução de energia, com potencial para aumentar a capacidade de cimento em projetos de reativação e desgargalamento.
Outros: A empresa também atua nos segmentos de logística e energia. O segmento logístico é baseado em dois segmentos: ferroviário, (MRS e Transnordestina) e terminais portuários (Tecar). Para energia, a CSN possui diversos ativos no Brasil, com projetos de energia fotovoltaica no Pará e um parque eólico no Rio Grande do Sul.
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