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Temporada de resultados 1° tri 2020: o que esperar?

O que esperar da temporada de resultados do 1° trimestre de 2020? Acreditamos que essa temporada será bastante relevante pois mostrará os primeiros impactos e medidas sendo tomadas pelas principais empresas brasileiras em relação à crise atual do COVID-19. Nesse relatório, ressaltamos quais setores e empresas os investidores deverão estar mais atentos nessa temporada de resultados.

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Essa semana se inicia a temporada de resultados do 1º trimestre de 2020 (Janeiro – Março). Essa temporada de resultados será bastante relevante, na nossa visão, pois mostrará os primeiros impactos e medidas sendo tomadas pelas principais empresas brasileiras em relação à crise do novo coronavírus.

Os números reportados pelas empresas talvez importem menos do que o normal nesse trimestre. Isso porque a crise chegou ao final do trimestre, e as quarentenas se iniciaram principalmente em março. Assim, várias empresas não terão impactos tão relevantes neste período, e veremos esse reflexo principalmente acontecendo no 2º trimestre.

Foco nas teleconferências pós-resultados

Acreditamos que as teleconferências de resultados (conference calls) serão mais importantes que os números do trimestre em si. Os investidores devem se debruçar sobre as seguintes questões:

  1. Impactos diretos e indiretos da covid-19 e das quarentenas sobre as cadeias de suprimentos, sobre a demanda e nas operações de cada companhia.
  2. Planos de preservação de caixa e de capital durante a crise, incluindo possíveis retenções no pagamento de dividendos.
  3. Endividamento de curto prazo, caixa disponível e refinanciamento da dívida feito (montante e custo) até agora.
  4. Renegociações em curso com fornecedores, funcionários, clientes e outros (como aluguéis de imóveis, fretes, hedges, etc).
  5. Expectativa dos executivos para o 2º trimestre e para o restante do ano.
  6. Efetividade ou não dos benefícios e medidas anunciadas pelo governo até agora.

Setores mais impactados serão o grande foco da temporada de resultados

Os setores que acreditamos que os investidores devem estar mais atentos em relação à temporada de resultados são:

Transportes: não é segredo que o setor aéreo é o mais afetado nessa crise, e os resultados da Gol (GOLL4), em 4 de maio, e Azul (AZUL4), em 7 de maio, vão ser acompanhados de perto pelo mercado, que tentará entender qual o fôlego essas empresas terão nos próximos trimestres, como estão as renegociações com grandes fornecedores, as medidas de emissão de debentures conversíveis anunciadas pelo governo e quais são os planos para a retomada das atividades. Fora do setor aéreo, os resultados das locadoras de automóveis também serão relevantes, como a Localiza (RENT3), em 14 de maio, e também do setor de concessões rodoviárias, como CCR (CCRO3), em 15 de maio, e Ecorodovias (ECOR3), em 6 de maio.

Varejo e Shoppings: a quarentena forçada levou grande parte dos varejistas a fechar suas lojas físicas e migrar seu fluxo de clientes para o digital e e-commerce. Planos de digitalização foram acelerados de meses e anos para dias, e consumidores fizeram a migração de hábitos também em questão de dias. Porém, os números devem mostrar grandes dispersões entre os tipos de varejistas (duráveis vs. não duráveis) e pela exposição maior ou menor à lojas físicas e varejo online. A Lojas Renner (LREN3) e a Raia Drogasil (RADL3) serão as primeiras varejistas a reportarem, no dia 28 de abril. Outros resultados que os investidores deverão focar em Varejo são: Hering, em 30 de abril, Via Varejo (VVAR3), em 13 de maio, Vivara (VIVA3), em 14 de maio, e Magazine Luiza (MGLU3), em 25 de maio. No setor de shoppings, Multiplan (MULT3), em 29 de abril, Iguatemi (IGTA3), em 5 de maio, e Aliansce Sonae serão bastante aguardados também.

Bancos: enquanto os impactos nos bancos devem ser modestos no curto prazo, pois a crise se iniciou ao final do 1o tri, questões como aumento de provisões para inadimplências, spreads de crédito no cenário atual e impacto das várias medidas recentes do Banco Central de aumento de liquidez e efetividade das linhas especiais de crédito parcialmente financiadas pelo Tesouro. Dos grandes bancos, Santander Brasil (SANB11) reporta dia 28 de abril, Bradesco (BBDC4) reporta em 30 de abril, Itaú (ITUB4) reporta dia 4 de maio e Banco do Brasil (BBAS3) em 7 de maio.

Commodities: o setor de commodities será relevante para que investidores mensurem como foram os impactos da crise na China durante o período entre janeiro e março e como está se dando a recuperação das atividades já em maio. A VALE (VALE3) é a primeira a reportar, no dia 28 de abril, Klabin (KLBN11) reporta dia 4 de abril, Gerdau (GGBR4) em 6 de maio, Petrobras e Suzano (SUZB3) dia 14 de maio.

Saúde: dado que a crise atual é principalmente uma crise de saúde, esse setor deve ser acompanhado de perto pelos investidores. Hapvida (não coberta) reporta dia 8 de maio, Intermédica (não coberta) dia 11 de maio e Sulamerica (SULA11) em 13 de maio pelas seguradoras.

Na medida em que o nosso time de analistas publicar as prévias dos resultados iremos atualizando a tabela abaixo.

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