Resumo
O conflito no Oriente Médio voltou a escalar após uma sequência de ataques a grandes centros de produção e exportação de energia. O preço do petróleo acumula alta de cerca de 75% desde o início do ano, enquanto os juros dos títulos públicos de longo prazo nas principais economias avançam em meio à maior incerteza.
A semana foi marcada por decisões de política monetária ao redor do mundo. Lá fora, os principais bancos centrais mantiveram uma postura cautelosa diante do aumento da incerteza global e da ampliação dos riscos inflacionários.
No Brasil, o Copom iniciou o ciclo de corte de juros, reduzindo a taxa Selic para 14,75%. A autoridade adotou tom mais brando, com poucas alterações nas projeções da inflação, apesar da alta do petróleo.
Na política, a possibilidade de greve dos caminhoneiros perdeu força após conversas de lideranças do setor com autoridades do governo. Por fim, o Presidente Lula anunciou Dario Durigan como novo Ministro da Fazenda.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Fed mantém juros; incerteza geopolítica adia projeção do próximo corte para o ano que vem“

Cenário Internacional
Conflito no Oriente Médio se intensifica
O conflito no Oriente Médio voltou a escalar após uma sequência de ataques a grandes centros de produção e exportação de energia na região do Golfo, incluindo o complexo de South Pars, no Irã, e instalações no Catar e em países vizinhos. A ofensiva atingiu infraestrutura estratégica de gás e petróleo, aumentando o temor de cortes na oferta justamente em uma área responsável por parcela relevante do abastecimento global.
Em meio à crise, o preço do petróleo Brent – uma das referências globais – sobe 7% nesta semana (76% desde o início deste ano), atingindo 110 dólares por barril. Além disso, os juros longos subiram nas principais economias do mundo, à medida que investidores passaram a exigir prêmios maiores diante da combinação de maior incerteza geopolítica e risco de pressões adicionais de inflação. Por exemplo, nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos públicos de 10 anos subiu de 4,25% para 4,36%, e no Reino Unido, a alta foi de 4,80% para 5,00%.
Fed mantém juros; incerteza geopolítica adia projeção do próximo corte para o ano que vem
O Fed (banco central dos Estados Unidos) decidiu manter a taxa de juros no intervalo de 3,50%–3,75%, conforme esperado. A autoridade reforçou o tom de cautela diante da guerra no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo. O Fed projeta inflação de 2,7T ao final deste ano (antes em 2,4%), refletindo o choque recente do petróleo e pressões ligadas a tarifas, mas ainda espera desaceleração gradual para 2,2% em 2027.
Na coletiva de imprensa pós-reunião, o presidente Jerome Powell adotou tom cauteloso e evitou se comprometer com uma trajetória clara para os juros à frente. Powell revelou que uma alta adicional chegou a ser debatida, ainda que não constitua o cenário base da maioria do comitê. A combinação entre a comunicação mais dura da autoridade monetária e a intensificação do conflito no Oriente Médio levou o mercado a retirar a expectativa de corte de juros ainda em 2026, passando a projetar o próximo corte de juros apenas a partir de 2027.
Bancos centrais ao redor do mundo reforçam necessidade de cautela
A semana foi marcada por decisão de política monetária ao redor do mundo. Os principais bancos centrais mantiveram uma postura cautelosa diante do ambiente global, especialmente em função do aumento das tensões no Oriente Médio. Por exemplo, o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juros inalteradas — 2% na taxa de depósito, 2,15% na taxa de refinanciamento e 2,40% na taxa de empréstimo. O Banco da Inglaterra, também em tom prudente, manteve, de forma unânime, a taxa básica em 3,75%. Na mesma linha, a China preservou seus principais custos de empréstimos em 3,0% para 1 ano e 3,5% para 5 anos. Por fim, o Banco Central do Japão manteve a taxa básica em 0,75%.
Apesar de as decisões de manutenção já estarem amplamente precificadas pelo mercado, todos os bancos centrais ressaltaram que a guerra no Oriente Médio intensificou a incerteza global e ampliou os riscos inflacionários. Diante desse quadro, as autoridades reforçaram a necessidade de cautela e sinalizaram que as próximas decisões de política monetária permanecerão condicionadas à evolução do conflito e aos seus efeitos sobre a atividade econômica e a inflação.
Acordo comercial com os Estados Unidos avança no Parlamento europeu
A União Europeia avançou na implementação do acordo comercial firmado com os Estados Unidos. O comitê de comércio do Parlamento Europeu aprovou o prosseguimento da legislação, abrindo caminho para uma votação final em plenário antes do envio do texto aos Estados-membros. O tratado estabelece tarifa máxima de 15% para a maior parte das exportações europeias aos Estados Unidos, mas sua aplicação passou a ser questionada após a Suprema Corte americana derrubar as tarifas globais, o que levou Washington a impor, de forma provisória, um encargo de 10% sobre todas as importações.
Diante desse cenário, parlamentares europeus incluíram cláusulas condicionando a entrada em vigor do acordo. Ainda assim, os legisladores optaram por seguir adiante, e, caso aprovado em plenário, o acordo ainda passará por negociações finais com os governos nacionais, o que, em um cenário otimista, empurra sua conclusão para abril.
Enquanto isso, no Brasil…
Copom inicia ciclo de corte de juros
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,75%, em linha com a expectativa da maior parte do mercado. Em nossa avaliação, o comunicado pós-reunião adotou tom mais brando (dovish), ao indicar pouca alteração nas projeções de inflação mesmo após o choque recente do petróleo, reconhecer riscos “tanto de alta quanto de baixa” para o cenário de preços e sinalizar abertura para ajustes no ritmo de calibração — preservando espaço para cortes adicionais de 0,25 p.p. ou superiores nas próximas decisões.
O diagnóstico do ambiente doméstico permaneceu praticamente inalterado, avaliação que reforça uma leitura mais leniente, sobretudo à luz das surpresas altistas em indicadores recentes de curto prazo. Seguimos projetando cortes de 0,50 p.p. na taxa Selic nas próximas reuniões, até 12,75%, seguidos por uma pausa para avaliação mais detalhada do período eleitoral e da política fiscal à frente. No entanto, considerando os desenvolvimentos recentes nos cenários global e doméstico, acreditamos que há chances de deterioração do cenário inflacionário. Assim, a calibragem monetária à frente pode acabar sendo menos intensa do que atualmente esperamos. Para mais informações, leia nosso relatório aqui.
Grupo de caminhoneiros recuam com ideia de paralisação; governo propõe medidas
Caminhoneiros de diversos segmentos chegaram a articular uma paralisação nacional em reação à alta dos preços do diesel, que acumula elevação próxima de 25% desde o fim de fevereiro. Diante do risco de greve, o governo federal reagiu propondo medidas de alívio tributário sobre o combustível, por meio de negociações com o Confaz, e endurecendo a fiscalização do piso mínimo do frete, com exigência de registro de fretes em todas as operações para coibir pagamentos abaixo do piso.
Após assembleia realizada em Santos, as principais lideranças que discutiam a greve — como Abrava e Sindicam — recuaram e decidiram não deflagrar a paralisação neste momento, avaliando que a combinação de medidas tributárias propostas e o endurecimento regulatório reduz, ao menos no curto prazo, o ímpeto de mobilização. O recuo, porém, não elimina o quadro de insatisfação no setor, que segue pressionando por novos ajustes caso a alta do diesel persista, mantendo o risco de retomada das ameaças de greve no horizonte.
Dario Durigan é o novo Ministro da Fazenda
O Presidente Lula confirmou Dario Durigan como novo Ministro da Fazenda, substituindo Fernando Haddad, que deixará o cargo para disputar as eleições estaduais de São Paulo. Atual secretário-executivo da Fazenda e principal articulador político da equipe econômica, Durigan já atuava na formulação das medidas de política econômica e deverá dar continuidade à agenda fiscal do governo.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, a agenda de indicadores estará menos recheada. Destacamos publicações de PMIs de março nas principais economias. O mercado espera para ver se há algum impacto da guerra no Oriente Médio para as empresas. Lembrando de que PMIs são sondagens com empresas que buscam a captar o pulso da atividade econômica.
No Brasil, destaque para as divulgações da ata da última reunião do Copom e do Relatório de Política Monetária (RPM) pelo Banco Central. Os documentos trarão mais detalhes sobre a decisão de redução da taxa Selic na última 4ª-feira. Além disso, o IBGE divulgará o IPCA-15 de março, para o qual esperamos reversão na forte alta de passagens aéreas em fevereiro, embora haja incertezas sobre o comportamento dos preços de combustíveis, após o início da guerra. Por fim, o Banco Central publicará a nota de setor externo de fevereiro. Veja nossas projeções abaixo.

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