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Bradesco (BBDC4): Momento sólido, maior visibilidade

Revisão dos resultados do 4T25

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O Bradesco entregou um sólido 4T25, amplamente em linha com as expectativas do mercado e com nossas estimativas. Um leve beat no lucro líquido de 2% e um ROAE em torno de 15% confirmam a recuperação gradual da rentabilidade, sem grandes surpresas. O NII permaneceu como o principal suporte, impulsionado por margens resilientes com clientes, crescimento da carteira e uma melhora na dinâmica de funding, enquanto o NII de Mercado seguiu modesto. As receitas de serviços ficaram amplamente em linha com as projeções da XPe, enquanto o segmento de seguros mostrou uma desaceleração relevante no trimestre, ainda assim mantendo índices de ROE sólidos. A qualidade dos ativos permaneceu sob controle, favorecendo uma leve melhora no custo do crédito. Do lado das despesas, o banco continua apresentando progresso gradual em eficiência, embora os investimentos em transformação ainda devam pesar no curto prazo. O guidance para 2026 sustenta uma visão construtiva, com crescimento da carteira no ponto médio do intervalo (~9,5% A/A) e crescimento do NII ajustado ao risco em cerca de 12,5% A/A no ponto médio, apontando para um perfil robusto de crescimento. No geral, o trimestre reforça uma visão de execução consistente e previsível, com maior visibilidade para 2026.


O portfólio de crédito ampliado do Bradesco acelerou no 4T25, refletindo maior tração comercial no fim do ano, ao mesmo tempo em que manteve uma estratégia de crescimento disciplinada e ajustada ao risco. A carteira de crédito ampliada total atingiu R$ 1,089 tri (+5,3% T/T; +11,0% A/A), puxada principalmente por PF, PMEs e operações seletivas com Grandes Empresas contratadas mais para o fim do ano. Em PF, a carteira cresceu 3,3% T/T e 12,7% A/A, apoiada em continuidade de momentum em produtos com garantia. Em PJ, a carteira avançou 6,9% T/T e 9,7% A/A. Em PMEs, os empréstimos seguiram com desempenho superior, crescendo 8,1% T/T e 21,3% A/A, enquanto Grandes Empresas aumentaram 6,0% T/T (+2,7% A/A), favorecidas por operações de fim de ano. Crédito para capital de giro subiu 12,5% T/T e operações BNDES/Finame cresceram 9,4% T/T, reforçando o foco do banco em crescimento colateralizado e de maior qualidade. Como resultado, a participação de operações com garantia na carteira subiu para 59,5%, de 58,5% no trimestre anterior.

A Receita de Juros (NII) atingiu R$ 19,2 bi (+2,9% T/T; +13,2% A/A), ligeiramente acima das expectativas. O NII com clientes somou R$ 19,1 bi (+2,7% T/T; +18,4% A/A), apoiado por maiores volumes, melhora de mix de produtos e spreads de funding melhores. A margem financeira bruta média (gross NIM) permaneceu estável em 9,0%, apesar de menos dias no trimestre. O NII de mercado foi de R$ 126 mi, em linha com o guidance e refletindo a volatilidade típica de ALM. No acumulado de 2025, o NII totalizou R$ 73,2 bi, alta de 14,9% A/A, confirmando a tendência de recuperação gradual da margem. O NII ajustado ao risco (NII líquido de provisões) atingiu R$ 10,4 bi no 4T25 (+2,6% T/T; +9,3% A/A), sustentando a trajetória positiva observada desde o início de 2024. Em 12 meses, o NII ajustado ao risco somou R$ 40,1 bi, reforçando a melhora estrutural da rentabilidade, puxada por melhor qualidade de ativos e mix de carteira. Com isso, o Bradesco encerrou o ano dentro do intervalo de guidance (entre R$ 37-41 bi).

A qualidade de crédito permaneceu estável e construtiva. O índice de NPL+90 ficou em 4,1% (estável T/T; +10 bps A/A), com resiliência em PF (5,4%) e melhora em Grandes Empresas compensando uma leve alta em PMEs na comparação T/T. A exposição de Stage 3 recuou 40 bps T/T. A carteira reestruturada seguiu em queda (-6% T/T; -23% A/A), atingindo 3,0% da carteira de crédito (-70 bps T/T; -150 bps A/A). As provisões seguem robustas em ~2,0x o NPL+90, que continua em trajetória de queda, chegando a 29,8% da carteira reestruturada total (-90 bps T/T; -210 bps A/A). Embora reconheçamos a trajetória positiva, continuamos monitorando essa linha de perto, dada a ainda desafiadora conjuntura macro.

As provisões de crédito ampliadas somaram R$ 8,8 bi (+3,1% T/T; +18,3% A/A), refletindo o crescimento da carteira, além de maior recuperação de write-offs (+52,9% T/T; +38,9% A/A), explicada por maior eficiência nos processos de cobrança e menor despesa de provisão (ALL) no segmento Wholesale. Como resultado, o Custo de Risco recuou para 3,2% (-10 bps T/T). O índice de cobertura teve leve queda para 166,0% (-290 bps T/T), em grande parte explicado pela redução da carteira reestruturada e pelo maior peso de originação com garantia.

Receitas de Tarifas e Comissões somaram R$ 11,1 bi (+4,6% T/T; +8,0% A/A; em linha com XPe). O crescimento foi puxado por receitas de Cartões (+9,0% A/A), Consórcios (+17,0% A/A) e forte retomada em Mercado de Capitais e Assessoria Financeira (+40,9% A/A). Pelo lado negativo, Contas Correntes (-6,6% A/A) e Cobrança & Pagamentos (-8,3% A/A) seguiram refletindo pressão estrutural sobre o banking transacional. Excluindo os efeitos de Cielo e John Deere, as tarifas de serviços teriam crescido em “mid-single digit” A/A. Destacamos que clientes de alta renda já representam ~50% da receita total de cartões, o que vemos como positivo para a sustentação do crescimento ao longo do tempo.

Despesas Operacionais somaram R$ 17,0 bi (+2,9% T/T; +3,3% A/A). Excluindo efeitos de consolidação, o crescimento de custos permaneceu bem comportado, apesar de maiores despesas com participação nos lucros e dos investimentos contínuos em transformação digital. Excluindo gastos relacionados a tecnologia, as despesas administrativas recuaram 3,9% A/A, tendência importante para permitir que o banco siga melhorando a alavancagem operacional sem abrir mão de investir em tecnologia. Como resultado, o Índice de Eficiência melhorou na margem, encerrando o trimestre próximo de 50% (-70 bps T/T; -120 bps A/A), reforçando os primeiros sinais de que as iniciativas de racionalização de footprint e redução de cost-to-serve estão ganhando tração.

A operação de Seguros entregou mais um trimestre sólido, com lucro líquido de R$ 2,8 bi (+10,7% T/T; +10,6% A/A) e ROAE de 24,3%. O desempenho foi sustentado por melhora em underwriting e resultados financeiros resilientes, parcialmente compensados por maiores índices de sinistralidade em saúde, que segue ganhando escala e relevância. A tendência para 2026 é de resultados financeiros compensando uma operação mais pressionada, à medida que os investimentos em Saúde devem se normalizar ao longo do ano.

Todos esses fatores resultaram em um Lucro Líquido Recorrente de R$ 6,5 bi no 4T25 (+5,0% T/T; +20,6% A/A), 2% acima da nossa estimativa (XPe). O ROAE alcançou 15,2%, se aproximando do custo de capital do banco. Os índices de capital permaneceram sólidos, com CET1 em 11,2% e índice BIS em 15,9%, garantindo folgas confortáveis.

Por fim, o banco apresentou o desempenho em relação ao guidance de 2025. A instituição entregou a maior parte das linhas dentro dos intervalos sugeridos, com exceção de crescimento de carteira de crédito e seguros, que ficaram acima do limite superior. Para 2026, o banco também divulgou suas metas. Vemos as faixas apresentadas como amplamente em linha com o esperado, o que implica lucro líquido de R$ 27,5 bilhões em 2026.

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