1. Federal Reserve: Kevin Warsh é indicado para novo presidente – Alívio para os mercados e promessa de reforma no Fed
2. Economia americana: Dólar enfrenta semana volátil – Ouro atinge máxima histórica diante de debasement trade
3. Temporada de resultados: Semana agitada e fortes surpresas no lucro – Big Techs dominam narrativa de resultados
4. Big Techs: Do capex à otimização – Gigantes seguem investindo pesadamente, mas agora precisam mostrar conversão em resultados
5. Seguradoras de saúde: Na mira – Regulação e pressões de custo formam ambiente desafiador para setor
1. Federal Reserve: Kevin Warsh é indicado para novo presidente
Alívio para os mercados e promessa de reforma no Fed
O presidente Donald Trump escolheu Kevin Warsh para substituir Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). O mandato de Powell termina em maio deste ano.
A escolha de um novo nome para comandar um dos cargos mais relevantes da economia global vinha sendo discutida pelo mercado desde a eleição de Donald Trump. O receio era pela escolha de um nome mais político, que poderia subordinar as ações do banco central às vontades do presidente.
Este não parece o perfil de Warsh, que já integrou o board do Fed no passado (2006-2011), tem sólida formação acadêmica e bom trânsito no mercado financeiro. O economista estava no board do Fed durante a crise de 2008, o que lhe confere experiência adicional para comandar a instituição.
Sua nomeação traz alívio aos mercados. Os juros futuros ficam praticamente estáveis após o anúncio, com chances de cortes ainda bem-comportadas até o final do ano. O mercado espera dois cortes até o final de 2026, a serem implementados no segundo semestre.
Entenda as implicações e conheça posições históricas do indicado
2. Economia americana: Dólar enfrenta semana volátil
Ouro atinge máxima histórica diante de debasement trade
Antes do anúncio de um novo presidente do Federal Reserve, a semana já vinha agitada na frente macroeconômica nos EUA, com o dólar como protagonista. A volatilidade da moeda refletiu especulações sobre uma possível ação conjunta entre EUA e Japão para apoiar o iene, além de preocupações sobre um novo shutdown do governo americano, assim como preocupações mais amplas sobre a postura errática de Trump em relação à política econômica, com investidores globais buscando se proteger do risco cambial, apesar de ainda estarem interessados em comprar ativos dos EUA. O movimento foi reforçado por declarações do presidente, que afirmou não estar preocupado e ver com bons olhos a desvalorização da moeda americana.
O movimento impulsionou o chamado debasement trade, ou a ideia de que metais preciosos como ouro e prata servem como proteção contra governos que corroem o valor de suas moedas fiduciárias. Com isso, o ouro atingiu novas máximas históricas. No entanto, após tom mais dura do Federal Reserve na decisão de quarta-feira e anúncio de Warsh no Fed (tema #1), o movimento se reverteu.
Conforme amplamente esperado, o Fed manteve a taxa básica de juros americana inalterada na quarta-feira, no patamar entre 3,5% e 3,75%, com dez votos a favor da decisão, e dois a favor de um corte de 25 bps (Miran e Waller). O tom de Powell na conferência de imprensa foi neutro, enquanto o comunicado foi levemente hawkish.
Em relação ao ambiente econômico, o comunicado retirou o comentário sobre o conflito entre os dois objetivos do Fed, e na coletiva de imprensa Powell mencionou que ainda há alguma tensão entre emprego e inflação, mas menor que em últimas reuniões, e a menção à atividade econômica sólida no comunicado reforça esta avaliação. Já de um lado mais dovish, Powell voltou a mencionar que acredita que uma parcela relevante da inflação de bens possa ser atribuída às tarifas (cerca de metade), impacto este que deve se dissipar ao longo do ano, e adicionou que há desinflação em curso entre os principais itens da inflação de serviços. Powell vê um cenário benigno para a política monetária na ausência de novas tarifas, e reforça que as expectativas de inflação permaneceram bem-comportadas, demonstrando confiança no retorno da inflação à meta. O Fed segue avaliando que a taxa de juros se encontra próxima ao nível neutro, e Powell declarou acreditar que o comitê está em uma boa posição para esperar e avaliar a evolução do cenário econômico.

3. Temporada de resultados: Semana agitada e fortes surpresas no lucro
Big Techs dominam narrativa de resultados
-Universo: S&P 500
-Progresso: 33% (165 empresas)
-Receita: 61% de surpresas positivas com média de +1,4%
-Lucros: 79% de surpresas positivas com média de +9,4%
Essa semana foi uma das mais importantes para a temporada de resultados do 4T25, com mais de 30% da capitalização de mercado do S&P 500 reportando seus números. Além das Big Techs (tema #4), pudemos entender um pouco mais do retrato de setores mais ligados a consumo a partir dos números da semana. Os resultados apontam para resiliência da economia americana, ainda que com fraquezas pontuais que evidenciam os efeitos da K-shaped economy, em que há diferença no nível de consumo por perfil de renda.

4. Big Techs: Do capex à otimização
Gigantes seguem investindo pesadamente, mas agora precisam mostrar conversão em resultados
Na frente de resultados corporativos, esta semana foi marcada por divulgações das Big Techs Microsoft, Meta Platforms, Apple e Tesla. Os mercados ficaram atentos para guidances de capex e receitas associadas a inteligência artificial.
Microsoft (MSFT: -7,7% na semana) passou a receber parte correspondente a seu investimento do resultado da OpenAI, o que elevou seu lucro no período. O mercado não reagiu bem aos números da Microsoft devido ao enfraquecimento de margens do seu segmento de cloud computing e capex mais elevado que o esperado.
Meta Platforms (META: +8,8% na semana) disparou após a divulgação de resultados. Apesar de sinalizar um capex consideravelmente acima do esperado para 2026, a projeção de crescimento de receita compensou o aumento de gastos, especialmente após demonstrar que o uso de IA já tem ajudado a companhia a otimizar o segmento de anúncios.
Tesla (TSLA: -4,2% na semana) apresentou decepção no número de veículos vendidos e na receita, em um período em que se viu forçada a cortar preços para fazer frente a outras gigantes globais de veículos elétricos, em um ambiente de concorrência acirrada. No entanto, margens e lucro acima do esperado foram sinais positivos para o mercado. A companhia agora busca se posicionar como uma empresa de inteligência artificial e aposta no início da venda de robôs humanoides ainda em 2026 e em um futuro de taxis autônomos.
Apple (AAPL: +4,6% na semana) apresentou forte surpresa positiva na venda de iPhones e na receita de Grande China, em um ambiente em que ainda busca provar para o mercado como irá monetizar o tema de inteligência artificial após assumir papel de coadjuvante na corrida por inteligência artificial.

5. Seguradoras de saúde: Na mira
Regulação e pressões de custo formam ambiente desafiador para setor
No início da semana, as ações de seguradoras de saúde americanas despencaram após anúncio de que a agência Centers for Medicare & Medicaid Services irá reajustar os pagamentos referentes a planos subsidiados das companhias em apenas 0,09% (cerca de US$ 700 milhões) em 2027, contra reajuste de cerca de 5% em 2026 (que representam cerca de US$ 25 bilhões em receita adicional).
As principais empresas afetadas foram UnitedHealth and Humana, as maiores provedoras de planos Medicare Advantage. As ações de UnitedHealth (ticker: UNH) acumularam queda de -19,5% na semana, enquanto Humana (ticker: HUM) recuou -26,8%, e o ETF representativo do setor, o IHF, caiu -9,0%.
A organização America’s Health Insurance Plans criticou fortemente a medida, alertando que pode resultar em corte de benefícios e custos mais altos para até 35 milhões de idosos e PCDs, quando renovarem seus planos em outubro de 2026. O movimento é consequência de um clima político difícil, em que gasto público com saúde está em foco, e o ano deve ser duro o setor, que enfrenta perspectivas de maior aumento de prêmios de seguro em 15 anos, de cerca de 6,5%.
Ainda nessa semana, a UnitedHeath reportou resultados na terça-feira, que decepcionaram expectativas do mercado. O lucro caiu cerca 41% A/A, impactado por um custo extraordinário de US$ 1,6 bilhão, associados a custos de reestruturação após um cyber ataque, além de fornecer guidances pouco animadores, enquanto segue enfrentando investigação do Departamento de Justiça por suas práticas de cobrança no plano Medicare.

Agenda de resultados da próxima semana

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