Está é a nossa prévia do 4T25 para os Bancos Incumbentes da nossa cobertura. No 4T, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander devem apresentar uma combinação de resiliência e pressões persistentes: O Itaú deve encerrar o ano positivamente, com sólido crescimento da carteira de crédito, qualidade de ativos estável, NII robusto dentro do guidance e reforço sazonal das receitas de serviços, sustentando um crescimento de lucro de dois dígitos. O Bradesco deve reforçar sua recuperação gradual, mostrando forte dinamismo comercial, risco de crédito controlado, bom desempenho do segmento de seguros e melhora na rentabilidade. O Banco do Brasil deve entregar mais um trimestre pressionado, com desaceleração no crédito Corporativo e no Agronegócio, desafios persistentes de qualidade de ativos e provisões elevadas, parcialmente compensados pelo crescimento do NII, suporte sazonal de serviços e despesas controladas, resultando em uma recuperação sequencial modesta. Por fim, o Santander deve apresentar um trimestre estável, com leve crescimento da carteira de crédito puxado por PF e PMEs, NII praticamente flat devido à contínua pressão do NII de Mercado, tendências de qualidade de ativos administráveis e serviços sazonalmente mais fortes ajudando a manter a rentabilidade em linha com o 3T.
Confira a análise dos resultados das empresas da Bolsa referentes ao 3º trimestre de 2025
Itaú
Mais um trimestre sólido. Esperamos que os resultados do Itaú no 4T25 marquem um final positivo para mais um ano forte. Apesar da sazonalidade típica do último trimestre do ano, antecipamos que o Itaú entregue um trimestre sólido, refletindo a maior parte das tendências observadas ao longo do ano. A carteira de crédito deve manter um ritmo consistente e encerrar 2025 com alta de 6,4% ano contra ano, impulsionada por um crescimento bem diversificado entre as diferentes linhas de crédito.
Do lado de NII, esperamos outro trimestre positivo, mantendo 2025 dentro do intervalo de guidance tanto para o NII de Clientes quanto para o de Mercado. Em termos de qualidade de ativos, não prevemos mudanças relevantes em relação ao que vimos nos últimos trimestres. Assim, projetamos que o Itaú encerre o ano próximo ao ponto médio do intervalo de guidance (entre R$ 34,5 bilhões e R$ 38,5 bilhões).
Quanto às receitas de serviços, o 4T historicamente se beneficia de maiores volumes de cartão de crédito, taxas de performance e atividade de IB. Este ano não deve ser diferente, especialmente diante da forte atividade comercial em adquirência, que deve sustentar o TPV. Do lado das despesas, esperamos uma desaceleração marginal em relação ao aumento observado no 3T25, mas, para o ano cheio, projetamos uma alta próxima ao limite superior do intervalo de guidance (~+8,5%).
Considerando todos esses fatores, esperamos que o Itaú entregue um lucro líquido de R$ 12,2 bilhões (+12% ano contra ano), implicando um ROAE de 24,3% (+40 bps trimestre contra trimestre)
Bradesco
Dois anos após o lançamento do plano de transformação, o Bradesco parece estar ligeiramente à frente do que antecipávamos. Esperamos que os resultados do 4T do Bradesco confirmem as mesmas tendências observadas ao longo do ano: forte tração comercial impulsionando as receitas, enquanto a qualidade de ativos permanece sob controle. O crescimento da carteira de crédito deve atingir +8% ano contra ano, impulsionado por Auto, Consignado, Rural e PMEs. Como resultado, esperamos que o Bradesco apresente um crescimento anual em linha com o limite superior de seu guidance. Projetamos um NIM estável, em torno de 9%. O NII deve alcançar R$ 19,2 bilhões, 13,0% acima do 4T24.
A qualidade de ativos deve permanecer sob controle, com o NPL >90 dias estável em 4,1% e o custo de risco atingindo cerca de 3,4%. Como consequência, o NII líquido de provisões deve encerrar o ano em R$ 40,0 bilhões, próximo ao limite superior do guidance (entre R$ 37–41 bilhões). A área de seguros deve fechar o ano com alta de 18,3% ano contra ano, acima do guidance. As despesas operacionais crescem próximas ao limite superior do guidance (5–9%), à medida que os investimentos em transformação se aceleram.
O lucro líquido deve melhorar sequencialmente para R$ 6,4 bilhões, e o ROAE deve encerrar o ano em 15,3%, cerca de 190 bps acima de 2024. Em suma, esperamos que o 4T reforce nossa visão de que o banco parece ligeiramente adiantado em relação ao cronograma de seu plano de turnaround, o que permite ao Bradesco usar parte desse “colchão” para proteger seu balanço e acelerar os investimentos previstos no plano.
Banco do Brasil
Melhora gradual, pressões persistentes. Como esperado, o BBAS deve entregar um resultado pressionado no 4T. Por mais um trimestre, o crescimento das carteiras Corporate e Agro tende a desacelerar, possivelmente se aproximando da parte baixa do guidance, à medida que a qualidade de crédito permanece aquém do ideal. Assim, o segmento de Pessoa Física deve ser o principal motor de crescimento da carteira. No consolidado, a carteira total deve crescer cerca de ~3% ano contra ano no trimestre, também afetada por uma base de comparação mais difícil.
Em termos de qualidade de ativos, o Agronegócio deve continuar sendo o principal foco de preocupação. Apesar dos fortes desembolsos ligados à MP 1.314, o impacto deve ser limitado neste trimestre, já que a medida só entrou em vigor no fim de out/25 e o 4T costuma ter um cronograma de vencimentos mais leve. Enquanto isso, a carteira Corporate deve seguir pressionada pelo ambiente de juros elevados e pelos efeitos remanescentes do setor agro. Já os NPLs na carteira de Pessoa Física, por sua vez, devem se deteriorar de forma mais gradual, sustentados por uma liquidez potencialmente maior entre os tomadores. Como resultado, as provisões devem permanecer elevadas, em torno de R$ 62 bilhões, com o custo de risco totalizando ~4,8% em 2025.
O NII deve somar R$ 27,8 bilhões (+3,7% ano contra ano; +5,4% trimestre contra trimestre), caminhando para o ponto médio do guidance, enquanto as receitas de tarifas devem se beneficiar da sazonalidade (-1,1% ano contra ano; +2,5% trimestre contra trimestre). Combinadas a despesas operacionais que devem crescer ligeiramente acima da inflação, essas dinâmicas apontam para uma recuperação modesta do lucro líquido: +6,8% trimestre contra trimestre (-57,8% ano contra ano), o que implica um ROE de cerca de 9% (+40 bps trimestre contra trimestre).
Em linhas gerais, a combinação de uma recuperação lenta e ainda incerta, ROE baixo, dividend yield modesto e múltiplos P/L acima da média histórica nos mantém cautelosos com BBAS e sustenta nossa recomendação Neutra.
Santander
Um trimestre sólido para fechar um ano positivo. Esperamos que os resultados do Santander no 4T permaneçam, em linhas gerais, em linha com o 3T, com a carteira ampliada mantendo o ritmo de crescimento semelhante ao do trimestre anterior (+2,0% T/T; +2,9% A/A), sustentada por um maior apetite pelo segmento de Pessoa Física, especialmente em cartões de crédito para clientes de alta renda, crédito imobiliário e PMEs. Este último segue como vetor relevante de crescimento, alavancando programas governamentais, em uma tendência que deve persistir em 2026. Grandes empresas devem apresentar uma leve aceleração, ainda que já antecipando uma trajetória mais moderada em 2026. O autofinanciamento segue como importante motor dentro do financiamento ao consumo.
Em contrapartida, esperamos dinâmicas mais fracas em rural, consignado e crédito pessoal, que permanece mais restrito, com uma gradual mudança de mix em direção a produtos com maior garantia. O NII deve permanecer estável em R$ 15,7 bilhões, ainda pressionado por um NII de mercado negativo. Em termos de tarifas, antecipamos uma melhora derivada de ventos sazonais favoráveis (+5,1% A/A), em grande parte sustentada por uma renovação relevante de apólices de seguros. A qualidade de ativos não mostra deterioração relevante, embora a pressão persista em cartões de baixa renda e PMEs, mantendo o custo de risco em 3,8% e as provisões em R$ 6,6 bilhões (+11,9% A/A). As despesas operacionais refletem ajustes sazonais de pessoal, marketing e bônus, mas o índice de eficiência deve se manter em 38,3%. A alíquota efetiva de imposto permanece baixa (5%) devido aos benefícios de JCP, levando o lucro líquido a R$ 4,1 bilhões (+5,8% A/A; +1,8% T/T), com o ROE ficando, em grande medida, estável na comparação trimestral.
Olhando à frente, 2026 deve trazer uma melhora gradual da rentabilidade, apoiada por recuperação do NII e qualidade de crédito estável, enquanto ganhos mais expressivos são esperados a partir de 2027.
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