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Óleo e Gás | Venezuela: Qual será o impacto no setor petrolífero?

Como possíveis mudanças na Venezuela podem afetar a indústria de petróleo e gás

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O cenário é de grande incerteza, mas o potencial aumento da oferta a médio prazo pode pressionar os preços do petróleo

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Nesta nota, avaliamos as possíveis implicações de uma eventual mudança de regime na Venezuela para o setor de petróleo e gás e os efeitos para as empresas sob nossa cobertura. No curto prazo, há risco de alguma interrupção no fornecimento; no entanto, caso as sanções sejam suspensas e seja implementada uma estrutura regulatória que incentive investimentos no upstream, a produção na Venezuela poderá aumentar ao longo deste ano e no médio prazo. Acreditamos que o evento provavelmente pesará sobre as expectativas para os preços futuros do petróleo em um mercado já com excesso de oferta. Por fim, uma eventual adição do petróleo bruto pesado venezuelano à oferta global poderia ampliar os descontos do petróleo pesado (o tipo de petróleo produzido em Peregrino, da PRIO, e em Atlanta, da Brava).

Intervenção dos EUA na Venezuela

Neste sábado (3), o governo dos Estados Unidos realizou ataques aéreos no norte da Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro na capital, Caracas. Maduro governava o país desde 2013. Em vista desse evento, ressurgiu a discussão sobre as possíveis implicações de uma eventual mudança de regime na Venezuela. Nesta nota, não discutimos a geopolítica da questão, mas nos concentramos em suas possíveis implicações para a indústria petrolífera global. A Venezuela é importante para a indústria petrolífera porque possui as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, com cerca de 300 bilhões de barris (aproximadamente 17% do total das reservas globais de petróleo), embora a produção tenha diminuído de 3,3 milhões de barris por dia no início dos anos 2000 para cerca de 1,1 milhão de barris por dia atualmente (<1% do abastecimento global).

Implicações para a indústria petrolífera

Ao discutir as repercussões do evento para o abastecimento global de petróleo, consideramos útil dividir em dois períodos: (i) o curtíssimo prazo e (ii) o médio e longo prazo. No curto prazo, o aumento das tensões geopolíticas e um potencial bloqueio às exportações de petróleo venezuelano podem impactar negativamente o abastecimento e elevar o preço do Brent. No entanto, em nossa avaliação, não esperamos um aumento nos preços do petróleo, especialmente porque as exportações venezuelanas já haviam sido reduzidas pela recente ação militar dos EUA no Caribe. Passando nossa análise para o médio prazo, há potencial para um aumento significativo no abastecimento, caso a Venezuela revitalize sua indústria petrolífera e aumente a produção. Em nossa visão, é improvável que a produção da Venezuela retorne aos níveis máximos históricos num futuro próximo, mas acreditamos que ela poderia adicionar cerca de 300-500 kbpd ao longo de doze meses de investimentos significativos e, potencialmente, mais de 1,5 MMbpd ao longo de 36 meses ou mais, para atingir níveis de produção semelhantes aos 2,7 MMbpd que a Venezuela produzia há cerca de uma década.

Maior probabilidade de queda no preço do petróleo

A captura de Nicolás Maduro faz parte de um conflito político e econômico em curso que provavelmente se estenderá por vários meses (e possivelmente anos). Os resultados potenciais são tudo menos certos. Dito isso, acreditamos que o aumento da incerteza pode impulsionar a volatilidade nos preços do petróleo. Além disso, vemos espaço para risco de queda nos preços do Brent (em comparação com nossa premissa de US$ 65/bbl), já que o potencial aumento da oferta da Venezuela no médio prazo se somaria à narrativa já predominante de excesso de oferta estrutural em 2026 (segundo os números da IEA, a oferta excederá a demanda em cerca de 3,8 milhões de barris por dia em 2026). Com isso em mente, ficamos um pouco mais cautelosos em relação aos preços do petróleo, especialmente para empresas com maior alavancagem em relação aos preços do petróleo (e especialmente ao petróleo mais pesado), como a Brava.

Quão sensíveis são as empresas brasileiras em relação ao Brent?

Entre as empresas que cobrimos, a PRIO é a nossa preferida e oferece uma margem de segurança significativa antes que a geração de caixa chegue perto do breakeven com uma queda no Brent. Por outro lado, a Brava é a mais sensível a uma queda nos preços do Brent (cerca de -6 p.p. para cada queda de US$ 5/bbl no Brent), pois é mais alavancada do que seus pares tanto operacionalmente (lifting costs mais altos) quanto financeiramente (ND/EBITDA mais alto).

Uma breve história da indústria petrolífera da Venezuela

Durante as décadas de 1930 e 1940, a Venezuela já se havia estabelecido como um dos principais produtores mundiais de petróleo. O país tornou-se um importante fornecedor de petróleo para as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, a indústria venezuelana era dominada por empresas estrangeiras, como Chevron, Exxon e Shell. A Venezuela foi um dos países fundadores da OPEP em 1960. Foi somente em 1976 que a Venezuela nacionalizou oficialmente o setor petrolífero e criou a PDVSA (Petróleos de Venezuela, a empresa estatal de petróleo e gás). Entre 1992 e 1997, o país passou pela Apertura Petrolera, uma onda de incentivos destinados a aumentar a participação privada na indústria. No entanto, entre 2006 e 2007, ocorreu a nacionalização do Cinturão do Orinoco, marcando um novo período de esforços de nacionalização. A Chevron foi a única grande empresa americana que permaneceu no país; em 2022, a empresa obteve uma licença especial de operação e exportação do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Hoje, a Chevron é responsável por cerca de um quarto da produção de petróleo da Venezuela.

A produção de petróleo da Venezuela em números

Em 2024, o país produziu 960 mil barris por dia (kbpd) de petróleo, um aumento significativo após a retomada das operações da Chevron em 2022 e uma recuperação em relação aos 665 kbpd produzidos em 2021. Mesmo assim, a produção permanece bem abaixo dos 2,7 milhões de barris por dia registrados em 2012 (um ano antes de Maduro se tornar presidente) e significativamente abaixo dos picos atingidos no final da década de 1990 e início da década de 2000 (entre 3 e 3,5 milhões de barris por dia). De acordo com o Energy Institute, a produção da Venezuela atingiu seu pico em 1970, com 3,75 milhões de barris por dia.

Potencial de crescimento da produção

Com expectativas de aumentos potenciais da produção no futuro, fornecemos uma comparação rápida com países selecionados. O maior aumento histórico da produção de petróleo da Venezuela em relação ao ano anterior foi de +437 kbpd entre 2003 e 2004, quando a produção aumentou de 2,9 MMbpd para 3,3 MMbpd. A produção do México cresceu +522 kbpd entre 1979 e 1980, enquanto a produção dos EUA expandiu +2.186 kbpd de 2017 a 2018. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o fornecimento total de petróleo em 2026 deverá atingir cerca de 109 milhões de barris por dia, o que implica um excesso de oferta de 3,84 milhões de barris por dia (embora, em nossa visão, a AIE pareça excessivamente pessimista, mesmo que concordemos com a visão direcional de um mercado com excesso de oferta).

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