Entendendo melhor os fundos de Private Equity

Confira abaixo uma revisão dos principais conceitos desse tipo de fundo, que tem potencial de apresentar um grande crescimento nos próximos anos. Em um cenário de juros baixos e estáveis, investidores precisarão explorar diferentes alternativas para buscar melhores retornos de longo prazo.


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Anteriormente, já publicamos por aqui um artigo explicando algumas das diferentes opções de Investimentos Alternativos e, dessa vez, gostaríamos de focar em uma delas: os fundos de Private Equity.

O que é Private Equity?

Um bom ponto de partida para entender os fundos de Private Equity é compará-los aos fundos de Ações tradicionais, que a maioria dos investidores já conhece bem. Os fundos de Private Equity nada mais são que fundos de Ações, mas com uma grande peculiaridade: eles investem majoritariamente em ações de empresas de capital fechado, que não são listadas em nenhuma bolsa.

Essa é uma modalidade de investimento que surgiu nos EUA por volta dos anos 80 e que, desde então, cresceu de maneira vertiginosa. Estima-se que, só em 2018, cerca de 385 bilhões1 de dólares tenham sido investidos nesse tipo de fundos globalmente, levando o estoque total a aproximadamente 2,0 trilhões2 de dólares.

O papel de um fundo de Private Equity é receber investimentos de cotistas e comprar participações em empresas com grande potencial de crescimento. Para tanto, os gestores desses fundos adotam práticas ativas em cada empresa investida, agregando expertise administrativa, auxiliando no relacionamento com bancos, renegociando dívidas, barateando custos de fornecedores, ampliando a base de clientes, dentre outras ações, tudo com o objetivo de aumentar as receitas e lucros das empresas investidas e, com isso, valorizar os investimentos feitos através do fundo.

Para contribuir ao desenvolvimento das empresas e alavancar seus resultados financeiros, no entanto, é preciso de tempo, já que não se cria valor de maneira fácil e rápida. Por isso, o prazo de duração dos fundos (na média, de 7 a 10 anos) geralmente é mais longo do que o de um fundo de ações tradicionais.

Investidores desses tipos de fundos estão dispostos a aceitar maiores horizontes de investimento e a correr mais risco, em troca de um maior potencial de retorno.

Assista ao vídeo abaixo e entenda mais:

Como funciona um fundo de Private Equity?

Podemos resumir a vida de um fundo de Private Equity em 3 grandes fases:

Fase 1: Período de Captação e Comprometimento de Capital

Antes do início do fundo, há um período de captação de recursos em que investidores assinam a documentação de comprometimento de aportes.

Esta etapa é muito importante, pois o gestor saberá quanto dinheiro terá disponível para construir a carteira do fundo durante o período de investimentos.

Já o cotista, precisará honrar seu comprometimento de investimento, com aportes de capital na medida que o fundo solicitá-los.

Esta é a etapa inicial para o nascimento do fundo:

Fase 2: Período de Investimento

Nesta fase, o fundo focará na seleção, investimento e administração das empresas que irão compor seu portfólio.

Confira as principais etapas do período de investimento:

Fase 3: Período de Desinvestimento

Uma vez completo o Período de Investimento, é possível que algumas das primeiras empresas investidas já estejam pagando dividendos ou que iniciem as amortizações.

Estes retornos de capital começam a cobrir os investimentos iniciais e a contribuir positivamente para a rentabilidade consolidada da carteira.

Confira as principais etapas do período de desinvestimento:

O que é “Curva J”?

A curva que mostra o comportamento do fluxo de caixa característico das 3 fases acima tem o formato da letra “J”.

Essa curva é a marca de um típico fundo de Private Equity: grandes desembolsos de caixa nos primeiros anos, mas também expectativa de grandes retornos nos últimos anos do fundo.

Quais são as variações desta modalidade de investimento?

Dependendo do estágio de desenvolvimento das empresas a serem investidas pelo fundo, os investimentos podem ser categorizados em pelo menos três grandes grupos: Seed Capital, Venture Capital e Private Equity.

Seed Capital

O ‘Seed Capital’ é um investimento de altíssimo risco, pois aposta na estruturação de um novo negócio partindo quase que do zero, por isso são chamados de “capital semente”. Eles fornecem recursos para estruturar e fazer as empresas ‘saírem do papel’.

Nesse caso, o objetivo é bancar as primeiras ideias e passos embrionários da companhia. Em troca, o investidor ganha uma participação acionária no negócio, que sempre é visto com alto potencial de retorno, embora ainda não gere nenhum lucro. Em contrapartida ao alto potencial, há uma grande chance do negócio não dar certo e os investimentos realizados virarem zero.

Venture Capital

O ‘Venture Capital’ é um investimento também de alto risco e que se costuma fazer em empresas iniciantes, como as chamadas start-ups, no entanto, com um grau menor de risco se comparado ao seed capital. Nesse caso, o objetivo é sustentar os passos iniciais da empresa, que geralmente já está gerando receitas, mas na maioria das vezes sem estabilidade e sem apresentar lucros ainda. Em troca, o investidor ganha uma participação acionária no negócio.

Private Equity

No ‘Private Equity’, o investimento também se dá em troca de participação acionária. A empresa que recebe esse tipo de aporte, no entanto, já está em um estágio mais maduro do que uma start-up, muitas vezes já gerando lucros consistentes.

Nesta modalidade, o objetivo é promover uma expansão do negócio e não bancar os primeiros passos da empresa.

Glossário e Termos

  • Angels: Também conhecidos como Investidores-Anjos, os Angels são pessoas físicas que investem em start-ups com grande potencial de crescimento, em troca de participação societária ou retorno financeiro promissor
  • Capital Comprometido: Aporte confirmado e garantido pelo investidor no período de captação do fundo
  • Capital Subscrito: Efetivação de aporte de recursos do investidor no fundo
  • Co-investimento: Quando um investimento é realizado pelo próprio gestor em conjunto com cotistas. Esta prática promove um melhor alinhamento de incentivos, dado que o dinheiro do gestor também está investido no próprio fundo
  • Early Stage Financing: O financiamento em estágio inicial, como o termo pode ser traduzido para o português, se refere ao investimento feito em uma empresa que ainda está em um estágio de desenvolvimento pouco maduro, geralmente sem fluxo de caixa estabelecido e recorrente
  • Growth Capital: Investimento feito em uma empresa mais amadurecida, em estágio de escala, para contribuir com o crescimento rápido da companhia e seus resultados financeiros
  • Hurdle Rate: Taxa mínima de retorno esperada pelo investidor; Fundo apenas é elegível ao recolhimento de taxa de performance caso entregue rentabilidade líquida aciona deste retorno mínimo esperado (retorno preferencial)
  • IPO: Abertura do capital de uma empresa e ingresso na bolsa de valores
  • Private Equity: Investimento realizado por fundos em empresas de capital fechado
  • ROI: Traduzido como “Retorno Sobre o Investimento”, o conceito se refere a uma métrica que calcula em porcentagem o rendimento do valor investido (Capital Subscrito)
  • Valuation: Processo de avaliação em que se determina o valor financeiro de uma empresa
  • Venture Capital: Também conhecido como “Capital de Risco”, é o investimento em empresas que têm alto potencial de crescimento.

Mais Informações

CVM

www.cvm.gov.br

Tudo é regulamentado e supervisionado, no caso dos fundos brasileiros, pela Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, com base nas Instruções CVM nº 555, nº 558 e nº 578.

 

ABVCAP

www.abvcap.com.br

A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital – ABVCAP – é uma entidade sem fins lucrativos que, desde o ano 2000, visa o desenvolvimento da atividade de investimento de longo prazo no País, nas modalidades abrangidas pelos conceitos de private equity, venture e seed capital.

 

Fontes: ABVCAP www.abvcap.com.br, Inovativa Brasil https://www.inovativabrasil.com.br/, Endeavor Brasil http://endeavor.org.br, Preqin e McKinsey (1) e Bain & Company, Global Private Equity Report 2019 (2)

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