Resumo
Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar‑fogo após quase seis semanas de conflito. A decisão abriu espaço para negociações de paz, previstas para ocorrer nos próximos dias. Porém, o acordo permanece frágil e o tráfego no Estreito de Ormuz tem restrições. Os preços do petróleo caíram em cerca de 15% nesta semana, mas continuam em níveis bastante altos.
Números de inflação ao consumidor foram divulgados em diversos países esta semana, como EUA, Alemanha, Brasil, México e Chile. Todos contaram a mesma história de forte aceleração, impulsionada por combustíveis e alimentos. Essa dinâmica tende a deixar os bancos centrais mais cautelosos e as taxas de juros globais mais elevadas do que seriam se não houvesse a guerra.
No Brasil, a taxa de câmbio atingiu cerca de 5,00 reais por dólar, o menor patamar desde março de 2024. A apreciação da moeda, observada desde o ano passado como reflexo da rotação de fluxos globais para mercados emergentes, ganhou força após o cessar-fogo.
O IPCA de março veio acima das expectativas, refletindo os primeiros efeitos da guerra. Nesse sentido, atualizamos nosso cenário macroeconômico esta semana. Entre os destaques, elevamos nossa projeção para a inflação de 2026, de 3,8% para 5,1%. Nossa expectativa para a taxa Selic no final deste ano subiu de 12,75% para 13,50%.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Cessar‑fogo entre EUA e Irã reduz tensões, mas cenário segue instável”

Cenário Internacional
Cessar‑fogo entre EUA e Irã reduz tensões, mas cenário segue instável
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram nesta semana um cessar‑fogo após quase seis semanas de conflito. A decisão abriu espaço para negociações de paz, previstas para ocorrer no Paquistão nos próximos dias. No entanto, o acordo permanece frágil. Israel intensificou ataques contra o Hezbollah no Líbano, o que levou o Irã a classificar as ações como uma violação da trégua. O avanço do conflito em território libanês ameaça comprometer as negociações em curso. O tráfego no Estreito de Ormuz segue restrito.
A ausência de progresso concreto para a reabertura do Estreito mantém os mercados financeiros em alerta. O anúncio do cessar‑fogo trouxe algum alívio aos preços do petróleo, que recuaram cerca de 15% na semana. Ainda assim, as cotações permanecem pressionadas diante do elevado grau de incerteza geopolítica na região.
Inflação ao consumidor escala em março em diversos países, refletindo os efeitos do conflito no Oriente Médio
Números de inflação ao consumidor foram divulgados em diversos países esta semana, como EUA, Alemanha, Brasil, México e Chile. Todos contam a mesma história: forte aceleração, impulsionada por combustíveis e alimentos. Essa dinâmica reflete a guerra no Oriente Médio, e a consequente disparada nos preços do petróleo – que, mesmo com o alívio desta semana, acumula alta de aproximadamente 50% no ano.
O aumento da inflação tende a deixar os bancos centrais mais cautelosos, mas não necessariamente ensejam uma reação com alta de juros (ou de interrupção da queda, no caso do Brasil). O recomendado é acomodar o choque “primário” – o inevitável impacto nos preços diretamente ligados ao choque – e combater o “secundário”, que é a disseminação desse efeito sobre outros preços, e por um tempo mais prolongado. De toda forma, as taxas de juros globais tendem a ficar mais elevadas este ano do que seriam se não houvesse a guerra.
Enquanto isso, no Brasil…
Taxa de câmbio se aproxima de 5,00 reais por dólar
Mais uma semana marcada pelo bom desempenho da taxa de câmbio brasileira. O real atingiu cerca de 5,00 reais por dólar, o menor patamar desde março de 2024. O movimento ganhou força após o anúncio de cessar‑fogo no Oriente Médio, mas a dinâmica favorável da moeda antecede esse evento e vem se consolidando desde o ano passado.
Como discutido anteriormente, o Brasil se configura como um “vencedor líquido” do atual choque do petróleo. O aumento das receitas de exportação, sobretudo de commodities energéticas, melhora os termos de troca e fortalece as contas externas. Esse efeito ocorre em paralelo a um processo de rotação dos fluxos globais em direção aos mercados emergentes. Nesse contexto, o real tem se beneficiado de forma consistente, apresentando desempenho superior ao de seus pares.
Governo anuncia pacote para mitigar pressão dos combustíveis sobre a inflação
O governo federal anunciou um novo pacote de medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis diante da escalada do petróleo no mercado internacional. As ações incluem subvenções ao diesel importado e ao diesel produzido no Brasil, com descontos que podem chegar a R$ 1,52 por litro no caso do combustível importado. O pacote também prevê subvenção ao gás de cozinha, destinada a compensar parcialmente a diferença entre os preços domésticos e internacionais do GLP. Além disso, o governo anunciou a isenção de PIS/Cofins sobre o biodiesel, medida que reduz marginalmente o custo da mistura ao diesel, a desoneração tributária do querosene de aviação (QAV) até o fim do ano e a criação de linhas de crédito voltadas ao setor aéreo.
Segundo o Ministério do Planejamento, o pacote de medidas tem custo total de R$ 30,5 bilhões. Como compensação, serão utilizadas receitas adicionais provenientes de royalties do petróleo, do aumento da arrecadação sobre combustíveis e de uma maior tributação sobre cigarros. As medidas buscam suavizar os efeitos do choque externo sobre preços e abastecimento no curto prazo, em um contexto de elevada dependência da importação de diesel e maior risco inflacionário associado ao conflito no Oriente Médio.
IPCA avança fortemente em março, refletindo os primeiros efeitos da guerra
O IPCA subiu 0,88% em março comparado a fevereiro, acima das expectativas (XP: 0,79%; Mercado: 0,77%). O índice acumulou alta de quase 2% no 1º trimestre de 2026 e de 4,1% nos últimos 12 meses. Ou seja, o cumprimento da meta de 3% parece cada vez mais desafiador. Como esperado, a primeira leitura do IPCA após o início da guerra no Oriente Médio trouxe aumento significativo nos preços de combustíveis. Ademais, houve aceleração nos preços de alimentação no domicílio e bens industrializados, além da manutenção da inflação de serviços ao redor de 5,5% na métrica anualizada e com ajuste sazonal.
Diante da surpresa altista em março e dos efeitos (diretos e indiretos) relevantes da guerra, nossa projeção para o IPCA de 2026 subiu para 5,1% – prevíamos 3,8% um mês atrás. Para uma análise completa, clique aqui.
Exportações de petróleo sobem 30% no 1º trimestre; guerra deve intensificar movimento nos próximos meses
A balança comercial registrou superávit de US$ 6,4 bilhões em março. Como destaque, as exportações de petróleo cresceram 30% no primeiro trimestre de 2026, movimento que tende a se intensificar nos próximos meses à medida que os efeitos do aumento nos preços da commodity se materializam nas estatísticas de saldo comercial.
Preços mais elevados do petróleo tendem a sustentar as receitas de exportação e fortalecer a balança comercial. Por outro lado, o encarecimento dos fertilizantes deve pressionar as importações. Além disso, regiões diretamente afetadas pela guerra são destinos relevantes de exportações brasileiras, de produtos como milho, carne de frango e algodão, o que pode reduzir a demanda externa. Ainda assim, esses vetores negativos não devem anular os ganhos associados à alta do petróleo. A commodity segue como um dos principais determinantes da balança comercial brasileira, respondendo por cerca de 13% das exportações totais, o que reforça o impacto líquido positivo sobre as nossas projeções. Projetamos superávit comercial de US$ 85,0 bilhões em 2026, após saldo US$ 68,3 bilhões no ano passado.
Revisamos nossas projeções para os principais indicadores econômicos diante dos preços mais elevados do petróleo
Publicamos nesta semana o relatório Brasil Macro Mensal de abril, no qual incorporamos os preços mais elevados do petróleo ao nosso cenário-base. Como discutimos acima, as contas externas brasileiras se beneficiam do petróleo em alta. Isso, combinado com a rotação dos fluxos de capitais em direção aos mercados emergentes, vem gerando fortalecimento do real. Com isso, nossa atual projeção para a taxa de câmbio no final de 2026 (de 5,30 reais por dólar) tem viés de baixa.
Em contrapartida, elevamos nossa projeção de inflação em 2026, medida pelo IPCA, de 3,8% para 5,1%, com pressões concentradas em combustíveis e transportes. Para 2027, a estimativa foi mantida em 4,0%, porque incorporamos uma queda menor da taxa de juros por parte do Banco Central: elevamos nossa expectativa de taxa Selic para o final deste ano de 12,75% para 13,50%. É possível que juros caiam abaixo deste patamar. Para isso entendemos ser importante esperar passar os efeitos do choque do petróleo e avançar nas reformas fiscais no próximo mandato presidencial.
Clique aqui para receber por e-mail os conteúdos de economia da XP
Destaques da próxima semana
No cenário internacional, destaque para a publicação de dados de atividade na China. Entre eles, produção industrial, vendas varejistas, investimentos em ativos fixos e taxa de desemprego referentes a março, além do PIB do 1º trimestre de 2026. Além disso, índices de inflação ao consumidor da Zona do Euro e inflação ao produtor dos Estados Unidos serão conhecidos na semana que vem.
No Brasil, a atividade econômica também estará no centro das atenções. As vendas varejistas devem registrar o segundo aumento consecutivo, refletindo a solidez do mercado de trabalho e o aumento das concessões de crédito (sobretudo para aquisição de veículos) no período recente. Estimamos alta de 1,0% para o índice de varejo ampliado em fevereiro em relação a janeiro. Na mesma linha, esperamos crescimento das receitas reais de serviços, embora a um ritmo mais moderado (0,5%). Com isso, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que serve como proxy mensal do PIB, também deve mostrar o segundo avanço seguido (0,3%). Veja nossas projeções abaixo.

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!
![YA_2026_Banner_Intratexto_-_download[1]](https://conteudos.xpi.com.br/wp-content/uploads/2025/12/YA_Banner_Intratexto_-_download1.jpg)
