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A Stone apresentou um 4Q misto, porém resiliente, com o segmento de banking e de crédito mostrando potencial de monetização, embora acompanhado por maior custo de crédito, enquanto o core de pagamentos permaneceu fraco. No trimestre, o crescimento de receita (+13% A/A) foi sustentado pelo aumento da receita financeira (+26% A/A) e pela expansão da penetração de crédito/depósitos, mas o TPV continuou desacelerando (+4,8% A/A) em meio a pressões macroeconômicas. O crescimento da carteira de crédito foi robusto (+22% T/T), mas veio acompanhado da deterioração esperada da qualidade dos ativos (+130 pb T/T nos NPLs curtos) e do aumento das provisões (+27% T/T), reforçando a necessidade de um escalonamento disciplinado do portfólio. As despesas operacionais permaneceram elevadas, especialmente as comerciais (+16% A/A), ligadas ao reposicionamento da marca e maior rotatividade, pressionando margens apesar de ganhos de eficiência no lado do funding. Ainda assim, a empresa entregou um sólido crescimento do lucro líquido de 12% A/A (impulsionado por alíquotas de imposto menores) e melhora no EPS, sinalizando que a monetização dos serviços financeiros está compensando cada vez mais a fraqueza no TPV. Olhando à frente, o guidance aponta para um momentum modesto de receita no 1S26, com qualquer recuperação potencial devendo ser mais gradual após o rebaixamento das projeções para 2027. No geral, vemos a sinalização do management com alguma cautela, já que o crescimento mais lento, os sinais crescentes de risco de crédito e as indicações fracas de TPV projetado apontam para um cenário mais desafiador à frente.
A estratégia da companhia mostra-se cada vez mais direcionada para aprofundar o relacionamento com os clientes por meio das frentes de banking e crédito, em vez de perseguir uma expansão mais acelerada de volumes em pagamentos. Com depósitos de varejo crescendo 27% A/A e a carteira de crédito avançando 135% A/A, a monetização incremental dos serviços financeiros tende a continuar compensando a desaceleração do crescimento de pagamentos.
Pagamentos
O TPV total atingiu R$ 150,8 bi no 4T (+4,8% A/A). O crescimento T/T de 7,5% reflete a sazonalidade típica do trimestre, mas o avanço A/A segue perdendo tração: o TPV MSMB cresceu 5,3% A/A e os volumes de cartões ficaram praticamente estáveis. O desempenho mais fraco reflete um ambiente macro mais desafiador, somado ao fato de que canais digitais (majoritariamente marketplaces) seguem crescendo mais que o varejo físico, além de churn mais elevado e um onboarding menos eficiente. No MSMB, os volumes de PIX via QR Code cresceram 40,2% A/A. Embora o management destaque que a monetização do PIX seja comparável à do débito e tenha ajudado no engajamento bancário, a desaceleração do TPV de cartões reforça preocupações quanto ao ritmo transacional subjacente. Na teleconferência, a administração indicou que o TPV deve ficar estável A/A no 1S26, com recuperação mais visível nos trimestres seguintes.
Banking
A base de clientes bancários ativos atingiu 3,7 milhões (+20,8% A/A; +6,9% T/T), refletindo tanto o aumento de clientes exclusivamente bancários quanto o sucesso de ofertas combinadas. Os depósitos totais de varejo somaram R$ 11,1 bi (+27,4% A/A; +23,0% T/T), reforçando a estratégia de cross‑sell. Dentro do total, os depósitos de varejo chegaram a R$ 1,5 bi (+7,6% T/T), enquanto os CDBs on‑platform alcançaram R$ 9,5 bi (+25,0% T/T). Apesar de pressionar a receita financeira de depósitos, essa dinâmica segue positiva para o resultado, já que reduz o custo de funding.
Crédito
A carteira total de crédito atingiu R$ 2,8 bi (+22,7% T/T), impulsionada principalmente pela expansão das linhas de capital de giro para lojistas. Entretanto, diante de um cenário macro mais desafiador e da maturação natural do portfólio, a qualidade dos ativos apresentou a deterioração esperada: o NPL de 15–90 dias encerrou o trimestre em 4,43% (vs. 3,12% no 3T25) e o NPL acima de 90 dias avançou para 5,21% (vs. 5,03% no 3T25). As provisões para perdas esperadas chegaram a R$ 109,7 mi (+27,0% T/T), acompanhando o crescimento da carteira e o aumento das concessões de capital de giro. Como resultado, o custo de risco subiu para 17,1% (vs. 16,8% no 3T25), enquanto o índice de cobertura permaneceu praticamente estável em 264%.
A Stone reportou Receita e Resultado Total de R$ 3,7 bi no 4T25 (+4,4% T/T; +13,0% A/A). O desempenho foi puxado principalmente pela Receita Financeira (+26,1% A/A), sustentada pelo maior volume de antecipação e crédito, ainda que parcialmente compensada por menor receita flutuante dos depósitos. Ao mesmo tempo, otimizações de precificação entre MDR e antecipação seguem impulsionando a receita financeira, mas pressionam as Receitas de Transações, que recuaram -32,0% A/A. Já as receitas de Serviços de Assinatura, Aluguel de Equipamentos e Outras Receitas Financeiras avançaram 22,1% A/A.
As Despesas Financeiras Líquidas Ajustadas totalizaram R$ 1,15 bi (+0,6% T/T; +11,8% A/A). Apesar da alta do CDI médio, as despesas financeiras como percentual da receita melhoraram sequencialmente para 30,9% (vs. 32,1% no 3T25), beneficiadas pela maior participação de depósitos como fonte de funding. Na comparação anual, o indicador ficou praticamente estável (30,9% vs. 31,2%).
As Despesas Administrativas somaram R$ 243,9 mi (+9,1% T/T; +12,1% A/A), refletindo investimentos contínuos em pessoal e áreas de suporte. Como proporção da receita, ficaram em 6,5%, levemente acima do 3T25 (6,3%) e abaixo do 4T24 (6,6%). As Despesas Comerciais chegaram a R$ 562,2 mi (+6,7% T/T; +15,7% A/A), explicadas principalmente por maiores investimentos em marketing e iniciativas comerciais. Como percentual da receita, atingiram 15,1% (vs. 14,7% no 4T24), refletindo uma distribuição mais homogênea de gastos de marketing ao longo de 2025.
Vale destacar que as despesas comerciais devem seguir elevadas, dado o reposicionamento da marca e a necessidade de mitigar maior rotatividade. Em 2026, a tendência é de que continuem crescendo como percentual da receita, sustentadas por contratações no curto prazo para ampliar a capacidade comercial e a distribuição de produtos. Para 2027, o movimento deve permanecer semelhante, já que o reforço comercial ainda será necessário para executar as iniciativas estratégicas da companhia.
Com isso, o Lucro Bruto Ajustado alcançou R$ 1,7 bi (+3,6% T/T; +9,1% A/A), resultando em margem bruta de 44,6% (-40 bps T/T; -160 bps A/A), puxada principalmente pelo bom desempenho das frentes de crédito e banking.
O Lucro Líquido Ajustado totalizou R$ 707 mi no trimestre (+10,2% T/T; +12,4% A/A), beneficiado por uma alíquota efetiva menor (11% no 4T25, 15% no 3T25 e 13% no 4T24), impactada positivamente por incentivos fiscais de P&D (Lei do Bem) e ganhos de entidades com regimes tributários diferenciados. O EPS básico ajustado ficou em R$ 2,87 (+26,8% A/A).
O guidance para 2026 e 2027 reforça uma postura mais cautelosa. Para 2026, a expectativa de crescimento de TPV em “mid‑single digits” e de expansão modesta de lucro bruto sugere que a companhia ainda enfrenta ventos macro contrários e ajustes operacionais, com o EPS sendo parcialmente beneficiado por recompras planejadas. Para 2027, a redução na granularidade dos KPIs operacionais sinaliza uma abordagem mais flexível em meio à evolução do mix de negócios, especialmente nas frentes de crédito e banking.
Embora persista alguma incerteza em torno da maturação da carteira e da dinâmica de risco, o management reforça confiança de que essas verticais devem ganhar relevância na formação de lucro à medida que escalam.
No geral, apesar de o trimestre ter vindo amplamente em linha, o tom do management pode trazer alguma preocupação, especialmente em relação a uma trajetória estrutural de crescimento mais moderada, maior dependência do desempenho da vertical de crédito e a necessidade contínua de aprimorar eficiência operacional.
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