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Papel e celulose: Restrições de oferta de celulose compensando enfraquecimento da demanda no curto prazo

Analisando dados globais de papel e celulose

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Os preços da celulose exibiram dinâmica mista ao longo de Mar’26, com a força da fibra curta sendo crescentemente desafiada pela resistência na China. Os preços de BEKP avançaram nos mercados desenvolvidos, refletindo parcialmente os reajustes anunciados, enquanto a China ficou para trás, com aumentos em Mar’26 limitados a ~US$10/t versus os US$20/t propostos. A dinâmica de curto prazo segue moldada por incertezas do lado da oferta (incluindo cortes de produção em andamento, aumento dos custos de cavacos e químicos, e disrupções logísticas), embora restrições de acessibilidade e demanda fraca nos elos finais estejam emergindo como importantes vetores de pressão. Com os riscos de oferta ainda elevados, vemos os preços da celulose permanecendo sustentados no curto prazo, mas com a assimetria positiva de preços cada vez mais dependente de maior disciplina de oferta, e não de dinâmica de demanda.

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Nossa visão. Os mercados globais de celulose tornaram-se mais divergentes em Mar’26, com condições mais firmes em fibra curta contrastando com a fraqueza persistente em fibra longa. Os preços de BEKP subiram para ~US$600–610/t na China e acima de US$1.300/t na Europa, sustentados por estoques baixos dos produtores e disrupções de oferta na América Latina e na Península Ibérica. No entanto, compradores chineses resistiram ao repasse integral dos aumentos, à medida que os estoques de papel e cartão permaneceram elevados e os preços estáveis ou até em queda em Mar’26, também sentindo os efeitos da retomada da planta de Zhanjiang da Chenming Paper em Fev’26, após 15 meses parada (2,4 Mt/ano de capacidade de papel e cartão, integrada a 0,9 Mt/ano de uma linha de BHKP e 0,6 Mt/ano de celulose de alto rendimento). Os preços de fibra longa enfraqueceram ainda mais na China, com concessões em NBSK ampliando a compressão do diferencial entre fibra curta e longa em relação aos níveis históricos.

As disrupções do lado da oferta continuam sustentando o sentimento, mesmo com indicadores de demanda perdendo força. Os estoques dos produtores de celulose de fibra curta seguem apertados, enquanto os estoques de fibra longa, embora em queda, ainda permanecem acima dos níveis do ano passado. Reduções de produção por produtores asiáticos, maior downtime na Europa e América do Norte, e o aumento dos custos de madeira, químicos e frete (agravados por disrupções relacionadas ao Oriente Médio) estão elevando o custo marginal ao longo da curva. O choque também reduziu de forma efetiva os embarques de fibra curta para o Oriente Médio (um mercado de ~1,1 Mt/ano, com cerca de metade dos volumes historicamente supridos pelo Brasil), com as exportações brasileiras caindo praticamente a zero em Mar’26 após a guerra. Em conjunto com a alta dos preços de cavacos na China e maiores custos logísticos, esses fatores continuam reforçando o suporte de preços no curto prazo, apesar da fragilidade da demanda final.

Por fim, nossas estimativas indicam que produtores integrados chineses que utilizam madeira doméstica operam atualmente com custo marginal em torno de ~US$530/t, enquanto aqueles dependentes de madeira importada estão mais próximos de ~US$560/t. Isso se compara a ~US$600/t para produtores de celulose de mercado e, combinado às restrições persistentes do lado da oferta, deve seguir dando suporte aos preços da celulose no curto prazo.

Quanto aos dados recentes de celulose, destacamos: (i) as exportações de celulose do Brasil recuaram -19% A/A em Mar’26 (embora estáveis M/M), com as exportações de DWP avançando +45% A/A em Mar’26, enquanto (ii) as exportações de celulose do Chile cresceram +16% M/M (-11% A/A) e as do Uruguai +15% M/M (-35% A/A) em Mar’26. Além disso, ressaltamos que os estoques nos portos chineses caíram -2% M/M, embora estejam +18% A/A em Mar’26.

Para papel e embalagens no Brasil, destacamos: (i) as exportações de kraftliner ficaram estáveis M/M, mas avançaram +33% A/A em Mar’26, com preços em alta de +3% M/M em USD (-4% A/A), segundo a SECEX; e (ii) os preços de OCC no Brasil recuaram M/M em Mar’26, segundo a Anguti, com os preços de OCC Tipo I e II ambos em queda M/M, enquanto (iii) as importações de papelão em relação à demanda aparente atingiram ~23% em Jan’26, segundo a Ibá.

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