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Grupo Mateus (GMAT3): Um 4T com resultados fracos

SSS negativo no varejo alimentar e EBITDA abaixo do esperado

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O Grupo Mateus reportou resultados fracos e difíceis de comparar no 4T, com a receita vindo abaixo das nossas estimativas diante de uma dinâmica de vendas nas mesmas lojas (SSS) mais fraca do que o esperado em todos os formatos, enquanto as margens também foram mais fracas por desalavancagem operacional e investimentos em novos formatos. A falta de visibilidade sobre a Novo Standalone prejudica as comparações a/a. Além disso, ao olhar os comentários do auditor, destacamos que foi adicionada uma nota sobre fornecedores, mencionando uma divergência entre o saldo contábil e os controles de acordos comerciais, que estão atualmente em análise, mas não se espera que a distorção máxima seja relevante. Isso, somado a resultados fracos, deve contribuir para uma visão mais cautelosa em relação ao nome, especialmente porque as pressões de volume vindas do crédito ao consumidor apertado, da deflação de alimentos e de um ambiente macro desafiador devem persistir até 2026. Nesse sentido, a companhia comentou que iniciou iniciativas de produtividade em dezembro, que se intensificaram em março.

Desaceleração de SSS em todos os formatos em um macro fraco. As vendas líquidas atingiram R$10,6 bilhões (4% abaixo do XPe), alta de 21% apoiada quase inteiramente pelo M&A da Novo e pela abertura de 22 lojas ao longo de 2025, incluindo 9 no 4T. Em base orgânica, o SSS consolidado ficou em -1,1% (vs. XPe de praticamente estável), refletindo uma leitura de -5,5% no segmento de C&C (Mix Mateus + Novo) e de -5,1% no formato Supermercado (vs. -0,3% no 3T), o que foi parcialmente compensado por um desempenho sólido em Eletro (SSS +7,8%), um segmento que continua sendo despriorizado (13 fechamentos no 4T, 28 no ano), e pelo crescimento ainda sólido do atacado, em +21,5% a/a (ligeiramente acima do XPe), mas também desacelerando t/t (-5,3 p.p. t/t). A gestão atribuiu o SSS fraco à deflação de alimentos, ao aumento do endividamento das famílias e a mudanças na cesta de consumo em direção a itens de menor tíquete. Sobre a Novo, notamos que a companhia não divulgou o crescimento da BU em base standalone, mas a operação nos estados de PE, PB e AL apresentou SSS de -5,9%, com vendas líquidas caindo 2% t/t.

EBITDA abaixo do esperado por desalavancagem operacional e investimentos em novos formatos. A margem bruta ficou em 22,5%, +0,7 p.p. vs. 4T24 (reapresentado), mas ligeiramente abaixo da nossa estimativa de 22,7%, enquanto a margem bruta da JV da Novo caiu 0,3 p.p. t/t. No nível de EBITDA, o EBITDA Ajustado (ex-IFRS16, ex-não recorrentes) atingiu R$652 milhões (queda de 25% vs. XPe), com margem de 4,8% (-1,4 p.p. vs. 4T24 reapresentado e ex-Novo), principalmente por erro na margem bruta e maiores despesas de G&A. A pressão de margem vem sobretudo da desalavancagem operacional, já que o crescimento da receita desacelerou de forma acentuada enquanto a companhia absorveu adições de custos fixos vindas da consolidação da Novo Atacarejo e R$16 milhões de infraestrutura adicional de headcount para novas linhas de negócios. A companhia também reportou um impacto de R$23 milhões de custos de rescisão relacionados a um programa de produtividade iniciado no 4T e um não recorrente negativo de R$40 milhões do Refis (parcelamento fiscal do estado de Pernambuco). A margem de EBITDA divulgada da JV da Novo (pós-IFRS), que caiu 0,8 p.p. t/t. O lucro líquido somou R$343 milhões, com resultado financeiro mais pesado compensado por uma linha positiva de imposto efetivo em função de deduções de IOC e da reversão de IRPJ/CSLL provisionados sobre subvenções de ICMS (R$87 milhões).

Pontos interessantes a destacar: i) As dinâmicas de capital de giro permanecem um tema central na consolidação da Novo no Mateus e, mesmo em um cenário de desaceleração da receita, a companhia apresentou sinais positivos em termos de eficiência de capital de giro, com Dias de Estoque sendo reduzidos em 2 t/t e o ciclo de caixa total caindo 5 dias com melhora em dias de fornecedores; ii) O FCL após pagamento de arrendamentos ficou em R$750 milhões no 4T, principalmente por estoques (R$548 milhões) e fornecedores (R$297 milhões), com Dívida Líquida/EBITDA em 0,4x (-0,1x t/t); e iii) A companhia lançou dois novos formatos de lojas de varejo no 4T: Mateus Foodservice (food service orientado a B2B) e Spazio (supermercado premium).

Sobre os achados da auditoria: Forvis Mazars, auditor atual da GMAT, destacou dois principais assuntos de auditoria (PAA): estoques e acordos comerciais com fornecedores. Em estoques, o auditor identificou fragilidades de controles internos ao longo de 2025 que exigiram procedimentos de auditoria ampliados, embora, ao final, tenha considerado razoáveis os saldos de fechamento do ano, conclusão que, em nossa visão, deve ser lida no contexto dos ajustes contábeis materiais divulgados no 3T25. Em contas a receber de rebates de fornecedores, foram sinalizadas divergências entre os registros contábeis e os controles das subsidiárias, com a gestão ainda reconciliando as diferenças. Em ambos os casos, o auditor emitiu parecer sem ressalvas sobre os números de 2025 como um todo.

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