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Copom: Corte de juros em março

Copom manteve a taxa Selic em 15,00%

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Comunicado do Copom


O Copom manteve a taxa Selic em 15,00% na reunião desta noite, em linha com a expectativa da maioria dos participantes do mercado. O comunicado pós-reunião indicou que a política monetária pode se tornar menos restritiva à frente, considerando a melhora recente da dinâmica inflacionária. A sinalização foi inequívoca: “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária”.

A redação do comunicado permaneceu cautelosa, reforçando que a inflação e as expectativas de inflação seguem acima da meta, ao mesmo tempo em que a atividade econômica desacelera gradualmente em um contexto de mercado de trabalho resiliente. De fato, o Comitê destacou que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

De fato, o Comitê segue descrevendo o ambiente global como “incerto”, exigindo “cautela por parte de países emergentes”. No cenário doméstico, o Copom continua avaliando que a atividade econômica está moderando “conforme esperado”, enquanto a inflação apresenta alguma melhora (mas permanece acima da meta). Não houve novidades relevantes em comparação ao comunicado de novembro.

As projeções de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027 — atualmente o horizonte relevante da política monetária — permaneceram em 3,2%. Vale lembrar que o cenário de referência do Banco Central, extraído do Boletim Focus, já contempla o início de um ciclo de afrouxamento monetário em março. Além disso, a taxa de câmbio utilizada nas projeções divulgadas hoje é mais depreciada do que o nível atual (R$/US$ 5,35, contra cerca de R$/US$ 5,20 atualmente). Utilizando o câmbio vigente, a projeção para o horizonte relevante ficaria em 3,0%.

Em outras palavras, iniciar cortes de juros em março é compatível com o cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante.

Por fim, o balanço de riscos para a inflação, mais uma vez, não foi alterado. Do lado altista, o Copom destaca: “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.

Já do lado dos riscos baixistas, continuou a destacar: “(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”.

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Nossa visão

A decisão e a comunicação vieram muito próximas do que esperávamos (ver Esquenta do Copom, publicado na última segunda-feira). Assim, mantemos a avaliação de que o Copom iniciará o ciclo de flexibilização monetária em março, com uma pausa na segunda metade do ano para reavaliar o cenário.

Seguimos projetando que o Copom iniciará um ciclo de cortes em março. Esperamos cinco reduções consecutivas de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa de juro real ficaria em torno de 8,0%, acima do que consideramos como nível neutro (5,5%), refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial.

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