Resumo
Os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Trump anunciou que irá “administrar” o país sul-americano até uma transição considerada segura. Apesar da maior tensão geopolítica na América Latina, os preços de ativos financeiros ficaram relativamente estáveis nesta semana.
O mercado de trabalho norte-americano mostrou sinais adicionais de desaceleração, embora a atividade econômica continue sólida. Dados recentes reforçaram a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (entre 3,50% e 3,75%) na próxima decisão de política monetária.
O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul caminha para aprovação definitiva, após mais de 20 anos de negociações.
No Brasil, o IPCA fechou 2025 com alta de 4,3%, dentro do intervalo de tolerância da meta. Por fim, publicamos o relatório Brasil Macro Mensal, que incluiu, pela primeira vez, projeções para 2027.
Gráfico da Semana
Veja na seção “Inflação encerra 2025 em 4,3%, com sinais mistos“

Cenário Internacional
Estados Unidos capturam Maduro e negociam controle do petróleo venezuelano
Os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que enfrenta acusações de tráfico de drogas e será julgado em Nova Iorque. Trump declarou que irá “administrar” o país sul-americano até uma transição segura, com foco no controle das reservas de petróleo e na imposição de sanções. A operação provocou protestos internos nos Estados Unidos e críticas internacionais. Países como Brasil, Rússia e China consideraram uma violação da soberania venezuelana.
Trump reforçou que poderá adotar novas medidas caso a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, não coopere. Ele também insinuou possíveis ações contra Cuba, Colômbia e México.
Apesar da maior tensão geopolítica na América Latina, os preços de ativos financeiros ficaram relativamente estáveis nesta semana.
Mercado de trabalho americano em desaceleração
O mercado de trabalho dos Estados Unidos mostrou sinais de enfraquecimento em 2025. Em dezembro, foram criados 50 mil empregos, abaixo da expectativa de 73 mil. A média mensal de criação de ocupações ficou em 49 mil, bem inferior aos 168 mil registrados em 2024. A taxa de desemprego encerrou o ano passado em 4,4%.
Dados recentes indicam um mercado de trabalho fraco, mas atividade econômica sólida. O setor de serviços, por exemplo, ganhou tração no final de 2025. O PMI (Índice de Gerentes de Compras) de Serviços – medido pelo ISM – subiu de 52,6 em novembro para 54,4 em dezembro. A mediana das expectativas de mercado apontava para 52,3. O componente de novos pedidos recebidos por empresas de serviços avançou de 52,9 para 57,9. Além disso, a medida de emprego no setor terciário voltou a crescer após seis meses consecutivos de queda. O cenário reforça a expectativa de que o Fed (banco central local) mantenha sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% – 3,75% na próxima reunião de política monetária. O mercado projeta novo corte apenas em meados de 2026.
Inflação na China continua em níveis baixos
Na China, o índice de preços ao consumidor avançou 0,8% em dezembro de 2025 comparado a dezembro de 2024, em linha com as expectativas de mercado. O índice ficou estável em 2025 como um todo e registrou o resultado mais fraco desde 2009. Por sua vez, a inflação ao produtor caiu 2,6% no ano passado, mantendo-se em território deflacionário desde o final de 2022. Em linhas gerais, esses resultados refletem o excesso de capacidade na indústria e a demanda interna fraca.
Enquanto isso, no Brasil…
Acordo comercial entre União Europeia e Mercosul caminha para aprovação final
A União Europeia (UE) concedeu aval político provisório ao acordo comercial com o Mercosul, negociado por mais de 20 anos. A decisão ainda depende de confirmação técnica pelos governos nacionais, mas a presidente da Comissão Europeia deve assinar o texto em cerimônia simbólica no Paraguai na segunda-feira (12).
Apesar do avanço, o tratado enfrenta resistência interna, sobretudo do setor agrícola europeu. França e Polônia lideram a oposição, alegando que o texto está desatualizado e não atende às exigências ambientais. Para mitigar críticas, a UE incluiu salvaguardas contra aumentos abruptos de importações e apoio aos produtores.
Após a assinatura, ainda haverá um longo processo de ratificação. Na zona do euro, o acordo será analisado pelo Parlamento Europeu e, em alguns pontos, pelos parlamentos nacionais. No Mercosul, dependerá da aprovação dos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Existe a possibilidade de aplicação provisória de capítulos relacionados à liberalização tarifária antes da ratificação completa.
Inflação encerra 2025 em 4,3%, com sinais mistos
A inflação medida pelo IPCA subiu 0,33% em dezembro, em linha com as projeções, e fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto do intervalo de tolerância da meta (4,5%). Esse resultado confirma um cenário de desinflação gradual, mas com sinais mistos. Enquanto os preços de alimentos e bens industrializados seguem com aumentos moderados, os preços de serviços continuam pressionados, especialmente aqueles ligados à mão de obra, que subiram quase 8% recentemente (média móvel de três meses, dessazonalizada e anualizada). Esse comportamento reflete o mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego historicamente baixa e salários reais em alta. Para mais informações, acesse nosso relatório aqui.
Extensão do ciclo de cortes depende de reformas fiscais
Divulgamos nosso relatório Brasil Macro Mensal. As perspectivas globais para mercados emergentes seguem incertas, diante de tensões geopolíticas e dúvidas sobre a próxima liderança do Fed. Para o Brasil, o mercado de trabalho ainda apertado e estímulos fiscais devem sustentar o crescimento do PIB em 1,7% em 2026. A inflação deve permanecer em torno de 4,0%, em linha com os preços ao atacado bem-comportados e cotações do petróleo mais baixas. Nesse contexto, projetamos o início do ciclo de cortes de juros em março, com a taxa Selic chegando a 12,50% no terceiro trimestre; seguido de uma pausa para avaliação.
Para 2027, assumimos que medidas do lado das despesas serão implementadas pelo próximo governo, mas de forma insuficiente para estabilizar a dívida pública. Assim, vemos espaço limitado para uma flexibilização monetária adicional (nosso cenário prevê o juro básico em 11,00% no final do ano que vem), dado que a política fiscal seguiria expansionista.
Lula veta PL da Dosimetria
O presidente Lula vetou integralmente o PL da Dosimetria (PL 2.162/2023). O projeto de lei havia sido aprovado pelo Poder Legislativo em dezembro de 2025 e previa reduzir penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito cometidos no mesmo contexto, como os atos de 8 de janeiro de 2023, além de flexibilizar critérios de progressão de regime. A proposta poderia diminuir condenações, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, o veto será analisado pelo Congresso em até 30 dias, com possibilidade de judicialização no STF caso seja derrubado.
Exportações aceleraram no segundo semestre, mas não impediram o protagonismo das importações em 2025
O Brasil registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 74,2 bilhões observados no ano anterior. Apesar do crescimento das exportações — impulsionado pela safra recorde de grãos, recuperação da economia argentina, aumento das vendas de carne bovina e preços elevados do café —, o avanço das importações foi ainda mais intenso, com expansão dos volumes em todas as categorias econômicas. Para 2026, projetamos virtual estabilidade do saldo comercial (US$ 66,7 bilhões). Este cenário considera uma reaceleração do PIB, que deve sustentar as importações em níveis elevados, e preços do petróleo mais baixos.
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Destaques da próxima semana
No cenário internacional, destaque para a divulgação dos índices de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) dos Estados Unidos em dezembro. Ainda na economia americana, os agentes de mercado irão monitorar os dados de vendas varejistas (novembro) e produção industrial (dezembro).
No Brasil, as atenções estarão voltadas para indicadores de atividade econômica referentes a novembro. O IBGE divulgará as vendas varejistas (PMC) e as receitas de serviços (PMS). Já o Banco Central publicará o IBC-Br, uma proxy mensal do PIB. Veja as nossas projeções abaixo.

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