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IPCA-15 de novembro: Mais um mês de deflação para industrializados e alimentos

Prévia da inflação trouxe queda nos preços de bens e alimentos. Serviços, porém, seguem elevados. Nossa projeção de 4,5% para o IPCA de 2025 tem viés de baixa.

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O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,20% em novembro, segundo o IBGE, um pouco acima da expectativa da XP e do mercado (0,18%). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,94% para 4,50%, reforçando o movimento de desinflação observado nos últimos meses.

A alta no mês foi influenciada por serviços, como passagens aéreas (+11,8%), hospedagem (+4,2%) e alimentação fora de casa (+0,42%), enquanto itens como seguro de automóveis (-0,48%) e produtos de higiene pessoal (-0,38%) ajudaram a conter o avanço. No geral, os dados confirmam que a desaceleração recente está ligada à queda nos preços de bens industrializados e alimentos, tendência destacada pelo Banco Central.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Preços de serviços seguem elevados, apesar de alívio recente

Os serviços subjacentes subiram 0,40%, em linha com as projeções. A média anualizada em três meses (3M SAAR) recuou de 4,7% para 4,4%, indicando leve melhora, mas ainda em patamar significativamente elevado. Já os serviços intensivos em mão de obra, que são acompanhados de perto pelo Banco Central, avançaram 0,62%, acelerando sua média anualizada para 7,3%, o maior nível desde março.

Também no agrupamento de serviços, destacam-se as passagens aéreas, com alta expressiva de 11,8%, e hospedagem (+4,2%), impulsionada pelo aumento de preços em Belém devido à COP 30.

Vale lembrar que o comportamento dos preços de serviços é essencial para análise do cenário de inflação prospectiva no país. Em outras palavras, o que apontam preços como de cabelereiros, médicos e cinemas pode sinalizar mais sobre o comportamento futuro da inflação do que se imagina.

Isso porque a inflação do grupo é menos impactada pelos chamados movimentos de “oferta” (como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity); refletindo mais a dinâmica dos salários e do nível de demanda na economia – em um processo que se retroalimenta.

Afinal, quanto mais aquecida a economia, maior tende a ser o nível de emprego e, consequentemente, a pressão sobre salários. Esse movimento se torna ainda mais relevante em economias nas quais serviços tem maior peso, como a do Brasil, onde o setor responde por cerca de 60% do PIB e a maioria dos empregos do país.

Assim, como destacado, a inflação de serviços deve seguir como um dos principais motivos de cautela adiante.

Bens industrializados: deflação inesperada

Os preços de bens industrializados recuaram 0,06% em novembro, contrariando a expectativa de alta (+0,10%). Essa queda foi puxada especialmente por bens duráveis, como eletroeletrônicos, eletrodomésticos e aparelho telefônico – vale lembrar que alguns descontos da Black Friday já entraram em vigor. Em nosso caso, fomos surpreendidos por estabilidade nos preços de higiene pessoal, como perfume, enquanto esperávamos alta de 0,75%, como sugeriam nossas coletas de preços.

Desse modo, a média anualizada em três meses (3M SAAR) para bens industriais caiu de 1,7% para 1,3%, reforçando a tendência de moderação. Essa dinâmica deve continuar nos próximos meses, refletindo os preços mais baixos ao produtor (IPP) e a valorização do real.

Alimentos tem queda favorecida por clima e sazonalidade

Os preços de alimentos caíram 0,15% em novembro, abaixo da projeção (+0,08%). A redução foi puxada por cereais, especialmente o arroz, que recuou 3% no mês, além de frutas e leites e derivados. Essa dinâmica reflete condições climáticas favoráveis e boa oferta agrícola, que reduziram pressões sobre hortifrutis e proteínas.

Olhando adiante, as coletas para o IPCA fechado (a ser divulgado no dia 10 de dezembro) indicam que novembro deve registrar deflação ainda mais intensa, puxada sobretudo pelos preços do leite.

O que esperar daqui para frente?

O resultado reforça que a desinflação no Brasil tem sido sustentada por alimentos e bens industrializados, enquanto os serviços permanecem pressionados. Nossa visão é de que os dados não alteram a estratégia do Copom. Esperamos que o Banco Central inicie corte de juros em março.

Mantemos nossa projeção de IPCA em 4,5% no fim de 2025, com viés de baixa, e 4,2% para 2026.

Selic deve seguir alta por um longo período

Diante do cenário descrito acima, projetamos que a inflação encerre 2025 dentro da banda de tolerância de 4,5%. Oficialmente, projetamos 4,5%, mas há claro viés de baixa em torno desse cenário benigno de preços de alimentos, especialmente para em dezembro.

Observando seu objetivo de manter a inflação na meta, o Banco Central deve seguir atuando para reverter o cenário de inflação elevada. Isso significa manter nossa taxa básica de juros, a Selic, alta por um período prolongado.

Vale lembrar: gestão da taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a variação de preços na economia – aquecendo ou desaquecendo a atividade econômica, e impactando fatores como a taxa de câmbio (com capital sendo atraído por maiores retornos, valorizando nossa moeda) e as expectativas de inflação para o futuro.

Projetamos que a Selic siga em 15,00% até o início de 2026 – quando pode haver espaço para o início de um novo ciclo de cortes. Porém, como destacamos, riscos seguem no radar tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Para 2026, nossa projeção de inflação segue no intervalo da meta, diante de uma economia que deve seguir crescendo acima do nível potencial (ou seja, acima do patamar que, teoricamente, não pressionaria os preços) e de impulsos fiscais e parafiscais adicionais. 

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”.

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