Morning Call XP Private: Teorias básicas

Rogério Freitas destaca pontos importantes do processo da análise de investimentos como a EHM, por exemplo



Fazendo esforço criativo para não comentar o irrelevante debate sobre os 100 mil pontos do Ibovespa e testando a paciência dos leitores, mais um dia abordaremos aspectos mais técnicos e ricos do processo e análise de investimento. 
 
Antes, cabe ressaltar que seguimos construtivos com o ambiente econômico, acreditando que as políticas expansionistas surtirão efeito relevante não apenas para impulsionar as economias para um novo ciclo de crescimento, mas também seguirão tendo efeito colateral importante na continuidade de valorização dos preços dos ativos.
 
O ambiente atual é propício para revermos teorias e revermos conceitos, que sempre nos ajudaram a compreender melhor nossas tomadas de decisões e também o funcionamento dos mercados. O momento cabe retirar a poeira e reler importantes teorias, que são pilares para nosso entendimento sobre o mercado.    
 
A Hipótese de Mercados Eficientes (EMH), formulada por Eugene Fama, ganhador do Nobel de Economia em 2013, talvez tenha sido uma das proposições teóricas mais importante em finanças nos últimos 60 anos. A EMH domina ainda hoje os livros-texto de finanças, servindo de base para a Teoria Moderna do Portfólio, que se propõe a oferecer a melhor ferramenta técnica de gerenciamento de riscos e alocação de ativos de forma a maximizar os retornos. 
 
Resumindo de forma bem simples, a EMH pressupõe que os mercados mobiliários (ações, títulos de dívida etc) sempre refletem todas as informações disponíveis sobre os valores dos ativos.  
 
A EMH é baseada em duas construções mentais: a Teoria da Utilidade Esperada, desenvolvida por Bernoulli, e as Expectativas Racionais, pressuposto de Robert Lucas já citada nesse espaço algumas vezes. De uma maneira também muito simplificada essas duas proposições combinadas afirmam que os indivíduos são perfeitamente racionais, conhecem e ordenar de forma lógica suas preferências, procuraram maximizar a “utilidade” de suas escolhas e conseguem atribuir com precisão probabilidades aos eventos futuros quando submetidos a escolhas que envolvem incertezas.
 
Mas na prática, o comportamento publicamente observável dos agentes de mercado não é tão racional assim, o que foi fundamentado pelo desenvolvimento da Teoria da Perspectiva, origem das Finanças Comportamentais, campo que estuda os efeitos de fatores psicológicos e emocionais nas decisões dos indivíduos.
 
A Teoria da Perspectiva substitui o conceito de utilidade pelo conceito de valor. O aspecto central dessa teoria é a constatação de que os indivíduos atribuem maior importância às perdas do que aos ganhos.  Diferentemente da Teoria da Utilidade Esperada, onde utilidades positivas e negativas possuem pesos simétricos, na Teoria da Perspectiva, para o mesmo valor monetário, a percepção de dano causado por uma perda é aproximadamente duas vezes maior que a sensação de benefício produzido pelo ganho.  
 
No campo das teorias, a hipótese de racionalidade nas tomadas de decisão, sem dúvida, fica de pé. E na prática, dificilmente sociedades e indivíduos sobreviveriam e evoluiriam em ambientes competitivos, se não apresentarem um mínimo de racionalidade em suas decisões. Mas os mercados e o desenvolvimento da Teoria de Finanças Comportamentais comprovam que os mercados não são tão eficientes assim. No máximo, tendem à eficiência.    
 
Diante da tarefa árdua de tentar obter bons resultados num mercado tão competitivo e ao mesmo tempo lutar contra nossos próprios vieses e combater nossos próprios demônios e sabotadores internos, seguimos extremamente racionais e focados em adquirir e absorver conhecimento e conscientes das nossas interpretações, percepções e tomadas de decisões de investimentos que afetam nossos portfólios.
 
Rogerio Freitas, Equipe XP Advisory

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