Recap Semanal (23/11): Volatilidade é a melhor medida de risco num mundo de repressão financeira?

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Advisory



Já falamos aqui nesse espaço sobre volatilidade, mas ao longo do texto de hoje o leitor entenderá o motivo de voltarmos ao mesmo tema.

Poderíamos falar novamente sobre o conceito matemático da volatilidade, como simplesmente o desvio padrão de uma amostragem de uma série de dados. Ou pelo prisma do processo de precificação, significando a quantidade de incerteza que existe de se precificar o valor de um ativo. 

Poderíamos entrar mais a fundo sobre vários desses conceitos, mas a mensagem é que a volatilidade é algo inerente aos mercados. Oscilação de preço dos ativos é natural no processo de descobrimento de preço de um bem, serviço ou uma commodity. Na medida em que novas informações se tornam públicas, novas rodadas de marcação a mercado ocorrem, com os agentes buscando encontrar o novo preço de equilíbrio. Algumas dessas informações são relevantes para o curto prazo, mas irrelevantes para um horizonte mais longo.

Mas o ponto de hoje é se volatilidade é a melhor medida de mensuração de risco no mundo de juros reais negativos.

Para responder, antes precisamos entender o que é risco. 

À primeira vista, quando pensamos na palavra risco vem logo a ideia de algo ruim, uma coisa a ser evitada. Mas risco é realmente uma coisa ruim? Risco também não pode significar algo bom? Risco de ganhar certamente é bom. Então, risco também pode ser algo positivo. Risco pode ser visto tanto do lado de se perder, como uma chance de ganhar. Nesse caso, risco é uma chance ou oportunidade e, como toda chance também tem suas probabilidades. 

Aqui entramos no ponto central do texto de hoje. 

Dentro do ambiente de investimento em que viveremos nos próximos vários anos, de excesso de liquidez, taxa de juros zero, inflação moderadamente se elevando e, consequentemente, juros reais negativos por muitos anos, a volatilidade perde ainda mais seu papel de protagonista na mensuração de risco de um investimento.

Volatilidade não é mais um bom indicador se um investimento é bom ou ruim.

Como volatilidade é a dispersão de possibilidades do preço de um ativo, por exemplo, uma ação que vale R$100 tem o  risco de valer 10% cima ou 10% abaixo, uma empresa que se valoriza com o tempo também tem as chances de preços subindo ao longo dos anos. Se aquela mesma ação, daquela boa empresa, passar a valer R$200 depois de alguns anos, com o mesmo padrão de volatilidade, ela poderá valer os mesmos 10% acima ou abaixo desse novo preço. 

Assim, se um investidor comprar o ativo no momento mais alto no primeiro ano, isto é, R$110 e vender anos depois no pior momento, com a ação em queda dentro da volatilidade esperada, R$180, ainda assim ele obterá bom retorno, mesmo descontando a inflação do período.

Em outro caso, se o investidor aplicar os seus recursos, por exemplo R$100, em renda fixa pós fixada, com juros reais negativos e baixíssima volatilidade de 1%, depois de vários anos eles poderão valer R$80, com risco de valer 1% para cima ou 1% para baixo, isto é, R$80,80 ou R$79,20.

O ponto é que a volatilidade não indica o verdadeiro risco de longo prazo do investimento. Indica apenas a incerteza na precificação do ativo em um determinado momento. Na verdade, a volatilidade induz o investidor a não investir nos ativos que irão, de fato, proteger seu patrimônio da inflação ao longo dos anos. 

O investidor-padrão tem medo da volatilidade, mas esses ativos mais voláteis são os ativos que vão salvar seus patrimônios num mundo de repressão financeira e reflação de preços.

Deixar o patrimônio em renda fixa pós fixada vai fazer com que ele perca poder de compra ao longo dos anos. Ele vai se depreciar, como uma máquina que enferruja no fundo do quintal e ,depois de anos, terá perdido o seu valor. 

A melhor estratégia nesse momento é ligar o farol alto, olhar para o horizonte e aceitar os solavancos de pequenos quebra-molas no curto prazo. O farol baixo vai nos fazer freiar a cada pequena lombada, perder eficiência e rentabilidade no freia-e-acelera. O medo da volatilidade vai nos levar a nos escondermos na baixa volatilidade da renda fixa, na falsa sensação de baixo risco, e vai nos matar nos juros reais negativos. 

Private Investment Team

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