Recap Semanal (18/03): Política monetária em mudança

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Private Investment Team



A semana que começa promete importantes ajustes e sinalizações dos bancos centrais brasileiro e americano.

No Brasil, a autoridade monetária está numa situação mais desconfortável. Nas atuais circunstâncias, é recomendável que a taxa de juros seja ajustada tempestivamente. Banco Central brasileiro está atrasado e esse atraso não é pequeno.

A curva de juros embute uma probabilidade igual do BCB subir 0,50 ou 0,75. Mas a maioria dos analistas acredita numa alta de 0,50 e o mercado adiciona um prêmio de risco a mais na curva. De qualquer maneira, colocando todos os prós e contras, a situação atual mereceria um ajuste mais forte do que 0,50.

A expectativa de inflação embutida na curva de juros indica que a percepção do mercado é de desancoragem. A curva já embute inflações rodando perto de 4,75% ao longo de todos vencimentos. Lembrando que a meta é 3,75% para esse ano e 3,5% para 2022. O risco da inflação se elevar ao longo de 2021 e não ser apenas uma “corcova”, permanecendo alta e estourar a meta, é grande, se o BCB não agir firme e prontamente.

Apesar de toda incompetência do governo na gestão da pandemia e na aquisição das vacinas, mesmo considerando um cenário conservador, tudo leva a crer que o programa de imunização nacional avançará. Com isso, haverá um processo de reabertura e retomada mais firme da economia. Nessa circunstância, teremos aceleração do consumo de bens e serviços e recuperação do mercado de trabalho, o que gerará mais pressões inflacionárias ao longo do segundo semestre.

Após aprovação da PEC Emergencial com extrapolação do limite de teto de gastos e com desidratação dos gatilhos, juntamente com maior incerteza do lado político, o cenário fiscal ficou ainda mais nebuloso. Essas incertezas do lado fiscal têm pressionado mais o câmbio e ajudado a piorar ainda mais as expectativas de inflação.

Nesse ambiente, caberia a autoridade monetária agir prontamente e “front loaded” para conter a propagação de reajustes, conter a inércia inflacionária e impactos secundários do choque cambial. A postura do BCB deveria ser dura, agindo rápido, antecipando um remédio amargo, para evitar que a dose do ajuste necessário seja maior lá na frente. BCB deveria não apenas subir rápido a taxa de juros mas também endurecer o discurso do comunicado sobre a decisão.

Também nessa semana teremos o FOMC, comitê de política monetária do Federal Reserve. Em situação bem distinta, o Fed não está atrasado a ponto de ter que subir juros, mas alguma sinalização já se faz necessária.

O cenário da economia americana vem se tornando melhor e as expectativas de crescimento tem sido revisadas para cima consistentemente. Os dados econômicos e do mercado de trabalho tem surpreendido e, segundo a própria secretaria do Tesouro, Janet Yellen, os EUA devem atingir pleno emprego no meio de 2022.

Do lado do programa de imunização o panorama não poderia ser melhor. Uma declaração do presidente Joe Biden, afirmando que a população adulta estará imunizada já em 1o de maio, resume bem a situação.

Com excesso de liquidez, estímulos fiscais sem precedentes e com uma excelente implementação da vacinação, a perspectiva de retomada já no segundo trimestre vêm ganhando força, o que tem justificado revisões para um crescimento próximo de 8% em 2021. Mas esse cenário positivo também tem efeitos colaterais, que são as revisões nas expectativas de inflação e, consequentemente, no ambiente monetário. As expectativas de inflação já se encontram em patamares desconfortáveis.

Nesse sentido, o Fed pode sinalizar, através de um discurso mais otimista para economia ou um pouco mais preocupado com excessos ou através das suas próprias revisões de expectativas, no seu gráfico de pontos. No dot plot o Fed sinaliza ao mercado o que espera da economia, em termos de crescimento, inflação e taxa de juros.

Dito tudo isso, a semana pode ser mais uma semana difícil em termos de volatilidade de curto prazo para os mercados. Para nós, que construímos portfólios analisando um horizonte mais longo, preferimos bancos centrais prudentes, que agem sempre de forma independente, buscando estabilidade de preço. As vezes até duros, quando tiverem que ser, mas com objetivo de atingir as metas e cumprir seu papel dentro do sistema financeiro. Nesse sentido, se, tanto o BCB quanto o Fed, agirem firmes e duros, mas corretamente, apesar de gerar realização no curto prazo, vemos como positivo para o longo prazo. Essa volatilidade é mais oportunidade do que risco.

Private Investment Team

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