Morning Call Private (23/07): Roadmap XP Advisory

Veja a reflexão diária de Rogério Freitas, da XP Advisory



O texto de hoje tem como objetivo mapear o ciclo da recuperação da economia e dos mercados.

Como falado no texto de ontem, 23 de março, dia do anúncio do QE infinito pelo Federal Reserve, marcou a virada dos mercados. Esse dia também ficou marcado como o início da recuperação dos ativos de risco e o começo da fase 1 do ciclo.

A fase 1 da recuperação é o momento de maior assimetria favorável para se tomar risco. Mercados em modo de capitulação, agentes agindo de forma irracional, queimando ativos de muito valor a preços de barganha.

Nessa fase os mercados estão disfuncionais, baixíssima liquidez e, portanto, cash is king. Autoridades monetárias, fiscais e bancárias atuam de modo a estancar o risco sistêmico e utilizam ferramentas e políticas não convencionais e desproporcionais para tentar conter a crise.

Mercados estão comprimidos e o medo impera entre os agentes. Na primeira oportunidade de volta da racionalidade, os preços iniciam descompressão como uma mola. Efeito em preços é rápido. Existe ainda muito medo, muito risco, mas o upside é grande.

Ainda na fase 1, mercados recuperam a racionalidade e iniciam processo de volta à funcionalidade, com elevação da liquidez. Sentimento de medo retrocede e se inicia o espírito animal de aproveitar as oportunidades, comprando bons ativos ainda a preços muito atrativos. Mas não mais barganhas, como no início da fase.

Os primeiros sinais de recuperação da economia brotam, como os primeiros brotos verdes surgindo depois de uma devastação na floresta. Aqui iniciamos a fase 2 do ciclo.

Mercados estão encharcados de liquidez, injetados pelos bancos centrais, muito estímulo fiscal já foi implementado, os dados das economias já tomam uma clara tendência de melhora e, apesar disso, as taxas de juros ainda estão zero.

Livro-texto de banco central recomenda que a autoridade monetária, considerando os prós e contras, deva pecar pelo excesso de estímulo e não pela falta dele. Nesse sentido, BCs serão atrasados na retirada dos estímulos e manterão taxas de juros zero até não restar nenhuma dúvida que as economias realmente se recuperaram e podem andar com as próprias pernas.

A fase 2 é marcada pelo teste de novas máximas de preços. Nesse momento os agentes de mercado já perderam o medo, entraram no estágio de querer ganhar ainda mais, e testam até onde os preços podem atingir, mas ainda mantendo alguma racionalidade. Os analistas ainda fazem seus valuations, suas contas, com premissas cada vez mais otimistas, mas contas ainda são feitas. Ainda existe uma narrativa que justifica os níveis esticados dos múltiplos. Afinal, taxa de juros zero, excesso de liquidez, economias voltando a crescer, ambiente favorável às empresas, com pouca concorrência, margens altas, custo de mão-de-obra baixo e dinheiro barato, é uma história boa, que ainda justifica premissas otimistas.

Nesse momento, maior parte dos mercados já atingiram as máximas pré crise, alguns deles já ultrapassaram esses níveis e estão em águas inexploradas.

A terceira e última fase é o momento que os dados econômicos ganham tração e o cenário de recuperação dos bancos centrais começam a se concretizar de forma mais óbvia. São divulgados dados bons da economia real e das empresas de forma recorrente. Taxa de desemprego começa a atingir níveis de antes da última crise, assim como as taxas de ocupação da indústria, construção civil, importação e exportação crescendo a taxas elevadas, custo do frete também se eleva, os preços das commodities estão atingindo níveis altos e a inflação começa a mostrar indicadores desconfortáveis.

Mas, como ainda existe excesso de liquidez e taxa de juros extremamente baixas, mercados entram em estágio de total irracionalidade. É o momento da exuberância irracional.

No meio para o final da fase 3 as autoridades se sentem confortáveis para iniciar processo de normalização das suas políticas, iniciando elevação na taxa de juros e retirando excesso de liquidez. Entramos nos momentos finais da festa, na hora em que os bancos centrais iniciam retirada do álcool. A festa ainda pode durar mais algum pouco tempo, mas já não existe mais bebida e a música parou. Quem saiu, saiu. Já não existe mais bons ativos a preços que fazem sentido e a realidade da necessidade de um forte ajuste dos excessos incorridos chegou. É o fim da festa.

Este é o nosso roadmap daqui para a frete. Estamos agora no meio da fase 2. Ao longo dos próximos 6 ou 12 meses, dependendo dos dados econômicos e dos níveis de preços de mercado, nos encaminharemos para a fase 3. Se os dados não mostrarem sólida recuperação econômica, a fase 2 pode durar mais tempo. Na última fase iniciaremos modo de ajuste de posições, reduzindo risco, nos preparando para os estágios finais, de forte ajuste de preços, e montando grandes proteções dos portfólios. Ainda é cedo para isso, mas, como bons soldados, preferimos errar por estarmos preparado muito tempo antes da guerra do que depois dela.

Equipe XP Advisory

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