Morning Call Private (06/08): Admirável Mundo Novo

Veja a análise diária dos especialistas da XP Advisory



Como no romance de Aldous Huxley, que contrapõe duas sociedades hipotéticas, uma ultra civilizada e outra com costumes “selvagens” do passado, estamos atualmente num ambiente totalmente diferente do que vivemos anos atrás. E quem não enxergar que estamos num admirável mundo novo, vai ficar para trás e verá seu patrimônio perder valor ao longo do tempo.

É indiscutível que hoje o mundo trabalha com taxas de juros reais de equilíbrio bem mais baixas do que no passado e, muito provavelmente, seguirá trabalhando no futuro. Mesmo em momentos de expansão recentes, a necessidade de elevação da taxa de juros para desacelerar a economia e conter a elevação da inflação foi absurdamente mais baixa do que a necessária no passado. Em outras palavras, o efeito da variação da taxa de juros, ou elasticidade-juros na atividade, vem se reduzindo a cada ano.

Nessa direção, aumentou a importância da política fiscal para estimular a atividade nos períodos de contração econômica. Um risco que tem que ser monitorado, dado que política fiscal contracíclica nas mãos de políticos não costuma ter final feliz. Todavia, nesse mundo novo, ou nesse experimento macroeconômico, o ambiente monetário está indo ao limite e a consequência é a compressão dos yields. Nesse mundo desbaseado, o prêmio de risco embutido nos preços de todos os ativos que têm capacidade de ser reserva de valor estão despencando. Um desses exemplos é o equity risk premium (prêmio de risco de ações) de boas empresas com capacidade de crescimento. Como consequência, quando os yields caem, os preços sobem.

De novo, os efeitos do excesso de liquidez, dos juros reais negativos e da promessa dos bancos centrais de manter juros zero por muito tempo têm poder de alterar de forma relevante os preços dos ativos. Não apenas no cálculo do valor presente do fluxo de caixa de uma empresa, mas também na capacidade de reserva de valor das moedas e ativos.

Mais interessante é que dessa vez a economia brasileira está participando do mesma experimento macroeconômico que o mundo. Copom cortou ontem Selic para 2% e, apesar de ter sinalizado fim do ciclo, nada impede que no futuro o BCB volte a cortar juros para níveis hoje impensáveis. Nós, diferentes da maioria, estamos mantendo nossas mentes abertas, sem apego ao passado selvagem, tentando analisar e antecipar como os ativos se comportarão nesse “brave new world”. Uma certeza nós já temos, a maneira de se preservar valor já não é mais a mesma do passado.

Equipe XP Advisory

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