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Selic em 12,75%? Saiba o que esperar para a renda fixa após o Copom

Nos dias 3 e 4 de maio, ocorrerão as próximas reuniões do Copom. A expectativa é de nova elevação da taxa de juros. O que isso significa para a renda fixa?

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Caso não tenha familiaridade com a curva de juros, sugerimos a leitura deste conteúdo: O que é a curva de juros?

  • Nos dias 3 e 4 de maio, ocorrerá a próxima reunião do Copom.
  • Vemos dois cenários como mais prováveis:
    1. Cenário-base: Elevação de 1,0 ponto percentual (pp), com comunicado mais aberto para a próxima reunião.
    2. Cenário alternativo: Elevação de 1,0 pp, porém já sinalizando o que esperar para junho.

Nesta semana, nos dias 3 e 4 de maio, ocorrerá a próxima reunião do Copom em 2022. Para a decisão, a grande maioria do mercado, aguarda um aumento de 1,0 pp, o que elevaria a Selic a 12,75%. Nossos economistas da XP enxergam este mesmo cenário base:

A análise de dados desde o último Copom não aponta alívio para a dinâmica de preços. A inflação continua em nível alto, as projeções para 2022 e 2023 aumentaram e o ambiente global se deteriorou. Nossas simulações replicando o modelo do Copom sugerem alta da projeção do IPCA para 2022 de 7,1% para 7,8%, e estabilidade em 3,4% para 2023 em relação à reunião de março; Esperamos alta de 1,0pp na taxa Selic nesta reunião. Como o cenário de inflação continua pressionado e incerto, entendemos que o Copom optará por deixar a porta aberta para um possível reajuste adicional em junho.

A comparação entre as expectativas do mercado nas vésperas do Copom de março e agora ajudam a entender o cenário:

IndicadorExpectativas na semana do último Copom (março) Expectativas atuais
DI Jan/23~13,3%~13,1%
DI Jan/27~12,5%~12,0%
Câmbio (R$/US$) 2022 (Focus – Mediana)5,305,00
Câmbio (R$/US$) 2023 (Focus – Mediana) 5,205,04
IPCA 2022 (Focus – Mediana)6,45%7,89%
IPCA 2023 (Focus – Mediana)3,70%4,10%
Selic 2022 (Focus – Mediana)12,75%13,25%
Selic 2023 (Focus – Mediana)8,75%9,25%
Fontes: Anbima e Banco Central (Boletim Focus). Elaboração: XP.

O que esperar para a renda fixa?

Além de precisarmos acompanhar qual será a decisão do Copom sobre a taxa Selic, é necessário nos atentarmos ao comunicado sobre os planos do BC para a política monetária, que guiarão as expectativas para os juros nos próximos meses.

Com base nisso, o que o Copom dirá desta vez? Enxergamos alguns cenários como prováveis:

Cenário 1: +1,0 pp com comunicado aberto

Cenário base: Esperamos elevação de 1,0pp na taxa Selic nesta reunião. Como o cenário para a inflação segue desafiador, entendemos que o Copom optará por deixar a porta aberta para um ajuste adicional em junho.

O Copom vem sinalizando que a taxa Selic em 12,75% é suficiente para trazer a inflação para a meta no horizonte relevante. Porém, a dinâmica desfavorável de inflação, que deve continuar em junho, poderá fazer o comitê mudar de ideia. Assim, após a alta de 1pp esta semana, acreditamos que o Copom poderá entregar uma última alta de 1pp na reunião seguinte, levando a Selic para 13,75%.

Para a reunião de junho, o mercado tem hoje as seguintes expectativas (tendo como base Selic de 12,75% na reunião atual):

Expectativa – Copom JunhoProbabilidade
Elevação para 13,25% (+0,5pp)~40-42%
Manutenção em 12,75% ~29-31%
Elevação para 13,75% (+1,0pp)~13-15%
Fonte: B3 (Opções de Copom). Elaboração: XP.

Ou seja, o cenário está ainda dividido em relação a qual será a indicação do Banco Central à frente. Se o nosso cenário base se concretizar (BC deixando em aberto o que fará em junho), acreditamos que a interpretação do mercado será no sentido de acreditar em nova elevação na próxima reunião. Com isso, as taxas curtas de juros deverão se elevar em cerca de 0,2p.p.

O que é a curva de juros?

Quais ativos vão melhor neste cenário?

Títulos prefixados e indexados à inflação de prazos curtos: desvalorização
Títulos prefixados e indexados à inflação de prazos longos: valorização

Em caso de concretização deste cenário, os títulos prefixados e indexados ao IPCA de prazos mais curtos apresentariam desvalorização, criando eventuais oportunidades para investidores que buscam esses indexadores e prazos para composição de carteira.

No caso de valorização dos títulos de vencimentos longos, principalmente prefixados e IPCA+, haveria a possibilidade de ganhos de capital para aqueles investidores que já detivessem os ativos. Vale, no entanto, ressaltar a importância de ter cautela e se atentar ao seu perfil de investidor e alternativas de alocação ao tomar a decisão.

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Cenário 2: +1,0pp com sinalização de final de ciclo (dovish)

Elevação da taxa Selic em 1,0 pp, para 12,75%, porém com comunicação que sinalize que o BC acredita que este é o final do ciclo de altas na taxa básica de juros.

Este cenário estaria mais alinhado às indicações que já foram dadas pelo presidente do BC em ocasiões recentes, embora não seja nosso cenário base, uma vez que as condições globais e pressões inflacionárias vem piorando.

Sob este cenário, haveria potencial de inclinação na curva de juros, com as taxas de curto prazo reduzindo em cerca de 0,4p.p., para se adequarem à indicação de manutenção de juros para a próxima reunião. (e não de alta, como parte do mercado espera).

Em ambos os cenários, os ativos pós-fixados se mantêm como os mais conservadores do mercado e se beneficiam da alta na Selic, uma vez que sua remuneração acompanha a taxa básica de juros.

Exemplos de investimentos

Curto prazo (Pré e IPCA+): No caso de títulos públicos, há as LTNs e NTN-Fs com vencimento até 2024 e NTN-Bs com vencimentos até 2026. Estes títulos são prefixados e indexados à inflação, respectivamente. Nem todos estão disponíveis no Tesouro Direto, podendo ser acessados via mercado secundário.

Longo Prazo (Pré e IPCA+): Títulos com duration (prazo médio de vencimento) acima de 5 anos como por exemplo NTN-Bs que vencem a partir de 2028. É preciso ter cautela ao buscar ativos com prazos muito longos.

Há também títulos bancários e de crédito privado, que podem apresentar comportamento semelhante aos citados para títulos públicos.

Pós-fixados: Tesouro Selic, além de LFTs negociadas no mercado secundário e títulos bancários e de crédito privado com a mesma característica de acompanhar a taxa Selic. Vale notar, no entanto, que estes títulos podem sofrer oscilações, embora menores do que os prefixados e indexados à inflação. Para reduzir o risco de variações antes do vencimento, procure títulos de prazos mais curtos.

Títulos Públicos: Tesouro Direto ou Mercado Secundário? Entenda como investir

O que pode acontecer de diferente?

Tudo o que apresentamos aqui leva como base apenas a reunião do Copom dos dias 3 e 4 de maio, sua decisão e posterior comunicado. No entanto, devemos ter em mente que, além de os cenários analisados serem apenas expectativas (ainda que com base em observações anteriores), outras forças agem no mercado diariamente que muitas vezes fogem do radar.

Como exemplo, podemos citar movimentos nos mercados externos que podem ter efeito sobre a percepção de risco global e, consequentemente, local, como a escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia e seus impactos, ou até mesmo acontecimentos no cenário político-econômico nacional que podem exaltar ou acalmar os ânimos dos agentes para além do que for decidido na reunião, assim como piora adicional na percepção do risco fiscal.

Tendo isso em mente, é importante sempre acompanhar as principais movimentações e análises de mercado para ajudar na melhor tomada de decisão, além de sempre considerar seu perfil de investidor(a) para melhor estratégia de composição de carteira.

Gostou? Tem alguma sugestão? Não deixe de avaliar e deixar seus comentários!

Glossário

Entendendo os termos sobre as condutas do Banco Central

Dovish: A origem vem da palavra dove, pomba em português. Sinaliza uma conduta do Banco Central mais confiante de que o cenário de inflação não será um problema, e, portanto, pendente a adotar uma política monetária expansionista ou menos restritiva para estimular a economia.
Hawkish: A origem vem da palavra hawk, falcão em português. Sinaliza uma conduta do Banco Central preocupada com os riscos inflacionários, e, portanto, pendente a adotar uma postura monetária mais dura, com subidas mais fortes na taxa de juros, ainda que isso possa prejudicar o emprego e a atividade no curto prazo.

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Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.

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