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O setor de Varejo Supermercadista

Um resumo das principais características do setor de varejo alimentar e o seu momento atual.

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O mercado de varejo se resume na venda de produtos diretamente para o consumidor final, atendendo suas demandas de forma customizada e individual. O setor supermercadista é um segmento importante para o varejo alimentar e movimentou mais de R$ 600 bilhões em 2021 nas mais de 92 mil lojas espalhadas pelo país.

As grandes empresas do varejo buscam através do mercado de capitais financiar projetos que vão desde a expansão de lojas, aquisições, investimento em marcas próprias, ou até mesmo para obter liquidez para suas operações.

Pontos de Destaque

Resiliência: Supermercados e Hipermercados são resilientes a períodos de crise econômica, dado que trabalham com bens essenciais e diversificação de produtos e marcas. Em casos de queda de poder de compra, o consumidor pode optar por bens substitutos, mas a necessidade de se alimentar continua.

Poder de mercado: As maiores empresas possuem vantagem competitiva de escala, liderança regional, melhores índices de eficiência e pontos comerciais estratégicos.

Resultados recentes positivos (e boa perspectiva): Nos últimos dois anos, a pandemia da covid-19 impulsionou os resultados do varejo alimentar, na medida em que a população passou a fazer mais refeições em suas casas, fosse por restrições de locomoção ou por buscar economizar, fazendo mais compras no atacarejo.

Pontos de atenção

Dinamismo: O setor tem passado por mudanças estruturais. Conversão de lojas para outros formatos e alterações de estratégias comerciais fazem com que as companhias sempre precisem se adaptar e buscar inovações para aumento de eficiência da venda por metro quadrado, atendendo a novas demandas dos consumidores.

Fatores econômicos: O setor é muito correlacionado com nível de atividade econômica e variáveis macroeconômicas ligadas ao consumo, como emprego, inflação e confiança. Cenário macro pode trazer maiores dificuldades dependendo do rumo da economia.

Estímulos de curto prazo do governo : A PEC dos Auxílios representa um potencial de 1% a 2% de aumento nas vendas do varejo em 2022, podendo acabar em 2023.

O setor de varejo e os seus segmentos

Por definição, uma empresa de varejo é aquela que trabalha com a venda de bens e/ou serviços diretamente para o consumidor final. No conceito amplo de uma empresa que vende produtos físicos aos clientes, as varejistas serão aquelas lojas que os produtos podem ser vendidos em pequenas quantidades ou frações, atendendo a demanda de forma individual para quem de fato irá consumi-lo. Este entendimento é importante para diferenciar do setor atacadista.

No atacado, a venda de bens é feita para revendedores varejistas. Ou seja, os atacadistas atuam no meio da cadeia de suprimentos, com foco de venda em maiores quantidades e distribuição eficiente de diferentes fabricantes. Os atacadistas não priorizam a experiência da compra, mas sim a sua logística e preço.

Dentro da dinâmica da cadeia de produção até a venda para o consumidor, temos os modelos de B2C e B2B, que são abreviações para os termos em inglês Business-to-Consumer e Business-to-Business, respectivamente. O primeiro é o modelo de negócio em que a empresa de varejo é a própria fabricante, disponibilizando seus produtos diretamente para o consumidor final. Já no segundo caso, a estrutura do negócio funciona como um intermediário entre a fabricante e o público comprador.

O formato de negócio também poderá se distinguir de acordo com a estratégia de venda no varejo, levando em consideração o público-alvo, concorrência, espaços físicos e experiência do cliente. Algumas opções mais tradicionais são os supermercados, lojas de departamentos, armazéns, outlets, franquias e concessionárias. O e-commerce é uma modalidade digital que vem crescendo há mais de uma década e acelerou em 2020, durante a pandemia da covid-19.

Por fim, vale destacar que as empresas varejistas terão suas características de mercado singulares quando seus produtos forem de apenas um segmento, ou atingindo um nicho de consumidores específico.

Neste relatório abordamos o setor varejista de supermercados, no qual as empresas atuam com produtos de forma abrangente e majoritariamente com lojas físicas. Porém, destacamos que no universo varejista a classe de supermercados divide espaço com empresas de segmentos específicos de consumo como farmácias (remédios, higiene pessoal e estética), vestuário (roupas e calçados), eletrônicos, hortifrutigranjeiros (alimentos não processados), entre tantos outros segmentos de varejo presentes. 

Supermercados – Concorrência e Regionalização

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) realiza anualmente um levantamento de números do setor de varejo. Na última edição, em abril de 2022, destacou números importantes do varejo supermercadista brasileiro que nos ajudam a compreender a estrutura microeconômica do setor no Brasil.

Existem mais de 500 super e hipermercados espalhados pelo território brasileiro, sendo um setor altamente pulverizado. Por outro lado, as 50 maiores empresas (classificadas por faturamento anual) representam mais da metade do setor. Essa concentração foi intensificada nos últimos três anos, como podemos notar no gráfico abaixo, independentemente do recorte de 10, 20 ou 50 maiores empresas por faturamento nos anos de 2019, 2020 e 2021.

Fonte: ABRAS 2022 | Elaboração XP

As 10 maiores empresas supermercadistas representam juntas uma fatia de pouco mais de um terço de todo faturamento do setor. Porém, existe um fator de regionalização das marcas, com diferentes lideranças por região. Nestes locais, a penetração das maiores empresas não é óbvia e, por isso, não necessariamente concorrem diretamente.

Fonte: ABRAS 2022 | Elaboração XP

Na composição do ranking das dez maiores empresas do varejo alimentar por faturamento em 2021 conseguimos destacar exemplos de lideranças regionais. Carrefour Brasil, com as marcas de supermercados como o próprio Carrefour, Carrefour Express, Sam’s Club e BIG, apresenta forte presença na região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo. O Grupo Mateus concentra suas operações na região Nordeste, líder no estado do Maranhão. Já o Grupo Zaffari aparece na região Sul, com forte fidelização dos clientes de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Entre os motivos para a concentração de marketshare por região podemos destacar os melhores índices de eficiência pelas empresas maiores. Segundo os dados mais recentes da ABRAS mostrados abaixo, as maiores empresas do setor varejista de supermercados possuem as melhores relações de faturamento anual por funcionário ou por metro quadrado das lojas, evidenciando retornos crescentes de escala – quanto maiores em área e número de funcionários, maiores suas receitas por área e colaboradores. Deste modo, faz sentido uma empresa grande de varejo alimentar priorizar um território de atuação ao invés de pulverizar as lojas em todas regiões do país.

Fonte: ABRAS 2022 | Elaboração XP

Por fim, pela mesma ótica de eficiência com a escala, outro ponto importante para a dominância de poucas e grandes empresas na participação das receitas desse mercado é a tendência de fusões e aquisições.

Estrategicamente, dada a escassez de grandes terrenos localizados em pontos estratégicos, principalmente em grandes capitais, pode ser mais conveniente e barato converter lojas de outras redes do que buscar um bom ponto para construir e expandir a própria rede a partir daí, reaproveitando assim a infraestrutura logística e de armazenagem das lojas já construídas, com preços mais interessantes, além de conseguir pontos que não estão mais disponíveis no mercado. Por este motivo, nos últimos anos foi recorrente a troca de letreiros em lojas de super e hipermercados pelo Brasil.

Movimento do “Atacarejo” e marcas próprias

O setor de varejo, de modo geral, é muito dinâmico, se adaptando aos desafios do mercado e exigências dos consumidores. Além do crescimento e consolidação do canal de e-commerce nos últimos anos, desde 2010 um formato chamado de “atacarejo” vem ganhando espaço nas empresas varejistas.

O atacarejo – que é uma combinação das palavras atacado e varejo – é um formato de loja no qual a loja física pode atender diretamente os consumidores finais dos produtos vendidos, com menos foco na experiência de compra pelo cliente, como ocorre em um supermercado tradicional, e mais nos preços baixos, possíveis devido ao menor custo de operação e menor número de intermediários na cadeia.

Nessas estruturas, os consumidores podem comprar unidades de produtos por um determinado preço e quantidades maiores por um valor mais atrativo. O modelo vem sendo muito bem aceito pelos brasileiros, que possuem o histórico de compras grandes do período inflacionário que popularizou a “compra de mês”, uma vez que os assalariados precisavam realizar suas compras o mais rápido possível quando recebiam seu salário, desprotegido da alta dos preços.

Com a procura por preços mais competitivos, a aderência do público pessoa física fortaleceu o segmento de atacarejo e movimentou a alocação de receitas das grandes empresas, revisando a estratégia das lojas. Uma pesquisa com base em 81% das empresas do ranking de faturamento da ABRAS mostra como a alocação de receitas das marcas no formato atacarejo já se aproxima dos recursos destinados para os supermercados varejistas convencionais.

Fonte: ABRAS 2022 – Base: 81% das empresas do ranking ABRAS | Elaboração XP

Além do atacarejo como estratégia de melhorar a lucratividade das empresas, a utilização de produtos de marcas próprias funciona como fator de aumento de margem nas vendas.

Os grandes supermercados conseguem usar distinção de preços entre seus produtos e de terceiros dentro das lojas de forma a beneficiar os produtos de marcas próprias, que sem intermediários e riscos de oscilação de preços dos fornecedores podem gerar uma maior margem de lucro por produto vendido. Porém, apenas um quinto das empresas do varejo supermercadista conseguem investir em produtos próprios, devido à complexidade da operação ou falta de conhecimento, por parte do público, do nome da marca. Mais uma vez, as maiores e mais conhecidas pelo público possuem maior facilidade de uso dessa estratégia.

Fonte: ABRAS 2022 | Elaboração XP

Além de produtos industrializados de marca própria, os supermercados com foco na experiência do consumidor investem em produtos de marca própria que gerem diferenciação de oferta e personalização de produtos, normalmente nos segmentos que atuam com classes de renda mais altas, que por sua vez são mais resilientes aos preços. Acima podemos notar a participação de vendas de produtos de marca própria pelas empresas que utilizam essa estratégia. O destaque são as seções de produtos como padaria, confeitaria, mercearia seca e outros produtos perecíveis (industrializados ou não).

Pandemia e o isolamento social

Diferente de outros setores da economia que sofreram com a crise da covid-19, ou até mesmo para o setor de varejo de produtos considerados não essenciais pelo governo, a pandemia iniciada no fim do primeiro trimestre de 2020 afetou positivamente o resultado dos super e hipermercados brasileiros. A margem de lucro líquido média subiu de 2,4% em 2019, para 2,7% em 2020. No ano seguinte, atingiu 2,9% na média de 471 empresas analisadas pela ABRAS.

Fonte: ABRAS 2022 | Elaboração XP

A principal explicação para o impulso da lucratividade dos supermercados em um cenário conturbado de crise sanitária e isolamento social foi a função de prover os bens essenciais diretamente à população, sem ter a proibição de funcionamento como ocorreu com maioria do comércio e atendimento de serviços.

Em contrataste com a situação vulnerável de bares e restaurantes, por exemplo, o varejo alimentar ganhou tração durante os lockdowns na medida que as pessoas precisavam comer em casa. Além disso, o excesso de poupança da classe média, somado a um cenário de expansão monetária (taxa Selic na mínima histórica) e transferências de renda do governo, trouxeram aumento nas vendas de produtos de “linha branca”, que são eletrodomésticos em sua maioria. Essa antecipação de consumo de bens duráveis perdeu força no fim de 2021.

Relação com o cenário macroeconômico

O setor de varejo está intimamente relacionado às variáveis macroeconômicas que impactam o consumo das famílias, como o emprego, poder de compra (inflação), confiança no consumo e crédito. Para os supermercados, cenários macro desafiadores tendem a dificultar os resultados das varejistas, mas os segmentos de bens e serviços essenciais se mostram resilientes por conta da necessidade do consumo, tais como alimentos e higiene pessoal.

Fonte: IBGE | Elaboração XP

No gráfico acima, notamos a baixa volatilidade das vendas no varejo de supermercados (em amarelo), explicada pela pulverização de produtos e marcas oferecidas, além de conter grande parcela de bens essenciais vendidos nas lojas. Empresas varejistas de segmentos específicos como mobília e eletrodomésticos sofrem de maior variação nas vendas dependendo de acessibilidade ao crédito ou, no caso de 2020, o fechamento temporário das lojas físicas.

Segundo dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia, por exemplo, mais de 900 mil ocupações com carteira assinada foram criadas entre janeiro e maio deste ano, já excluídas as influências sazonais. Na mesma linha, em julho, a publicação da PNAD Contínua do IBGE apresentou em queda expressiva da taxa de desemprego no período: de 11,5% para 9,3%. Porém, os últimos dados de rendimento real do trabalho permanecem muito aquém dos patamares vistos antes da crise da covid-19.

Assim, notamos abaixo que a redução na taxa de desemprego não é suficiente para estabilizar a inadimplência e compressão no poder de compra dos consumidores do varejo brasileiro. A alta no preço internacional das commodities, como agrícolas e proteínas, pressiona a inflação individual das classes de renda mais baixas.

A inflação em dois dígitos, combinada com uma sequência de choques externos que vão de crise sanitária global a até guerra na Europa, trazem para 2022, ano eleitoral, o cenário de incertezas propício para a piora na confiança do consumidor e dos empresários. Isso pode ser visto nos índices da FGV de confiança do consumidor e do varejo dos últimos anos, que tiveram suas mínimas antes do impeachment da presidente Dilma, mas seguem apontando ainda um tom de pessimismo à frente pela parte do consumo e dos investimentos privados.

Diante do cenário macroeconômico mais desafiador e de seus efeitos colaterais no consumo, o governo vem buscando formas de proteger o poder aquisitivo dos brasileiros por meio de reduções de impostos (por exemplo, corte de ICMS para reduzir os preços dos combustíveis) e benefícios sociais. Nesse contexto, uma nova Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que foi aprovada em 22 de julho, permite o aumento do Auxílio Brasil (de R$ 400 para R$ 600/mês) além de oferecer benefícios adicionais, como um auxílio bimestral para pagamento de gás e combustível para caminhoneiros e taxistas. Essa injeção de recursos públicos afeta diretamente consumo agregado.

O Varejo deve ser um dos principais destinos de gastos, mas o efeito não deve ser material. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor varejista deve ser beneficiado em aproximadamente 40% dos recursos da PEC, sendo o restante destinado ao pagamento de dívidas e serviços. Embora pareça muito relevante à primeira vista, isso representa um potencial aumento de 1% a 2% nas vendas do varejo para o ano. Em termos de segmentos, os alimentos e vestuários devem ser os mais beneficiados. Com isso, esperamos que o auxílio seja um vento a favor mais material para o varejo alimentar no curto prazo, mas sem projeção de continuidade desse estímulo no ano que vem.

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