Voiter (ex Banco Indusval)

Entenda aqui quem é o Banco Voiter.


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Este é um relatório informativo sobre o emissor. Para informações sobre taxas de CDBs, LCIs, LCAs, LCs, acesse a Plataforma da XP.

Caso não tenha familiaridade com o setor bancário, sugerimos leitura dos seguintes artigos: Balanço de bancos: saiba como analisar a saúde financeira das instituições, Bancos Médios: conheça as principais frentes de atuação das instituições e Saiba tudo sobre o FGC.

Destaques positivos

  • Melhora na qualidade da carteira.
  • Crescimento das receitas financeiras.
  • Acionista comprometido com aportes.

Pontos de atenção

  • Rentabilidade pressionada.
  • Necessidade de novos aportes.
  • Carteira legado.

Para a leitura dos fatores de crédito do Voiter, utilizamos como referência as demonstrações do conglomerado societário, que também englobam operações não financeiras, as quais enxergamos como relevantes para a análise da qualidade de crédito do banco. Portanto, os números aqui reportados podem divergir dos dados divulgados pelo Banco Central do Brasil.

O Voiter é parte do mesmo conglomerado financeiro do Smartbank.

Ao investir em um dos ativos do Voiter elegíveis à garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como CDB, LC, LCI e LCA, o investidor está coberto até o limite de R$250 mil*.

Letras Financeiras (LFs) não são garantidas pelo FGC.

Quem é o Voiter?

História

O Banco Indusval foi fundado em 1991, voltado para a concessão de crédito corporativo para o segmento de Empresas Emergentes e Corporate.

Seu IPO foi realizado em 2007, com capitalização de R$ 227,5 milhões. Ao final daquele ano, foram abertas agências no Rio de Janeiro, Maringá, Uberlândia, Porto Alegre e Campo Grande.

Em 2011, o banco deu início à nova fase de expansão, quando houve aumento de capital de R$ 201 milhões. Naquele ano, sua marca foi reposicionada como Banco Indusval & Partners (BI&P).

Sua corretora foi renomeada para Guide Investimentos em 2013, como parte da estratégia de aumentar a atuação no segmento de varejo alta-renda. Junto com o novo nome, foi lançada uma plataforma aberta para distribuição de produtos financeiros.

A recessão do final de 2014, que se agravou significativamente nos anos seguintes, impactou o balanço da maior parte dos bancos de nicho, que possuíam exposição excessiva a determinados segmentos da economia. No caso do Indusval, a quebra da comercializadora de soja e milho Ceagro, em 2015, deflagrou um período árduo para o banco.

Ainda em busca do reequilíbrio financeiro, vendeu cerca de 69% do capital da Guide Investimentos para o grupo chinês Fosun em 2018, além de ter realizado a alienação de ações e aquisição de bônus de subscrição.

No início de 2019, o Indusval passou por um grande movimento de mudança para buscar recuperar seu desempenho financeiro e operacional. Após a realização de consecutivos aportes de capital, o empresário do agronegócio Roberto de Rezende Barbosa tornou-se o maior acionista da instituição.

Naquele ano também houve troca total da administração, com o executivo Fernando Fegyveres (ex-Itaú BBA) sendo contratado para ser o CEO, e venda da participação ~20% remanescente que o banco detinha na Guide.

Ainda em 2019 foi lançado o Smartbank, plataforma de produtos bancários, que começou a ser desenvolvida no fim de 2017 em parceria com o fundo americano The Hive.

Nova marca

Para demonstrar mais claramente suas novas atividades e diretrizes, em 2020 sua marca foi alterada e foi proposta uma reorganização societária.  A proposta de reorganização passou pela criação de uma holding – mantendo Roberto Rezende Barbosa como acionista majoritário e controlador – e pela cisão das 3 unidades de negócios:

  • Voiter: Segue na linha de negócios estabelecida pela nova administração e com ativos nos segmentos Corporate, Agro, Energia, Tecnologia (Nova Economia), entre outros.
  • Smartbank: Braço de Banco Digital do Grupo.
  • Banco legado: Ficará com a carteira legado de operações não rentáveis em setores nos quais o Voiter não tem interesse em ter exposição, além de carteira inadimplente, gerada em anos anteriores a esta administração.

Ao fim de julho de 2020, o conselho de administração do Voiter aprovou a reestruturação societária proposta e criou a holding NK 031 Empreendimentos e Participações.

No último mês de dezembro, a holding incorporou a totalidade das ações em circulação do Banco Indusval, fazendo com que deixasse de ser listado na B3. Em fevereiro de 2021, foi aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o cancelamento do registro do Banco como companhia aberta.

Em abril de 2021, o SmartBank passou a se chamar LetsBank e adquiriu a fintech IOUU, especializada em empréstimos peer-to-peer para empresas. Sua estratégia também foi alterada para focar as atenções no mercado de PMEs.

Em julho, o LetsBank deixou de ser uma subsidiária do Voiter, como proposto na reorganização societária, tendo sua participação transferida à NK 031.

Atuação

Em 2019, o banco passou por um reposicionamento estratégico para buscar recuperar seu desempenho financeiro e operacional. O posicionamento do Voiter é ser um banco de serviços a seus clientes. Os principais focos de atuação são:

  • Empresas.
  • Produtores Rurais.
  • Empreendedores.
  • Investidores.

Com ênfase setorial em:

  • Agronegócio.
  • Tecnologia e Nova Economia.
  • Energia.
  • Infraestrutura.

Presença

O Voiter possui cinco agências no Brasil, localizadas em São Paulo, Campinas (SP), Lucas do Rio Verde (MT), Belo Horizonte (MG) e Varginha (MG). e uma nas Ilhas Cayman.

Fonte: XP Investimentos, Banco Voiter.

Principais fatores de crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “2T21” significa “segundo trimestre de 2021” e 1S21 “primeiro semestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 4T20 seria o quarto trimestre de 2020).

Para mais informações sobre análise de crédito de bancos, clique aqui.

Carteira de crédito

Fonte: XP, Banco Voiter.

Após forte contração da carteira para reduzir a exposição ao risco, a carteira de crédito do Voiter vem apresentando crescimento desde 2019, refletindo o atual posicionamento estratégico do banco. Destaca-se o início das operações de compra de cotas de fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDC) de crédito consignado.

Em 2020, a crise da covid-19 atingiu o Voiter em meio ao seu processo de reestruturação. Apesar disso, o banco manteve seu plano de expansão, através de uma postura seletiva na concessão de novos créditos.

No 1S21, sua carteira de crédito classificada somou R$ 705,9 milhões, crescimento de 24,4% em relação ao saldo de 2020. Como destaque, a carteira de Empréstimos e Financiamentos avançou 37,4% no mesmo intervalo para R$ 375,4 milhões, encerrando o semestre com participação de 53,2% na carteira classificada.

Enquanto isso, a carteira de crédito expandida, que soma à carteira de crédito classificada garantias emitidas, títulos agrícolas e de crédito privado, antecipação de recebíveis de cartão e cotas de FIDCs, apresentou menor avanço, de 12,9% para R$ 2,1 bilhões.

A linha de Títulos Agrícolas, segmento mais representativo da carteira expandida do banco, com participação de 34,5%, apresentou retração de 5,4% no 1S21 ante 2020 para R$ 723,1 milhões. Ao mesmo tempo, o braço de FIDCs avançou 30,0% para R$ 446,5 milhões

Fonte: XP, Banco Voiter.

Houve significativa melhora na qualidade da carteira de crédito: os créditos classificados nas categorias D a H, segundo a Resolução BC 2.682/99, encerraram o 1S21 em 3,6%, ante 14,3% no 1S20 e 8,9% ao fim de 2020. O indicador havia atingido 30,9% ao fim de 2017.

Espera-se que, com a continuidade da nova estratégia e melhora no cenário econômico, a inadimplência estabilize em patamares baixos.

Como reflexo, a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), que totalizou R$ 99,8 milhões no 1S20, valor referente a 25,6% da carteira, apresentou contração anual de cerca de 75% para R$ 25,3 milhões, ou 3,6% da carteira classificada.

Rentabilidade

Apesar da melhora operacional significativa, o resultado do conglomerado ainda reflete seu legado (carteiras que estão sendo descontinuadas) e os gastos com a reformulação do Letsbank: o banco registrou prejuízo líquido de R$ 59,4 milhões no 1S21, ante -R$ 190,7 milhões no 1S20. Aponta-se que o prejuízo no 1S20 foi afetado por efeitos não recorrentes.

Fonte: XP, Banco Voiter.

Capital

A holding NK 031 realizou dois aumentos de capital no 1S21, nos valores de R$ 93,0 milhões e R$ 112,0 milhões. Mesmo assim, o Índice de Basileia do Voiter (indicativo de solvência) encerrou o semestre em 9,1%, inferior aos atuais padrões exigidos pelo Banco Central (BC), de 9,625%.

O Conselho de Administração aprovou aumento de capital no montante de R$ 70 milhões em 12 de julho (ou seja, após o fechamento dos resultados do 1S21), homologado pelo Banco Central no dia 27 do mesmo mês. Considerando o novo aporte, o Basileia do Voiter teria encerrado o semestre em 11,8%.

Fonte: XP, Banco Voiter.

Liquidez

O índice de liquidez de curto prazo do Voiter encerrou o 1S21 em 1,5x, ante 1,4x ao fim de 2020. O indicador mede a capacidade de pagamento da instituição nos próximos 12 meses.

O indicador mede a capacidade de pagamento da instituição nos próximos 12 meses. Quanto mais o índice estiver acima de 1,0x, melhor a situação de liquidez e vice-versa.

*Ao investir em um de seus ativos, o investidor está coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos – FGC – para aplicações até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por conjunto de depósitos e investimentos em cada instituição ou conglomerado financeiro, limitado ao teto de R$ 1 milhão, a cada período de 4 anos, para garantias pagas para cada CPF ou CNPJ.

Veja mais

Fonte

Banco Indusval

Glossário

Run-off: quando o banco muda sua estratégia para focar em um segmento em detrimento de outro, a carteira antiga do segmento a ser descontinuado (ou reduzido) permanece em balanço em processo de extinção. Esse processo é chamado de run-off.

Liquidez: A relação entre os ativos mais líquidos de curto prazo e os passivos exigíveis no curto prazo. Esta é uma medida de cobertura de seu saldo devedor mais curto. Quanto maior o índice, melhor a situação da instituição financeira.

Basileia: parte de acordos bancários firmados entre diversos bancos centrais do mundo para prevenção de risco de crédito. Mede a relação entre capital próprio e o capital de terceiros que será exposto a risco por meio da carteira de crédito do banco. As instituições financeiras são obrigadas a manter um índice mínimo de 8% mais um adicional de conservação de capital principal de 2,5%. Esse índice mínimo visa proteger os clientes das instituições financeiras.

ROAE: é o quociente entre lucro líquido e patrimônio líquido médio da instituição. É uma medida de rentabilidade.

Carteira E-H: Classificação determinada pelo Banco Central na resolução nº 2.682. Os créditos bancários são classificados em nove níveis, sendo eles: AA (menor risco), A, B, C, D, E, F, G e H (maior risco). Sendo assim, a carteira E-H inclui os créditos mais arriscados e aqueles com atraso de pagamento acima de 91 dias. Esses créditos exigem provisão entre 30% e 100% sobre o valor das operações.

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