DEB ENERGISA TRANSMISSAO DE E – OUT/2030

DEB ENERGISA TRANSMISSAO DE E – OUT/2030

  • Vencimento 15/10/2030
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AAA(bra)
  • Risco (0 - 100) 24 Risco Médio

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  • Preço Unitário R$ 1.000,00

Análise do Emissor

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O Grupo Energisa é um dos principais grupos privados do setor elétrico do Brasil. As atividades incluem, além da distribuição de energia (foco de atuação), transmissão e comercialização de energia, prestação de serviços diversos relacionados à construção, operação e manutenção de ativos elétricos, desenvolvimento de estudos de geração de energia, dentre outros. Após a retração de volume causada pela pandemia da covid-19 no primeiro semestre de 2021, a empresa voltou a registrar crescimento no 4T21, consolidando expansão anual de 0,9%. Como resultado, a Energisa apresentou crescimento de 57,5% no EBITDA no exercício para R$ 6,2 bilhões. A empresa registrou endividamento líquido de R$ 15,3 bilhões ao fim de dezembro, e relação Dívida Líquida/EBITDA de 2,3x, ante covenant de 4,25x para o exercício.

Destaques positivos

  • Histórico de boa eficiência operacional;
  • Iniciativas de diversificação de receita;
  • Liquidez melhorando;
  • Concessões geograficamente diversificadas.

Pontos de atenção

  • Risco regulatório;
  • Evolução Inadimplência.

Quem é o Grupo Energisa?

História

O Grupo Energisa teve início em 1905 com a fundação da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina (CFLCL), por José Monteiro Ribeiro Junqueira, João Duarte Ferreira e Norberto Custódio Ferreira em Cataguases (MG). No ano de 1907, a CFLCL abre o capital na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

A primeira hidrelétrica do grupo, a Usina Maurício, na cidade de Leopoldina (MG), é inaugurada em 1908, tendo 800 kW de potência. No ano de 1912, sua capacidade é expandida para 1,2 MW.

No ano de 1918, a CFLCL adquire a Companhia Pombense de Eletricidade, em Rio Pomba (MG), e a Usina Coronel Domiciano, em Muriaé (MG). A construção da Usina Ituerê, no município de Rio Pomba, foi iniciada em 1928.

Na década de 1950, entram em operação a primeira e a segunda turbina da Nova Usina Maurício, ambas de 5 MW. A terceira turbina, de 11,2 MW, entra em operação apenas em 1970.

Nos anos 90, a CFLCL adquire a Empresa Industrial Mirahy,a distribuidora do município de Miaraí (MG) e  a concessão do município de Sumidouro (MG). Já em 1999, é fundada a Cat-Leo Energia S.A, empresa de geração e construção de usinas hidrelétricas do então Sistema Cataguases-Leopoldina.

Além disso, venceu os leilões de privatização da Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo (CNEF), em Nova Friburgo (RJ), da Energipe (Empresa Energética de Sergipe), e da CELB (Companhia Energética da Borborema), em Campina Grande (PB).

Em 2001, a Energisa iniciou as obras da Usina Termelétrica de Juiz de Fora (UTEJF), primeira termelétrica a gás natural de Minas Gerais. A primeira fase da usina foi concluída no mesmo ano. Também no estado de Minas, a empresa inicia as obras de cinco novas PCHs simultaneamente em 2002: Ivan Botelho I, Túlio Cordeiro de Melo, Ivan Botelho II, Ormeo Junqueira Botelho e Ivan Botelho III.

Já em 2008, o conglomerado passa por uma reestruturação: o Sistema Cataguases-Leopoldina se torna Grupo Energisa, formado por cinco distribuidoras, nos estados de Minas Gerais, Paraíba, Sergipe e Rio de Janeiro, com todas as empresas adotando o prefixo Energisa, além de três empresas prestadoras de serviços: Energisa Soluções, Energisa Serviços Aéreos de Prospeccção e Energisa Comercializadora de Energia.

A empresa inicia as atividades na geração de energia eólica em 2010, a partir da construção de cinco parques eólicos no estado do Rio Grande do Norte.

Em abril de 2014, o Grupo Energisa assume o controle das oito distribuidoras do Grupo Rede que estavam sob intervenção da Aneel (CEMAT, ENERSUL, CELTINS, CAIUÁ, EDEVP, CNEE, EEB, CFLO). Com a aquisição, a Energisa passa a atender aproximadamente seis milhões de consumidores, ou uma população de 15 milhões de pessoas, em 788 municípios de nove estados, em todas as regiões do país.

Em sequência, a companhia aliena a participação em seus ativos de geração para reforçar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem.

Em 2017, o grupo inicia suas atividades no segmento de transmissão de energia, após a aquisição de dois lotes no Leilão de Transmissão nº 5/2016, realizadas em 24/04/2017, um lote no Leilão de Transmissão nº 002/2018, adquirido em 28/06/2018 e um lote no Leilão de Transmissão nº 004/2018, adquirido em 20/12/2018.

Ao fim de 2018, a Energisa assumiu a responsabilidade das operações da Energisa Rondônia (ERO, ex-Centrais Elétricas de Rondônia – Ceron) e Energisa Acre (EAC, ex- Companhia de Eletricidade do Acre – Eletroacre), após a aquisição de ambas no leilão de privatização realizado anteriormente. A empresa pagou um valor simbólico de cerca de 50 mil reais por cada distribuidora, dadas as elevadas obrigações de aportes de recursos acordadas.

Com a posse das distribuidoras deterioradas, a Energisa adotou melhorias significativas, incluindo corte de custos, padronização de processos operacionais, programas de prevenção a perdas e atendimento ao cliente, totalizando R$ 834 milhões investidos até o fim de 2019. Nota-se que, com a transação, foram acrescidos 4.319 GWh às vendas anuais consolidadas da Energisa em 2019, crescimento de 13,6% em relação ao mercado total do Grupo.

Atuação

O Grupo Energisa é um dos principais grupos privados do setor elétrico do Brasil. As atividades incluem, além da distribuição de energia, que representou cerca de 90% do EBITDA de 2020, transmissão e comercialização de energia, prestação de serviços diversos relacionados à construção, operação e manutenção de ativos elétricos, desenvolvimento de estudos de geração de energia, entre outras atividades relacionadas ao setor elétrico.

Presença

As onze distribuidoras controladas estão presentes nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além da totalidade do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Acre e Rondônia. Já suas transmissoras são localizadas nos estados do Pará, Tocantins, Bahia e Goiás.

Fonte: XP Investimentos, Energisa.

Quem são seus acionistas?

Os números abaixo entre parênteses são referentes à participação de cada acionista no total de ações com capital votante (ordinárias).

Gipar S/A (66%): holding controladora da empresa, propriedade da Família Botelho.

FIA Samambaia (9%): fundo de investimento em ações de propriedade do investidor Ronaldo César Coelho.

Outros (24%).

A companhia é listada no Nível 2 da B3 e suas ações de maior liquidez são negociadas sob o código ENGI11, unit composta por uma ação ordinária e quatro ações preferenciais. As ações ordinárias possuem cerca de 33% de free float, enquanto as preferenciais, 94%.

Fonte: XP Investimentos, Economatica.

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “4T21” significa “quarto trimestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 3T21 seria o terceiro trimestre de 2021).

Fonte: XP Investimentos, Energisa.

Cenário atual

Os últimos dois anos foram transformadores para a Companhia tendo em vistas as consequências econômicas da pandemia da covid-19, que prejudicaram o desempenho das distribuidoras, principalmente no primeiro semestre de 2021, devido à queda de demanda de energia e ao aumento da inadimplência. Porém, em 2021, a Energisa demonstrou a sua resiliência fechando o ano com um resultado expressivo.

Visando reduzir o impacto dos efeitos financeiros da pandemia no segmento de distribuição de energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a regulamentação de uma linha de crédito específica, denominada conta-covid, no dia 23 de junho de 2020. No dia 3 de julho, a Energisa protocolou na Aneel sua adesão à conta-covid, no total de R$ 1,4 bilhão, recebida em parcelas até dezembro de 2020, estas parcelas possuem a taxa de juros de CDI + 2,8% ao ano, com 11 meses de carência e prazo de 54 meses para amortização.

O principal objetivo da instituição da CONTA-COVID, decorrente da pandemia, foi postergar para até 5 anos os aumentos nas contas de energia que seriam cobrados em até 1 ano, e também, garantir a liquidez das concessionárias de distribuição que estão impactadas principalmente pela queda de demanda e inadimplência, blindando os demais agentes do setor elétrico.

Mesmo após o pico da pandemia no primeiro semestre de 2021, as vendas de energia cresceram 1,5% no ano de 2021, frente a 2020, atingindo 37.000,7 GWh. Para o 4T21, o mercado total sofreu uma retração de 2,6%, em função, principalmente, do clima mais ameno e úmido nas regiões de atuação da Energisa. No 4T21, a taxa de inadimplência consolidada da Energisa, dos últimos 12 meses, foi de 0,91%, representando queda de 44,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As duas classes que mais contribuíram para a inadimplência do período foram a classe residencial e a subclasse residencial baixa renda.

As próximas revisões tarifárias das principais concessões da empresa ocorrerão em 2023 enquanto o próximo vencimento de concessão será em 2027.

Destaques operacionais

Em 2021, o consumo de energia elétrica no mercado cativo e livre (37.000,7 GWh) cresceu 1,5% (546,4 GWh). Os fatores que mais contribuíram para o resultado no ano foram: (i) desempenho industrial nas cadeias de construção, setor têxtil, automotivo e alimentícios; (ii) o clima quente e seco no Nordeste e no Sudeste na maior parte do ano; e afrouxamento das restrições sanitárias relacionadas à pandemia. Nesse contexto, as classes que determinaram o resultado positivo em 2021 foram a industrial (+4,5% e 325,1 GWh), comercial (+1,7% e 112,7 GWh) e outros (+2,1% ou 93,3 GWh).

Durante o ano, a Companhia investiu R$ 3.079,3 milhões em distribuição e obteve o melhor desempenho desde 2018. Com relação ao número de horas de interrupção no fornecimento de energia por consumidor (DEC) foi reduzido, em média, 7,8% (1,15 horas) e a frequência da interrupção (FEC) em 13,7% (1,0 interrupção média). A EPB (Energisa Paraíba) a ERO (Energisa Rondônia) apresentaram os melhores resultados da série histórica para o DEC e para o FEC, tendo a ERO se enquadrado no limite regulatório do DEC Já as perdas elétricas atingiram o valor de 12,89% – abaixo do nível regulatório.

A atividade de transmissão também avançou bastante em 2021. Foram investidos R$ 821,0 milhões em aquisição de ativos e obras de expansão e a RAP foi de R$ 124,0 milhões, uma capacidade de 3.521,5 MVA e 889 km de linhas de transmissão em ativos operacionais.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

A Energisa apresentou receita líquida (sem receita de construção) de R$ 23,7 bilhões no ano de 2021, avanço de 31,8% frente ao registrado em 2020. Na mesma janela, o EBITDA ajustado apresentou expansão de 54,1% para R$ 6,7 bilhões. A elevação pode ser em sua maior parte explicada pelo: (i) aumento da atualização financeira do VNR de R$ 204,4 milhões; (ii) adoção do IFRS15 no segmento de transmissão; e (ii) reversão de contingências da ERO no valor de R$ 156,0 milhões.

No acumulado do ano, o lucro líquido consolidado foi de R$ 3.068,8 milhões, (R$ 1,70/ação ou R$ 8,48/Unit), 90,9% (R$ 1.461,4 milhões) acima do mesmo período do ano anterior, 90,9% acima do ano de 2020. O lucro foi afetado pelo efeito positivo de R$ 167,5 milhões em crédito fiscal pela EAC e R$ 225,1 milhões referente ao mercado de derivativos.

Endividamento e alavancagem

A Energisa registrou endividamento líquido de R$ 15.252,5 milhões ao fim de dezembro, o valor está acima do reportado em dezembro de 2020. Isso se dá pois, em 2021, a Companhia aumentou seu financiamento em R$ 7.580,4 milhões, com custo médio de 119,1% do CDI e prazo médio de 4,62 anos, o intuito dessas captações é o financiamento dos investimentos. Já a alavancagem medida pela relação Dívida Líquida/EBITDA Ajustado reduziu de 3,1x para 2,3x em 31 de dezembro de 2021.

A posição consolidada de caixa, equivalentes de caixa, aplicações financeiras e créditos setoriais totalizou R$ 8.093,4 milhões em 31 de dezembro, frente aos R$ 6.617,2 milhões registrados em 30 de setembro de 2021.Quanto ao cronograma de amortizações, a Companhia possui uma amortização de R$ 4.084,2 milhões, sendo o suficiente para liquidar com o valor no caixa.

Ressalta-se que a empresa possui bom acesso ao mercado de capitais, além de bom relacionamento com bancos, o que reduz riscos de refinanciamento.

Pontos de atenção

Risco regulatório

O serviço público de energia no Brasil é regido pela Aneel, que possui as funções de regulação, fiscalização, mediação e definição de tarifas, para garantir o equilíbrio do mercado. Logo, alterações nas legislações e portarias já existentes podem impactar o fluxo de caixa das companhias elétricas. Como exemplo, é possível citar as atuais discussões de reforma tributária ou da reforma do setor elétrico (Projeto de Lei do Senado nº 232/2016).

Dentre os três principais segmentos do setor de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição), os serviços de distribuição estão mais expostos aos riscos, já que as tarifas dos projetos de geração e transmissão já são acordadas nos leilões, ao passo em que as audiências de revisões tarifárias das distribuidoras ocorrem a cada cinco anos em geral.

Aumento de inadimplência

Dado o aumento na taxa de juros e as atuais condições econômicas do país, é possível que os índices de inadimplência cresçam. Por isso, a Energisa permaneceu com a estratégia de conjugar a disciplina na cobrança com a oferta de melhores condições para pagamento. Mantendo o foco nas diversas ações de cobrança via envio de mensagens SMS e WhatsApp, negativações, protesto, uso de canais de telecobrança, envio de e-mails, além do pagamento e negociação através do cartão de crédito e por último as ações de suspensão de fornecimento. O efeito positivo da emissão FIDC na taxa de inadimplência foi uma redução 0,39 pontos percentuais.

Veja também

Fonte

Energisa

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