CRI Petrobras – DEZ/2023

CRI Petrobras – DEZ/2023

  • Vencimento 19/12/2023
  • Rentab. -
  • Liquidez -
  • Juros -
  • Rating AA(bra)
  • Risco (0 - 100) 7 Risco Médio

    A nova pontuação de risco leva em consideração critérios de risco, mercado e liquidez. Para saber mais, clique aqui.

  • Preço Unitário R$ 300.000,00

Análise do Emissor

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Para melhor entendimento do relatório, sugerimos consultar o Glossário ao final da página, caso seja necessário.

A Petrobras é líder mundial na exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Também atua nos segmentos de refino, comercialização, transporte, petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, energia elétrica, gás-química e biocombustíveis. Atualmente, a empresa foca em seu plano de desinvestimentos de ativos, que visa levantar recursos para reduzir seu endividamento. Após choque dos preços do petróleo no 1S20, houve melhora no desempenho operacional e financeiro a partir do terceiro trimestre, indicando que as piores consequências da pandemia ficaram para trás. Os R$ 271,1 bilhões de receita líquida em 2020 representaram contração de 10% ante 2019, enquanto o EBITDA avançou 11% no mesmo intervalo, devido ao melhor controle de despesas. A dívida líquida em dólares apresentou contração de ~20% no exercício para US$ 66,2 bilhões. A relação dívida líquida/EBITDA foi reduzida, de 2,46x para 2,22x. A empresa não possui covenants de alavancagem.

Destaques positivos

  • Redução da alavancagem.
  • Venda de ativos (reforço de caixa e foco estratégico).
  • Posição competitiva.
  • Reforço de governança.
  • Novas descobertas de campos.

Pontos de atenção

  • Exposição aos preços de petróleo (commodity).
  • Judicialização das iniciativas de vendas de ativos.
  • Atraso em investimentos e início de novas plataformas.
  • Controle estatal.

Quem é a Petrobras?

História

Fundação e consolidação

A Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) foi fundada em 1953, no último mandato do presidente Getúlio Vargas, por meio da Lei n° 2.004/53. À Petrobras competia a responsabilidade de estudo, extração, refino e distribuição do petróleo do país, estabelecendo o monopólio estatal da commodity.

Em 1961, é inaugurada a primeira refinaria brasileira, a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), localizada na Rodovia Washington Luís, no estado do Rio de Janeiro. Até hoje, a Reduc é considerada a mais completa e complexa refinaria do sistema Petrobras.

Visando expandir sua produção, em 1963 é criado o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes). Com o passar dos anos, a instituição se tornou o maior centro de pesquisa da América Latina.

Em 1968, as ações ordinárias e preferenciais da Companhia começam a ser negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. No mesmo ano, começam as atividades da primeira plataforma móvel de perfuração da Petrobras, a P-1, com capacidade de operação em águas de até 30 metros de profundidade. Por meio de sua utilização, foi descoberto o primeiro campo de petróleo na plataforma continental brasileira, dando origem ao campo de Guaricema, no mar de Sergipe.

Em 1971, dado o aumento do consumo interno de derivados do petróleo, é criada a Petrobras Distribuidora S.A., ou BR Distribuidora.

A Braspetro, braço de exploração da Petrobras no exterior, surge em 1972, marcando o início da expansão internacional da companhia.

No ano de 1974 é descoberta a Bacia de Campos, contendo cerca de 100 quilômetros quadrados de reservas, localizada ao norte do Rio de Janeiro e ao sul do Espírito Santo. Sendo responsável por mais de 80% da produção nacional do petróleo, é considerada a mais importante reserva petrolífera do Brasil.

Quebra do monopólio e descoberta do pré-sal

Com a quebra do monopólio estatal da exploração e refino em 1997, a partir da promulgação da Lei n° 9.478/97, a Petrobras passou a competir com outras empresas estrangeiras e nacionais em todos os elos da cadeia de petróleo. A mesma lei instituiu o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O domínio das reservas, por outro lado, permaneceria com a União.

Em 2005, a Petrobras alcançou pela primeira vez a camada do pré-sal na Bacia de Santos. Mais tarde, em 2007, a companhia anunciou a descoberta da maior jazida de óleo e gás natural do país, no campo petrolífero de Tupi, na mesma bacia. A estimativa de volume da reserva era de 5 a 8 bilhões de barris.

Buscando alavancar a exploração de petróleo na camada do pré-sal, a Petrobras realizou em 2010 a maior oferta de ações do mundo até então: foram vendidas 4,27 bilhões de novas ações, levantando cerca de R$ 120 bilhões de reais.

Crise financeira

Em 2014, a Operação Lava Jato atinge a Petrobras, devido à identificação da participação de um ex-executivo em esquema de lavagem de dinheiro. Daí em diante, diversas irregularidades foram descobertas pela força-tarefa, que foi responsável pela recuperação de R$ 3,2 bilhões aos cofres da companhia por meio de acordos de colaboração firmados entre investigados e o Ministério Público.

Além dos desvios identificados, o desempenho da petrolífera também foi prejudicado pela interferência que ocorreu na política de preço de combustíveis. Nesse sentido, o balanço do exercício de 2014 revelou um prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões no ano, sendo o primeiro exercício de resultado negativo desde 1991.

Recuperação

Em maio de 2016, Pedro Parente é apontado como novo CEO para recuperar a credibilidade da empresa, que era a petroleira mais endividada do mundo. Parente acelerou o plano de desinvestimentos da Petrobras e focou sua gestão no corte de custos e ganho de eficiência.

Além disso, também pôs em prática a nova política de preços da empresa, determinando que os preços de derivados de petróleo comercializados poderiam acompanhar as oscilações internacionais da cotação do óleo. Como resultado, a Petrobras voltou a reportar lucro líquido em 2018. Parente deixou a empresa em 2018 durante a greve dos caminhoneiros.

Em dezembro de 2018, a Petrobras nomeou Roberto Castello Branco, economista brasileiro e ex-membro do conselho administrativo, como CEO da companhia.

No dia 17 de junho de 2019, a empresa divulgou nota de esclarecimento em relação à descoberta de gás natural na Bacia de Sergipe. A instalação de um sistema de produção já está contemplada no Plano de Negócios e Gestão 2019-2023.

A Rodada de Licitações dos Excedentes da Cessão Onerosa, que representa o excedente do volume de petróleo e gás cedido à companhia pela União, ocorre ao fim de 2019. A Petrobras arrematou sozinha o bloco de Itaipu e formou um consórcio com as estatais chinesas CNODC e CNOOC para levar o bloco de Búzios, o maior do leilão.

Em fevereiro de 2020, foi realizada uma oferta de ações no mercado secundário, de 734 milhões de ações ordinárias sob titularidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), movimentando R$ 22 bilhões.

Atuação

A Petrobras é líder mundial na exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas.

Além disso, a companhia atua nos segmentos de refino, comercialização, transporte, petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, energia elétrica, gás-química e biocombustíveis.

Governança

Dentre as medidas adotadas para a recuperação da credibilidade, destacam-se:

  • Entrada no nível 2 da B3.
  • Fortalecimento da cultura de compliance.
  • Revisão de sua estrutura organizacional.
  • Continuidade do plano de desinvestimentos.
  • Política mais conservadora de dividendos nos últimos anos.

Além disso, em 30 de janeiro de 2019, a empresa concluiu a venda da refinaria de Pasadena.

Em setembro de 2018, a Petrobras fechou acordos com o DOJ (departamento de justiça americano) e SEC (órgão regulador do mercado de capitais americano), nos Estados Unidos, relacionados aos controles internos, registros contábeis e demonstrações financeiras da Companhia.

Os acordos encerraram completamente as investigações das autoridades norte-americanas, resultando em pagamento de US$ 85,3 milhões ao DOJ e US$ 85,3 milhões à SEC. Houve ainda destinação de US$ 682,6 milhões (pagos em janeiro de 2019) às autoridades brasileiras, depositados em um fundo especial.

Quem são seus acionistas?

União Federal (28,7%): acionista controladora da companhia, detendo 50,3% das suas ações ordinárias.

BNDES Participações S.A. (7,0%): gestora de participações sociais e subsidiária do BNDES. Foi criada para administrar as participações em empresas detidas pelo banco.

BlackRock, Inc (2,2%): maior gestora de ativos do mundo com US$ 7,2 trilhões sob gestão. É listada na bolsa de Nova York.

Capital Research Global Investors (2,2%): divisão independente de investimentos da Capital Research and Management Company – empresa americana de serviços financeiros.

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (1,0%): entidade atualmente vinculada ao Ministério da Economia, cujo principal objetivo é o financiamento de longo prazo e investimento em segmentos estratégicos da economia brasileira.

Outros (58,9%).

Principais fatores do crédito

Para melhor entendimento, esclarecemos que a nomenclatura “4T21” significa “quarto trimestre de 2021”. Suas variações também se aplicam (ex: 3T21 seria o terceiro trimestre de 2021).

Fonte: XP Investimentos, Petrobras e Bloomberg.

Cenário atual

Desfazendo-se de atividades fora da exploração de petróleo, a Petrobras iniciou uma trajetória de recuperação financeira a partir de 2017, atingindo resultado líquido de R$ 40 bilhões em 2019, o maior resultado da estatal até então.

Desde então, a Companhia tem mantido os números em patamares elevados; em 2021, a receita líquida cresceu 66% em relação a 2020, devido à alta de 77% do preço do Brent em reais e o início da vacinação.

A valorização da commodity, o aumento da demanda interna e a retomada econômica após o auge da pandemia da covid‐19 em 2020, além do aumento nas vendas de gás natural em 2021 por conta da falta de chuvas, foram destaques para o aumento da rentabilidade da empresa.

Devido ao cenário positivo, a Companhia obteve elevação de rating pela agência internacional Moody’s em 1 nível de “Ba2” para “Ba1”, com perspectiva estável.

No quarto trimestre, houve a aprovação do Plano Estratégico 2022 – 2026 com com metas de geração de valor amparadas em ativos resilientes a baixos preços  de petróleo e baixa intensidade de carbono, e previsão de Investimentos de US$ 68 bilhões, com previsão de entrada de 15 novos FPSOs, com 12 já contratados. Além do atingimento de todas as métricas de topo previstas no Plano Estratégico 2021‐2025 e de todas as metas de produção do ano, com o pré‐sal respondendo por cerca de 70% da produção total da Companhia.

Dando continuidade no projeto de expansão em ativos de exploração, a Companhia obteve os direitos de exploração nos campos de Sépia e Atapu. Iniciando, assim, a produção do FPSO Carioca, sendo a primeira plataforma no Campo Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos e concluiu o ramp-up da P70, no campo de Atapu.

Confira os detalhes da troca de comando da Petrobras.

Destaques operacionais

A produção média diária de óleo, líquido de gás natural (LGN) e gás natural no 4T21 foi de 2,70 MMboed, contração de 4,5% em comparação com o 3T21, ocasionado pelo início de vigência do Acordo de Coparticipação de Búzios e das paradas para manutenção em plataformas do pré-sal com alta produção, fatores compensados pelo ramp-up do FPSO Carioca.

Em 2021, a Companhia atingiu um recorde anual de processamento de pré-sal com 59% da carga processada, 9% acima de 2020. No 4T21, a parcela do petróleo do pré-sal representou 62,5% da carga total. A produção de derivados teve redução de 1,1% no 4T21 em relação ao 3T21 devido à queda da demanda do mercado interno e ao desinvestimento da RLAM.

As vendas de diesel da Petrobras em outubro de 2021 foram as maiores desde outubro de 2015, com a comercialização de 894 Mbpd. Porém, para o 4T21, As vendas de diesel tiveram uma redução de 8,9% em relação ao 3T21 principalmente devido à sazonalidade do consumo, mais elevado no terceiro trimestre do ano por conta do plantio da safra de grãos de verão e da atividade industrial.

As vendas de gasolina alcançaram 463 Mbpd no 4T21, um crescimento de 4,9% em relação ao 3T21. Destaque para as vendas de dezembro de 2021 (471,7 Mbpd), as maiores em base diária desde abril de 2017, mesmo com a venda da RLAM concluída em 30 de novembro. O crescimento segue a sazonalidade típica do último trimestre. Houve ainda ganho de participação da gasolina sobre o etanol no consumo dos veículos flex, devido, principalmente, à relação de preços nas bombas que favoreceu a opção do consumidor pela gasolina em todos os estados do Brasil.

No 4T21, a geração de energia elétrica foi de 3.526 MW médios, uma redução de 11,3% em relação ao 3T21, em virtude da melhora das condições hidrológicas e, consequentemente, do nível dos reservatórios das hidrelétricas no país.

Destaques financeiros

Receita líquida e EBITDA

A Petrobras é uma das maiores petroleiras do mundo, sendo a maior empresa brasileira em termos de faturamento.

A valorização do barril de petróleo Brent, a maior demanda no mercado interno após o auge da pandemia da COVID-19, o aumento nas vendas de gás natural e energia elétrica e a recuperação da demanda do segmento industrial foram responsáveis pelo avanço anual de 66% na receita líquida do ano de 2021 atingindo R$ 272 bilhões.

No 4T21, a receita de vendas subiu 10% em relação ao 3T21, também em função da valorização de 16% do Brent no período e de fatores de conversão cambial. Estes fatores foram parcialmente compensados pelo menor volume de exportação de petróleo e de vendas de derivados no merca.

Em termos da composição da receita no mercado interno, o diesel e a gasolina continuaram sendo os principais produtos, respondendo juntos por 72% da receita nacional de vendas de derivados de petróleo no 4T21.

Juntamente com a receita líquida, o EBITDA ajustado avançou 64% no ano para R$ 234,6 bilhões, principalmente por conta do aumento do Brent, além das maiores vendas dos produtos derivados internamente com maiores margens de diesel e gasolina. A margem EBITDA foi de 52%.

Endividamento e alavancagem

Dada a recorrência das captações da Petrobras no exterior e a aplicação das metas de alavancagem e indicadores de endividamento em dólar, a análise das obrigações financeiras também foi feita na moeda norte-americana.

Após um período com alto índice de alavancagem em decorrência dos altos investimentos e da deterioração da reputação com a operação Lava Jato, o que dificultou o acesso ao mercado de capitais, a Petrobras conseguiu reduzir sua alavancagem a partir de 2017, devido à venda de ativos non-core (i.e. refinarias, gasodutos, poços maduros), e alterando o foco para o segmento de exploração e refino.

Em 31 de dezembro de 2021, a dívida bruta retraiu 22% ante dezembro de 2020, para US$ 58,7 bilhões, principalmente devido a recompras no mercado de capitais e pré-pagamentos de dívidas bancárias.

Já a dívida líquida em dólares apresentou contração ainda maior, de US$ 63,2 bilhões em dezembro de 2020 para US$ 47,6 bilhões (-33%), impulsionada pela alta geração de caixa e a contínua gestão da dívida em. Enquanto isso, a relação dívida líquida/EBITDA foi reduzida, de 2,66x em dezembro de 2020 para 1,35x em dezembro de 2021.

Em 2021, a companhia liquidou diversos empréstimos e financiamentos, no valor de R$ 125,7 bilhões, destacando‐se: (a) o pré‐pagamento de R$ 32,8 bilhões de empréstimos no mercado bancário nacional e internacional; (b) a recompra e resgate de R$ 52,6 bilhões de títulos no mercado de capitais internacional, com o pagamento de ágio no valor de R$ 5,8 bilhões; e (c) pré‐pagamento  total  de  R$ 3,1  bilhões  de  empréstimos  com  agências  de  fomento.

O cronograma de amortizações da Petrobras está alongado, sem concentração de vencimentos nos próximos anos. A posição de caixa de R$ 60,9 bilhões ao final de dezembro seria suficiente para fazer frente aos pagamentos da Companhia nos próximos anos. Por fim, o prazo médio da dívida se mantém estável de 13,4 anos em 2021.

Dividendos

No 4T21, a remuneração total proposta para os acionistas é de R$ 7,77 por ação ordinária ou preferencial. Durante o ano foram pagos R$ 72 bilhões de reais em dividendos.

Com a redução da dívida bruta a empresa poderá distribuir dividendos compatíveis com a sua geração de caixa, mesmo em exercícios em que não for apurado lucro contábil.

Plano de desinvestimentos

A Petrobras possui em curso um plano de desinvestimentos de ativos, que visa levantar recursos para reduzir seu endividamento. Com isso, vai restringir sua presença ao Brasil e focar em seus principais segmentos de negócios, de exploração e produção de petróleo e gás, principalmente no pré-sal, em águas profundas e ultraprofundas.

Como resultado, poderá direcionar recursos, tanto humanos quanto financeiros, para os negócios com melhor retorno para a empresa.

Em 2019, a Petrobras celebrou um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo acordo, a companhia deverá vender uma série de ativos, incluindo oito refinarias de petróleo, distribuidoras de gás e o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

O objetivo é abrir os mercados de refino e gás natural no Brasil por meio da entrada de novos agentes. Em troca da venda de ativos, o Cade arquivará processos que apuravam supostas condutas anticompetitivas da estatal no mercado de gás natural.

Pontos de atenção

Exposição aos preços de petróleo

Como o petróleo é uma commodity, suas cotações apresentam alta volatilidade, podendo oscilar para cima ou para baixo dependendo do cenário econômico (oferta e demanda). O choque da cotação dos barris de petróleo no primeiro trimestre de 2020 e suas consequências, por exemplo, ilustram como o resultado financeiro da companhia é regido pelas dinâmicas atuais do mercado de combustíveis fósseis.

Além disso, no longo prazo ainda há o risco da transição energética, movimento observado em diversos países desenvolvidos, o qual visa a substituição de fontes energéticas que causam aquecimento global e consequentes mudanças climáticas, como o petróleo, por fontes não emissoras de gases causadores do efeito estufa.

Judicialização das iniciativas de vendas de ativos

Dada a relevância da Petrobras na economia do país e sua característica de economia mista, o plano de desinvestimento de ativos da companhia é debatido com frequência na esfera política. Isso ocorre porque a Constituição Federal protege o patrimônio público, e a Lei n° 9.491/97, a qual instituiu o Plano Nacional de Desestatização, prevê que a privatização de estatais exija lei própria.

Nesse sentido, em junho de 2019 o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou por ampla maioria que, embora a aprovação do Congresso seja necessária para a privatização de estatal, o aval para o desinvestimento em subsidiárias é dispensado.

Em setembro de 2020, o plano de desinvestimentos da Petrobras é judicializado novamente, dado que não há um consenso para a liquidação de ativos da empresa-matriz. Portanto, a pedido das Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso, o plenário do STF deverá julgar a constitucionalidade da venda direta das refinarias da estatal.

A lentidão na venda de ativos limita a capacidade de geração de caixa oriunda dessas vendas para pagamento de dívida.

Atraso em investimentos e início de novas plataformas

A postergação de investimentos pela Petrobras atrasa o início de operação das plataformas em construção e também retarda a trajetória descendente do custo de extração do petróleo. Em momentos mais desafiadores, como a pandemia do covid-19, decisões deste tipo são esperadas, dado que a prioridade passa a ser preservar o caixa e a liquidez da companhia.

Controle estatal

Conforme mencionado anteriormente, a Petrobras já foi bastante prejudicada pela ingerência governamental, sobretudo em sua política de preços de combustíveis. Apesar da política de paridade com os pares internacionais adotada em 2017, momentos de estresse, como a greve dos caminhoneiros de 2018, trazem de volta temores sobre o risco político.

Glossário

EBITDA: Lucro líquido do período acrescido dos tributos sobre o lucro, resultado financeiro líquido, depreciação e amortização. O indicador revela o potencial de geração de caixa de uma empresa.

EBITDA Ajustado: EBITDA acrescido do resultado da participação em investimentos, impairment, resultados com desinvestimentos e baixa de ativos, exclusão de despesas com arrendamento operacional e efeitos cambiais acumulados de conversão (CTA) reclassificados para resultado.

IFRS 16: Norma contábil vigente desde janeiro de 2019 que inclui no balanço as operações de arrendamento mercantil. Com isso, há efeito de aumento do passivo e do EBITDA, que deixa de considerar as despesas relacionadas ao arrendamento mercantil. O resultado da adoção dessa norma é uma melhor comparabilidade entre empresas que compram seus ativos e aquelas que os alugam.

DoJ: Departamento de Justiça dos Estados Unidos

SEC: Securities & Exchange Commission. Equivale à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil, que é a entidade que regula os mercados de capitais.

Fonte

Petrobras

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