Recap Semanal (26/10): Overkill

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Advisory



As políticas de estímulos nem amadureceram e já estão caindo de maduro. 

Pior do que exagerar é exagerar sem dar perspectiva que se vai voltar ao limite. Mas pior ainda é exagerar, não dar sinais que vai voltar a se enquadrar e ainda indicar que vai seguir exagerando.

A situação fiscal, que já não era lá essas coisas antes da crise, ficou pior com todos os pacotes emergenciais justificados pela pandemia. Mas talvez o problema não tenha sido a política de estímulo em si, mas o tamanho e a indicação sobre o futuro dela.

O governo fez muito e fez mais do que poderia. Exagerou.

Mas, mais do que o pecado do exagero, o pior dos males do Brasil é o da falta de compromisso e responsabilidade com os limites.

Exagerar quando o mundo está exagerando é até tolerável, mas a falta de perspectiva de alguma volta à responsabilidade o mercado não tolera e cobra a conta.

Por ter exagerado e não conseguir dar uma perspectiva que os limites fiscais serão mantidos, as políticas expansionistas não estão podendo exercer todos seus efeitos positivos na economia. Os pacotes emergenciais estão sim estimulando a economia, mas, se o dimensionamento fosse correto e se existisse uma percepção que eles são temporários, poderiam estar exercendo estímulos mais equilibrados e gerando perspectiva de crescimento mais consistente para o longo prazo.

O exagero e a falta de perspectiva de responsabilidade no estímulo fiscal estão gerando questionamento no equilíbrio das contas públicas e consequentemente gerando desequilíbrio na política monetária.

Chegamos cedo demais no muro. 

A percepção de risco de solvência do governo piorou. No ano passado, a dívida bruta fechou em 78% do PIB, esse ano deve ultrapassar 90% e ano que vem deve chegar perto de 100%. Mas o pior é a falta de perspectiva de quando esse crescimento vai parar. 

Ainda que o governo cumpra o teto de gastos, teremos déficit primário até 2026, quando acaba a regra do teto. Com isso, a dívida estará crescendo aceleradamente até lá. A dívida seguirá crescendo e, sem perspectiva de controle, o Tesouro terá que ir rolando dívida cada vez mais curta e os mercados seguirão demandando prêmios.

O prazo médio da dívida já vinha encurtando desde que o País perdeu o grau de investimento. Alguns economistas argumentam que isso não é um problema, dado que já tivemos épocas que a dívida era toda rolada no overnight. Mas nesses tempos a dívida era de 30% ou 40%. Não era de 100% do PIB. 

O ponto é que não existe uma âncora fiscal. Não existe certeza que temos um governo com responsabilidade fiscal. Na verdade, nunca existiu no Brasil um governo assim.  Atingimos esse momento cedo demais, com risco de desacelerar a retomada e questionamento sobre o crescimento de longo prazo. Os mercados estão cobrando ação concreta do governo no lado fiscal, através de mais prêmios na rolagem da dívida e na taxa de câmbio. Ou o governo garante a âncora fiscal ou seguiremos desancorando os prêmios de risco embutidos nos ativos, em especial na inclinação da curva de juros e na taxa de câmbio. Na persistência dessa desancoragem, o Banco Central será forçado a reancorar a economia através da elevação da taxa de juros, podendo jogar a economia num equilíbrio ruim. A ver.

XP Advisory

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