Recap Semanal (31/08): Câmbio – principal variável de ajuste

Veja a análise semanal dos especialistas da XP Advisory



Recentemente, temos aprofundado nosso debate e pesquisa sobre as atuais políticas macroeconômicas e como as variações nos valores das moedas impactarão os preços dos ativos. Apesar de toda incerteza e ruído, temos nossos checklists e processos de investimento estabelecidos. Repetição, monitoramento e aperfeiçoamento são chave para continuidade do trabalho bem feito.

Com as políticas monetárias das principais economias do mundo indo na direção dos seus limites, com juros zero, expansão quantitativa e “forward guidance” achatando as curvas longas, e com as políticas fiscais também atingindo níveis de endividamento nunca entes vistos, as âncoras vão se desprendendo do chão, as economias vão se desbaseando e as moedas fortes vão perdendo a referência de valor.

Na década de 90 o modelo de “currency peg”, política econômica que consistia na fixação da taxa de câmbio, se tornou lugar comum. Nesse caso, o governo determinava a cotação do valor da moeda, mas as demais variáveis da economia eram livres, isto é, eram determinadas pelo mercado. Com o câmbio fixo, nos momentos de aversão à risco ou incerteza com relação às outras políticas, toda a pressão de ajuste se dava nas demais variáveis. A moeda permanecia fixa mas a taxa de juros ia às alturas, o crescimento despencava e, consequentemente, havia uma piora fiscal. Acreditava-se, nesse modelo, que a âncora da economia estava no câmbio.

Como bem disse Paulo Leme, “you can’t have your cake and eat it”.

No ditado popular, você não pode ter duas coisas ao mesmo tempo. Um governo ou banco central não pode fixar duas variáveis simultaneamente. Fixando a taxa de câmbio as demais variáveis têm que flutuar. Por outro lado, na hipótese de fixação a taxa de juros, a moeda e as demais variáveis teriam que flutuar e, consequentemente, sofreriam a maior pressão pelo ajuste. É, mais ou menos, assim que vemos a dinâmica das variáveis financeiras do mundo daqui para frente.

Fazendo um paralelo da situação atual das economias com o modelo de câmbio fixo do passado, as taxas de juros colapsaram naturalmente mas a partir de um certo nível estão sendo, de certa forma, induzidas, através da expansão dos balanços dos bancos centrais, “quantitative easing” e “forward guidance”, a permanecer em patamares extremamente baixos e até mesmo artificiais. No limite, estamos vivendo num ambiente de taxas de juros sendo fixadas em zero ou negativas pelos governos e bancos centrais. Nesse caso, todo ajuste em momentos de incertezas fiscais e econômicas se dará nas demais variáveis. Todo ajuste se dará, principalmente, na taxa de câmbio.

Quanto maior for a impressão de moeda pelo banco central e quanto maior for o déficit fiscal ou endividamento do setor público de um determinado país, maior será o ajuste necessário na moeda para a economia encontrar um novo equilíbrio. Maior será a desvalorização cambial. O desbaseamento das moedas está dado. A estratégia é escolher a moeda menos pior.

O ajuste será desigual para cada país em função da sua capacidade de pagamento e sustentabilidade da dívida pública, da quantidade de moeda impressa e da qualidade das suas contas externas. Mas o ponto principal é que a maior parte do ajuste se dará na taxa de câmbio e estar investido em moeda forte será chave para preservação do patrimônio daqui em diante.

A alternativa para se proteger de futuras desvalorizações cambiais é estar investido em ativos que protejam ou corrijam de perdas promovidas por esse desbaseamento das moedas. O lugar seguro são ativos que têm poder de corrigir as perdas cambiais promovidas, diretas ou o diretamente, pelos bancos centrais e tesouros. A busca é por ativos ou moedas que não sofram sobreoferta ou impressão desenfreada pelos seus bancos centrais e que não percam valor por políticas fiscais irresponsáveis.

Na construção dos nossos portfólios estamos levando, cada vez mais, em consideração esse cenário. Estamos direcionando nossos investimentos para ativos que não percam e, melhor, se valorizem nesse ambiente de busca por alternativas de reserva de valor, como ações de boas empresas, ouro, commodities em geral e moedas de governos e bancos centrais responsáveis, que têm balanço de pagamentos superavitários e políticas fiscais sólidas. Num ambiente de muita intervenção, a possibilidade de choques e rupturas se eleva e com ela a necessidade de maior proteção e diversificação.

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