Recap Semanal (14/12): Exuberância Racional (ainda…)

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Advisory



No final dos anos 1990, durante o período de formação da bolha da internet, Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve, cunhou o termo “exuberância irracional” para se referir à forte apreciação de ativos financeiros.

Aquela declaração foi interpretada como um aviso de que o mercado poderia estar sobrevalorizado e dois anos depois, no início dos anos 2000 a bolha estourou, provando, ao menos, que os ativos estavam mesmo exagerados.

O Nasdaq bateu 5.048 pontos em março de 2000 antes de despencar para 1.114 pontos em outubro de 2002 quando depois retomou sua tendência de alta.

O termo sobre a irracionalidade ganhou ainda mais notoriedade após publicação do livro de Robert Shiller “Exuberância Irracional”, que já está na sua terceira e expandida edição, atualizada com as crises seguintes, sempre marcadas também por alguma irracionalidade. Shiller examina a determinação dos preços das ações, dívidas, habitações e outros ativos especulativos numa perspectiva histórica, cobrindo o período de 1871 a 2014. 

Shiller tem focado a sua carreira na determinação, no longo prazo, do preço de ativos. Tem analisado o papel da racionalidade, da informação e da narrativa na determinação dos preços. Mas a perspectiva mais interessante do Shiller é quando ele foca nos limites da racionalidade na explicação de comportamentos individuais e coletivos.

Nesse contexto que chegamos, cronologicamente, nos dias atuais. 

Com objetivo de ajustar ciclicamente as métricas padrão utilizadas e para avaliar se um mercado está supervalorizado, Shiller desenvolveu a relação preço-lucro ajustada ciclicamente (CAPE), que captura a relação do preço real (corrigido pela inflação) numa média de dez anos do lucro real por ação.

Quando a relação CAPE é alta, os retornos futuros de longo prazo tendem a ser baixos nos próximos dez anos, e vice-versa. 

Desde o início da Crise da Covid-19, as relações CAPE ao redor do mundo já se recuperaram aos seus níveis pré-pandemia.

Por exemplo, a relação CAPE do S&P 500 hoje é de 33,46 , excedendo seu nível de antes do início da pandemia. Na verdade, só existem dois outros períodos em que a razão CAPE foi superior a atual: no final da década de 1920, pré crise de 29, e início dos anos 2000, pré estouro da bolha da Nasdaq.

Todavia, alguns analistas alertam para o papel das baixas taxas de juros na elevação dos índices CAPE. 

Na teoria financeira tradicional, as taxas de juros são um componente-chave dos modelos de valuations. Quando as taxas de juros caem, a taxa de desconto utilizada nesses modelos diminui e o preço do ativo, o valor presente, deve se valorizar.

Assim, os cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais podem ser usados para justificar preços mais altos das ações e taxas de CAPE.

Nesse sentido, o nível das taxas de juros é um elemento cada vez mais importante a ser considerado na valoração das ações. 

Para capturar esses efeitos e comparar investimentos em ações versus títulos, Robert Shiller desenvolveu o Excess CAPE Yield (ECY), que é o inverso da relação CAPE menos a taxa de juros de 10 anos. CAPE hoje é 33, o inverso é 3%. A treasury de 10 anos (1%) ajustada pela inflação (2%) é -1%. Assim, a ECY do S&P500 é o yield do CAPE de 3% subtraído pela taxa de juros real de -1%, resultando em um yield de excesso de 4%.

Isso indica que os rendimentos das ações americanas ainda estão atraentes se compararmos à parâmetros históricos e  às alternativas atuais, isto é, em relação aos títulos de renda fixa ou pós fixados.

Mas importante observar que essa atratividade se dá basicamente em função da perspectiva de um período potencialmente prolongado de taxas de juros excessivamente baixas ou negativas.

Eventualmente, no final da linha, os juros subirão e os yields do CAPE também, gerando queda nos preços das ações. Mas, apesar dos riscos e dos altos índices da CAPE, esse momento ainda parece distante. Nessa direção, os valuations do mercado de ações ainda não parecerem ser tão irracionais. Ainda…

Private Investment Team

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