Recap Semanal (14/09): Otimistas ou pessimistas?

Veja a análise semanal dos especialistas da XP Advisory



Nos últimos dias os mercados vêm passando por movimentos bruscos com variações agressivas, tanto para cima quanto para baixo. Alguns otimistas caracterizam como um simples movimento de consolidação depois de período de forte alta, outros mais moderados apenas como rotação entre setores e os mais pessimistas acreditam que são movimentos iniciais de placas tectônicas, os primeiros sinais de um grande movimento de terras mais adiante.

Onde nós estamos? Entre os otimistas ou pessimistas?

Desde o dia em que começou a Microsoft, Bill Gates era quase paranóico na sua insistência em sempre ter liquidez suficiente para manter a empresa viva por 12 meses sem nenhuma entrada de receita.

Numa entrevista em 1995, Charlie Rose perguntou a ele por que a empresa mantinha tanto dinheiro em caixa. Gates respondeu que as coisas em tecnologia mudam tão rápido que os negócios do próximo ano não estavam garantidos nem mesmo para a Microsoft.

Em 2007 refletindo sobre o passado, Gates expôs que também sempre se preocupava porque as pessoas que trabalhavam na empresa eram mais velhas do que ele e vários deles tinham filhos. Essa situação deixava ele em estresse permanente para nunca poder ficar sem capacidade de pagar a folha da empresa, mesmo num pior cenário de mercado.

Otimismo e pessimismo podem coexistir.

Se olharmos com atenção, em todas empresas e histórias de sucesso veremos otimismo e pessimismo lado a lado praticamente em todos momentos. Eles parecem opostos, mas trabalham juntos para manter o equilíbrio de curto e longo prazo dos horizontes de investimento.

Uma vez que o progresso é cumulativo, afinal não esquecemos as inovações anteriores, mas os retrocessos são temporários, dado que sempre conseguimos reconstruir, as chances de longo prazo tendem para o crescimento, o cenário positivo.

Porém, o que implementamos na gestão dos portfólios e o que Bill Gates também sempre carregou na administração da Microsoft é que só podemos ser otimistas no longo prazo se formos pessimistas o suficiente para sobreviver no curto prazo.

O mundo continuará vivendo no ambiente de repressão financeira, com taxas de juros zero e excesso de liquidez, com efeito colateral de reflação dos preços dos ativos por alguns anos à frente. Nesse sentido, nosso cenário base de médio e longo prazos segue sendo construtivo com a retomada gradual da economia global, ganhando forma mais sustentada em algum momento ao longo dos próximos anos, e valorização dos preços dos ativos, refletindo a queda no retorno esperado dos investimentos.

Todavia, também como Bill Gates, somos paranóicos com os perigos. Também carregamos nossa preocupação de curto prazo e, como consequência, sempre estamos protegidos contra um cenário de estresse. Análise de risco é parte essencial no trabalho da gestão dos fundos. Nesse sentido, vemos os riscos, os excessos dos mercados e estamos sempre preparados para eventos pessimistas antecipáveis ou não.

Eleição americana, percepção de insustentabilidade da dívida pública brasileira, retrocessos nos avanços da pandemia e acirramento da Guerra Comercial entre EUA e China estão entre os fatores de risco de curto prazo que temos que estar preparados na construção dos portfólios.

Permanecemos investidos e diversificados, porém com proteções e hedges naturais, como o ouro, dólar e comprados em opções de venda de Ibovespa e S&P. Todo bom investimento se resume a sobreviver a uma cadeia inevitável de contratempos e decepções de curto prazo para, assim, poder desfrutar do progresso da sociedade e da valorização das empresas no longo prazo.

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