Recap Semanal (07/12): A visita da velha senhora

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Advisory



Diferente da famosa obra de Friedrich Dürrenmatt, a velha senhora não é uma senhora milionária que oferece uma enorme recompensa aos cidadãos de sua decadente cidade natal para que matem o homem que a abandonou na juventude.

Nesse caso, a velha senhora, que está na nossa ante-sala de visita, é a inflação. E é ela que será o nosso principal indicador sobre a duração da festa da reflação global, com cada país tendo a visita dessa senhora em momentos distintos.

A economia global está passando por um tipo de choque que ocorre uma vez a cada século. A crise atual não têm origem cíclica, nem foi devido a erros ou exageros de gestão de políticas macroeconômicas dos ciclos de negócios ou choque de preços de commodities. Mas, mesmo assim, sofremos dois choques ao mesmo tempo, um de oferta e, outro, de demanda, gerados pelo colapso do sistema de saúde pública e a sua incapacidade de responder de forma rápida e eficiente ao vírus.

Agora, como resultado de políticas fiscais e monetárias altamente expansionistas para combater os choques, vamos conviver por algum tempo com taxas de juros reais negativas e enormes programas de recompra de ativos por parte dos principais bancos centrais.

Impulsionadas pelas vacinas, juntamente com os estímulos sem precedentes, as perspectivas econômico-financeira para 2021 são muito animadoras. Praticamente uma festa de liquidez e demanda gigante por ativos de risco. Ainda existe muita liquidez, perto de US$10 trilhões de dólares em caixa, que entrarão nas veias dos sistema financeiro global em busca por yield nos próximos meses, dando ainda tempo para a continuidade da festa.

Se no passado um movimento de precificação de um processo como esse levava anos ou, até mesmo, décadas, hoje em dia, com a rapidez das informações, difusão do conhecimento, eficiência dos sistemas, entre outros fatores, tenderá a ser rapidamente precificado. Vivemos num ambiente financeiro muito rápido, vivemos com o botão de “fast-forward” apertado. Isso ficou muito evidente na rapidez do movimento da crise em março desse ano. A crise mais rápida da história.

Em função disso, tentando antecipar a próxima jogada, já começamos a debater por quanto tempo essa liquidez permanecerá abundante, qual o limite de endividamento dos governos e de valorização dos ativos e quais as luzes amarelas devemos ficar atentos, tanto no Brasil como nos mercados internacionais. 

A história se repetirá e, novamente, a festa só vai acabar quando a bebida se esgotar e o DJ parar de tocar. Em outras palavras, a festa acabará quando for iniciado o enxugamento da liquidez e normalização das taxas de juros. E o que detonará o início desse processo por parte dos bancos centrais? A velha senhora, a inflação.

No Brasil, no cenário central, a inflação passará por um pico de 6% em 12 meses em maio e deve fechar 2021 perto de 4%, já ligeiramente acima da meta. Parte desse recuo da inflação após maio será devida ao previsto recuo da inflação com o ajuste dos estoques da indústria, evidentemente, pressupondo que o câmbio volte a se valorizar e que haja acomodação do preço das commodities. 

Mas para que o câmbio se reaprecie e haja um recuo da inflação, é preciso que haja uma solução política que garanta que a situação fiscal seja rearrumada. Só assim, o Brasil poderá seguir participando da festa.

Caso contrário, é possível pensar também num cenário alternativo de desancoragem fiscal, em que o câmbio suba ainda mais, para R$ 6, por exemplo, e a inflação feche 2021 na casa de 6%, bem acima da meta inflacionária, forçando o BCB a subir juros bem antes do esperado.

A chegada da inflação, levando à normalização da taxas de juros e uma perspectiva de dívida crescente, tem o risco de jogar o câmbio ainda mais para cima, realimentando a inflação e a necessidade de mais altas de juros. É um círculo vicioso que o governo brasileiro ainda pode evitar. 

O convite do Brasil para a festa da reflação global expira mais rápido do que dos outros países. A janela positiva para o Brasil se fechará mais cedo ou mais tarde, dependendo do ajuste fiscal por parte do governo. Enquanto o risco inflacionário na economia internacional parece ainda distante, dado toda folga nos fatores de produção, no Brasil o risco parece mais próximo. De qualquer forma, a festa da liquidez não durará para sempre, seja aqui dentro como lá fora. A porta de saída será pequena e, portanto, devemos estar atentos aos primeiros sinais de inflação, que significará que a música vai parar de tocar.

Private Investment Team

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