Recap Semanal (07/09): Somos todos dinossauros apavorados

Veja a análise semanal dos especialistas da XP Advisory



Em um discurso no Milken Institute que reverbera até hoje, Jorge Paulo Lemann se disse um dinossauro apavorado.  
 
O mundo dos investimentos vive um paradigma, não apenas nos modelos de negócios mas também nos modelos de análise e nos processos de investimento. Estamos diante de mudanças estruturais, onde a tecnologia mudou a forma como analisamos e tomamos decisões de investimentos. Ter consciência dessa transformação é essencial para a tomada de decisão atualmente.
 
Mas, de certa forma, isso não é uma novidade. Durante a história econômica atravessamos momentos semelhantes de grandes inovações e transformações.
 
Parecem contra intuitivos no início, mas depois, rapidamente, se tornam óbvios. É assim que as ideias mais transformadoras funcionam. E pode ser que estejamos passando, apesar de toda dificuldade, por momento semelhante que pode significar um novo começo de algo promissor para o futuro.
 
Carros e aviões, por exemplo, são duas das maiores inovações dos tempos modernos. Mas poucos olharam para os primeiros modelos e anteciparam que eles seriam os principais meios de transporte no futuro. Demorou anos e décadas para que as pessoas percebessem esse potencial.
 
Assim como o momento atual tem sido muito desafiador, outros momentos também foram e depois se mostraram transformadores, como os anos de 1930 nos EUA. Quase um quarto dos americanos estava desempregado em 1932. O mercado de ações caiu 89%. Mas há outra história sobre essa década que raramente é mencionada: foi, de longe, a década mais produtiva e tecnologicamente progressiva da história. Muito da eficiência desenvolvida nos anos 30 ajuda a explicar por que o resto do século 20 foi tão próspero.
 
A década de 1930 testemunhou a construção de maravilhas da engenharia, grandes pontes e autoestradas que cortaram os EUA. Um mapa das principais rotas do sistema de rodovias dos EUA de 1940 parece quase idêntico ao mapa do atual.
 
A eletrificação também aumentou na década de 1930, introduzindo máquinas de lavar, aspiradores de pó e geladeiras, liberando horas de trabalho doméstico, que permitiu o aumento da participação feminina na força de trabalho. Foi uma tendência que durou mais de meio século e foi um dos principais impulsionadores do crescimento do século 20 e da igualdade de gênero.
 
O primeiro supermercado foi inaugurado em 1930. Combinar o açougueiro, a padaria e até um hortifruti sob o mesmo teto era uma maneira de ganhar escala e reduzir custo numa época de depressão.
 
Podemos estar atravessando momento disruptivo semelhante na história com o avanço da tecnologia.
 
Por essa razão que estar investido numa combinação de bons modelos de negócios com pessoas competentes e honestas, que sempre foi uma das melhores formas de proteção do valor do patrimônio no longo prazo, não é mais garantia de bons retornos.
O modelo de investimento vencedor, iniciado por Benjamin Graham e David Dodd e depois atualizado por Warren Buffett e Charlie Munger, de comprar empresas com barreiras à entrada de competidores, com fortes marcas e poder de escala, hoje não é mais suficiente para garantir geração de fluxo de caixa ao longo dos anos. A tecnologia chegou diminuindo o “moat” das grandes marcas e o fosso já não protege mais os castelos das empresas, como no passado.
 
O mundo dos investimentos está menos confortável e menos previsível. Tudo muda muito rapidamente.
 
Nem as grandes marcas tradicionais podem se acomodar, nem as maiores empresas de tecnologia podem relaxar. Além das tecnologias estarem em constante e rápida atualização, o risco regulatório é grande e é um setor que tem pouca barreira de entrada.
 
Período recente de mercado tem sido marcado por grandes rotações de posição nos portfólios. Diferente de um movimento generalizado de aversão ou tomada de risco, a dinâmica dos preços tem se mostrado por uma busca por yield em diferentes classes de ativos e setores.

Inicialmente foram as empresas de tecnologia e mais recentemente as empresas mais tradicionais, como bancos e mercado emergentes, mais ligados a commodities, tiveram boa performance relativa.

Esse movimento mais recente de rotação ou de reequilíbrio das rentabilidades esperadas se deve, em grande parte, a divulgação de alguns dados bons da economia, como de emprego, relembrando aos agentes de mercado que a economia tradicional também pode se beneficiar do excesso de liquidez, das taxas de juros baixas e dos estímulos fiscais.
 
Para um mal velejador, qualquer vento é tempestade. Mas o fato é que os ventos atuais não são para amadores. As transformações tornam os mares mais difíceis de serem navegados. As dificuldades de se interpretar o cenário de investimento atualmente são enormes e uma alocação mal feita pode acarretar em danos irreparáveis.

Nesse sentido, acreditamos que a melhor postura seja ter uma alocação equilibrada, diversificada entre estratégias, setores, moedas e regiões, alocando globalmente, e com proteções contra cenários de aversão a risco. Seguimos diligentemente implementando nossos processos e mantendo nossos checklists, preparados para momentos de incertezas e analisando sempre o cenário de investimento de curto, médio e longo prazos e os grandes movimentos disruptivos, para nos adaptarmos às transformações e não sermos extintos em meio a tantas mudanças.

Equipe XP Advisory

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