Recap Semanal (03/11): Risco é não tomar risco

Sua análise semanal de mercado e impactos pelo time da XP Advisory



O mundo está atravessando um momento de mudança de regime de política macroeconômica.  

Após 40 anos de filosofia econômica monetarista, na qual os bancos centrais dominaram a gestão dos ciclos econômicos e na qual a estabilidade de preços era o objetivo principal, estamos agora entrando em um período keynesiano, onde a política fiscal ganha mais importância ou, até mesmo, prevalece e o crescimento econômico é o foco principal das autoridades.

As políticas monetária e fiscal tornaram-se interdependentes em gerir a demanda e, como consequência, tentam simultaneamente controlar a inflação, minimizar o desemprego e maximizar o crescimento econômico. Com a diferença que a política de juros está se exaurindo e chegando próximo do seu esgotamento. Por outro lado, a política fiscal ganha peso e, assim, a principal ferramenta de estímulo sai da mão do banco central e vai para os políticos.

Em nosso cenário de maior probabilidade, esse novo perfil de regime econômico continuará pelos próximos vários anos. A questão que dominará o trabalho de asset allocation na próxima década será como se dará o desenrolar desse retorno à política keynesiana ao longo dos anos.

A partir daqui bifurcamos a árvore de probalidade em outros dois cenários possíveis. Experiência do final dos anos 1960 e 1970 e o cenário vivido no final dos anos 1940 até início dos anos 1960.

A experiência do final dos anos 1960 até 1970 sugere que redirecionar as políticas fiscais e monetárias para o trabalho de geração de crescimento e o emprego não levará a um crescimento mais forte, mas, em vez disso, a uma rápida aceleração da inflação, agitação social, instabilidade financeira e crescimento mais fraco. Em outras palavras, estagflação.

No entanto, também é possível que a próxima década possa vir a se assemelhar à “Era de Ouro Keynesiana” da gestão de demanda bem-sucedida do final dos anos 1940 até meados de 1960s, período que a economia global experimentou um boom de crescimento no pós 2a Grande Guerra Mundial. Durante este período, a inflação acelerou apenas suavemente, o pleno emprego foi alcançado e amplamente mantido por meio de flutuações cíclicas moderadas e todas as economias avançadas desfrutaram de forte crescimento econômico.

É quase certo que a inflação acelerará nos próximos anos, mas se a inflação da próxima década será mais parecida com a alta descontrolada dos índices de preço do final dos anos 1960 e 1970 ou moderada com a da idade de ouro keynesiana dos anos 1950 e início dos anos 1960 é impossível prever no momento atual.

Portanto, devemos manter a mente aberta sobre a possibilidade de qualquer um dos cenários principais. Todavia, temos o benefício de ir ajustando a vela do barco de acordo com o vento.

A experiência recente sugere que será difícil para a inflação acelerar muito nos próximos um ou dois anos, devido aos enormes hiatos de produção e ao desemprego criados pela Covid.

Nos parece, portanto, que o crescimento global nos próximos anos provavelmente não será inflacionário e também poderá ser surpreendentemente forte devido ao enorme estímulo fiscal.  Nesse caso, pelo menos nos anos mais próximos, a era de ouro keynesiana parece um cenário mais plausível, mesmo que, mais adiante, eventualmente se revele errado porque a inflação acelerará, levando à estagflação.

Se essa sequência de cenários se concretizar, investimento em ativos reais e ações cíclicas devem render bons resultados e os hedges de inflação só se tornarão atraentes após um ou dois anos. Por outro lado, tanto a era de ouro keynesiana quanto os cenários de estagflação são muito negativos para os títulos de renda fixa.

Sendo assim, pelo menos nos próximos um a dois anos, a única maneira de se obter algum retorno atraente é correndo mais risco, aceitando volatilidade e investindo em ações. Também em qualquer que seja o cenário, a estratégia de renda fixa deve ter o menor peso possível dentro dos portfólios. Quem não aceitar risco estará decidindo sofrer perda  real do patrimônio ao longo do tempo. O perigo é não tolerar mais risco.

XP Advisory

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