Recap Semanal (17/08): O mundo em mudança

Veja a análise semanal dos especialistas da XP Advisory



Frances Perkins, secretária do Trabalho de ex-presidente americano Franklin Delano Roosevelt, disse que a coisa mais notável sobre a paralisia do presidente era como ela parecia pouco incomodá-lo. Uma vez, o presidente disse a ela: “Se você não pode andar e eles te trazem um copo de leite, quando você quer um suco de laranja, você aprende a dizer “está tudo bem” e beber mesmo assim.”

Essa é uma habilidade útil em um mundo que está em constante ruptura e renovação. É a capacidade de aceitar um certo grau de aborrecimento e incômodo para, então, se adaptar a uma nova realidade ou algo que você não desejava, a mudança de um status que você já estava adaptado. Para aceitar o novo precisamos ter capacidade de tolerar o diferente e sair da zona de conforto.

Estamos num período de grandes transformações, onde muitas mudanças serão permanente mas outras são apenas temporárias. Muitos ativos estão perdendo o status de reserva de valor e a relação entre capital e trabalho/ideias está mudando para sempre. Mas, muita coisa segue como antes, apesar do ambiente de excesso de estímulo e liquidez.

A semana passada foi marcada por uma tensão nos mercados domésticos, que pressionou para baixo o Ibovespa, o dólar para cima e empinou a curva de juros. Alguns riscos são estruturais mas outros são apenas temporários. Saber distinguir o que é permanente do que é temporário é essencial para saber o que é posição de longo e o que é de curto prazo. Sempre com a mente aberta para aceitar mudanças.

Pedidos de demissões na equipe do ministro Paulo Guedes e a disputa interna no governo, entre fiscalistas e desenvolvimentistas, acentuaram temores sobre contas públicas. As declarações do presidente a favor da manutenção do teto de gastos foram positivas mas permanceram dúvidas no mercado.

Sustentabilidade da dívida do setor público é uma variável que nos preocupa estruturalmente. Isso não muda, mas excesso de liquidez global atenua o risco fiscal de curto prazo. Mas segue sendo uma variável importante e que afeta especialmente alguns ativos, como por exemplo, o yield da NTN-B 2050, a parte longa da curva.

Apesar disso, sabemos que enquanto o ambiente global seguir líquido e o governo seguir entregando algumas reformas, a percepção de sustentabilidade fiscal permanecerá alta. Existe uma janela de curto prazo que torna os mercados mais benevolentes com alguns parâmetros fiscais.

Do lado internacional, a aproximação da eleição presidencial americana torna o ambiente de curto prazo também desafiador. Não só o Congresso está menos propenso a tomar decisões sobre novos pacotes fiscais com a proximidade da eleição, como o Fed entra num período historicamente menos ativo em termos de influência de política monetária. A postura é de tentar não influenciar o ambiente político, na medida do possível.

Dito isso, apesar de acreditarmos que o valor do dinheiro tenha mudado estruturalmente e que permanecerá o cenário de longo prazo com taxa de juros zero e excesso de liquidez por muito tempo à frente, com efeito colateral de continuidade de reflação dos preços dos ativos e com a busca por alternativas de reservas de valor, no curto prazo poderemos atravessar período de questionamento dos fundamentos vis-à-vis os níveis de preço dos ativos mais elevados.

Em função disso, mantemos nossas alocações em renda variável, porém aumentamos nossos hedges, com estruturas de put de Ibovespa e de S&P. Estamos com aproximadamente metade da posição em bolsa, relativamente, bem protegida. Além disso, seguimos com parcela comprada em dólar e em ouro, ativos descorrelacionados que são proteções naturais em momentos de estresse. O momento de curto prazo recomenda cautela, mas estruturalmente seguimos construtivos, dado a continuidade dos estímulos sem precedentes nesse novo mundo de juros zero.

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