Comentário Internacional: Mais US$ 3tri de estímulos e Disney ensaia reabertura

Panorama diário, análises de cenário internacional e ações globais


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CENÁRIO GLOBAL

Nesta manhã, mercados internacionais sem direção definida à medida que investidores ponderam a velocidade da recuperação pós-reabertura econômica, riscos do novo pacote de estímulos proposto e o Fed anuncia compra de dívida corporativa. Futuros nos EUA em alta de 0,6% enquanto bolsas na Europa caem 1,3%, após fechamento misto na Ásia.

Democratas aproveitam o ritmo de impressão de dinheiro nos EUA e finalizam proposta de um novo pacote de estímulos avaliado em US$ 3tri. Além de US$ 1tri de ajuda para os estados, o texto propõe reduzir os poderes do presidente, provisões para o setor de cannabis e mais financiamento para organizações artísticas.

Coronavírus: China afirma que testará os 11 milhões de habitantes de Wuhan e mercado questiona credibilidade dos dados.

Macro – EUA: Inflação nos EUA (excluindo petróleo e alimentos) caiu 0,4% em um mês, maior queda já vista desde o início da série em 1957. Powell fala às 10h.

Reino Unido: PIB encolheu 2% no primeiro trimestre, a pior contração desde a crise financeira de 2008. E para o segundo trimestre, quando realmente foram sentidos os efeitos da quarentena, espera-se uma contração de 25% – estamos falando do pior ritmo de crescimento em 3 séculos.

EMPRESAS

Temporada de resultados 1T20 – Hoje reportam: Tencent, Cisco, Aston Martin. Ontem:

Saudi Aramco: a maior empresa de óleo e gás do mundo, anunciou lucro de US$ 16,7bi no trimestre e em linha com as expectativas. Ação subiu 1,3% após o anúncio. Desde o recente IPO, a empresa tenta passar a imagem de vantagem competitiva por menor custo global de extração, pouco endividamento em relação aos pares, compromisso com dividendos e longevidade de 52 anos de extração (contra média de 12 anos do mercado).

Toyota: Neutro. Companhia sinalizou que lucro deve cair 80%, para a menor cifra em 9 anos, e espera que a indústria automotiva deva demorar 1 ano para recuperar 100% das vendas e voltar para níveis pré-pandemia.

Honda: Negativo. Ação caiu 3,5% na abertura, com lucro 16% menor que a expectativa. É a primeira vez desde 2011 que a companhia não fornece o guidance para o ano, mas já retomou produção na China e nos EUA.

Dufry: Negativo, mas não muito diferente do esperado. A empresa registrou redução de 94% das vendas em Abril. Ação cai 74% no ano.

Além dos resultados:

Disney se prepara para reabertura parcial no dia 20 de maio do Disney Springs, com aplicação de medidas sanitárias. Apesar do pequeno passo, o CEO da empresa sinaliza otimismo para o mercado.

Choque na cadeia logística: a maior transportadora de contêineres do mundo, Maersk, indicou que os volumes transportados devem vir 25% menores neste trimestre.

Twitter anunciou home office permanente para a maioria de seus funcionários. Google e Facebook também parecem ir nesta direção. Notícia negativa para imóveis comerciais.

ANÁLISES DE MERCADO

James Bullard (Fed) alerta para riscos reais de depressão econômica, caso a manutenção do lockdown ultrapasse os 90 ou 120 dias, resultando em falências dos diversos agentes econômicos. Ressalta também que a estratégia de lockdown é excessivamente genérica e que autoridades deveriam adotar uma aproximação baseada em avaliação de riscos, ou haverá risco de despertar uma nova repressão como a de 1929.

A segunda maior aérea da América Latina, Avianca, declarou falência e põe em risco 21 mil empregos (lembrando que Warren Buffett desinvestiu das aéreas devido às mudanças estruturais no negócio). A varejista de vestuário JC Penney (95 mil empregos) também declarou falência e parece puxar a fila de outras que estão por vir, como Neiman Marcus (14 mil empregos).

Apesar dos US$ 660 bi de auxílio governamental dos EUA, 50% das pequenas empresas esperam fechar as portas nos próximos 6 meses caso a situação permaneça e 75% delas já dispensaram seus funcionários temporários.

Até o momento, o Fed e a Casa Branca estão evitando um desastre econômico. O Fed já comprou o equivalente a US$ 2,5tri em ativos e diz que deve entrar no mercado de ETFs de dívidas corporativas, e a Casa Branca assinou US$ 2,4 tri de auxílio emergencial nos últimos 2 meses, totalizando ~US$ 5 tri injetados na economia, o equivalente à soma do PIB do Brasil, Itália e México.

Fonte: BBG, XP

Dados de retomada do tráfego na China, e o cronograma de reabertura nos EUA (100% reaberto até o meio de junho), trazem mais visibilidade e dão sinal positivo. No entanto, as incertezas permanecem. No melhor caso, o mundo terá que lidar com uma retomada lenta no consumo e, no pior, possíveis novas quarentenas como resultado de pressão política com futuras ondas de contágio.

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