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Inflação de 2023 deve ficar pelo menos mais um ano acima do teto da meta

Como apontamos no nosso relatório macro mensal de dezembro, nossa projeção para o IPCA em 2023 é de 5,4%.

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Como apontamos no nosso relatório macro mensal de dezembro, nossa projeção para o IPCA em 2023 é de 5,4%. Os dados recentes mostram início do processo de desinflação, com os IGPs de em campo negativo –o componente de preços ao atacado (IPA) registrou deflação pelo quarto mês consecutivo em novembro – e essa descompressão de custos tende a chegar ao consumidor mais adiante. Ainda, a inflação de serviços também começa a mostrar dinâmica mais favorável. Em novembro, a inflação de serviços anualizada arrefeceu para 4,22%, de 5,39% em outubro (média móvel 3 meses, com ajuste sazonal). O grupo de serviços subjacentes – preços mais sensíveis ao ciclo econômico – recuou de 7,50% para 6,75% na mesma base de comparação. A desaceleração da economia, como resposta ao ajuste monetário implementado pelo Banco Central, reforça a tendência de queda da inflação nos próximos trimestres.

A inflação de 2023 será em grande parte impulsionada pelo avanço de preços administrados, sobretudo pelos aumentos de gasolina. Já entre os preços livres, a desinflação de alimentação no domicílio e bens industriais compensarão parcialmente inflação de serviços ainda elevada.

O pico da taxa de variação acumulada em 12 meses do IPCA deverá ser em janeiro, em 6,09%, desacelerando gradualmente até junho, quando volta a subir e permanece acima do teto da meta de inflação de 2023.

Para nossas projeções, consideramos leve queda dos preços das commodities em dólares, normalização do funcionamento das cadeias de suprimentos de insumos industriais e das condições climáticas, além de estabilidade na taxa de câmbio em torno de R$ 5,30/US$. Esses movimentos, em conjunto com uma desaceleração no ritmo de crescimento da atividade econômica, devem contribuir para desinflação (em alguns casos deflação) de bens industriais e alimentos. No caso de serviços, a inflação modera ante 2022, mas segue acima do centro da meta.

Apesar de pressões de curto prazo, leitura é benigna para alimentação no domicílio em 2023. As indicações para a safra 2022/2023, feitas pela Conab, são de crescimento da produção de grãos, com incremento da área plantada e melhora das condições climáticas, mesmo que sob efeito do fenômeno La Niña até primeiro trimestre do ano que vem. É esperada maior área plantada também de produtos in natura e oferta de proteína animal, especialmente carne bovina. Esperamos variação de 3,3% para o grupo no ano que vem, com queda de 5,0% nos preços de carnes.

Bens industriais devem passar de 8,9% em 2022 para 2,5% em 2023. Projetamos que todos os subgrupos (não duráveis, semiduráveis e duráveis) registrem recuo interanual. Desaceleração da demanda doméstica ligada ao crédito, estabilidade do câmbio e queda dos preços de insumos em dólares são hipóteses importantes para essa projeção.

Com relação aos serviços, a perspectiva é de continuidade da trajetória descendente que tem sido observada nos últimos meses. Serviços mais ligados à mão de obra e inércia ganham força em relação a 2022, mas preços de serviços ligados à atividade desaceleram mais acentuadamente.

Por fim, grande pressão deve vir de preços administrados, cuja projeção é de 8,5%. Desse aumento, 30% são explicados pela alta de gasolina projetada para 2023, em 13,7%. Consideramos em nosso cenário a volta da tributação do Pis/Cofins sobre combustíveis (impacto de +50 bps). Além disso, projetamos alta no preço de etanol e preço médio do petróleo Brent em torno de 90 dólares o barril, o que contribui para preços mais altos. Não consideramos em nosso cenário elevação do ICMS. Para energia elétrica, projetamos variação de 5,5%, já considerando reajuste proposto para CDE de 4,15%. Trabalhamos com hipótese de bandeira verde no fim do ano, mas acionamento da bandeira amarela de julho a novembro.

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