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Inflação de setembro é marcada por deflação menos intensa

O mês de setembro foi marcado pela continuidade do arrefecimento inflacionário, embora em menor intensidade quando comparado ao mês anterior.

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O mês de setembro foi marcado pela continuidade do arrefecimento inflacionário, embora em menor intensidade quando comparado ao mês anterior. A deflação na maioria dos índices se deve à continuidade da tendência baixista em preços administrados, principalmente por conta de energia elétrica e gasolina. Do lado de preços livres, recuo na alimentação em domicílio e desaceleração de bens Industriais, são a razão pela qual recuaram marginalmente em relação a setembro no IPCA e IPCA-15.

Como dito no nosso último relatório mensal, revisamos nossa projeção de IPCA para o final de 2022 e 2023 para 5,6% e 5,2%, respectivamente.

Para os próximos meses é esperada a retomada de variação positiva nos preços.

IPCAs – Índice de Preços ao Consumidor Amplo

O IPCA-15 – índice no qual a coleta costuma ocorrer entre o dia 16 do mês anterior e 15 do de referência, tido como prévia para o IPCA fechado – teve variação negativa acima da nossa expectativa (-0,37% contra -0,20% da XP).

Analisando no detalhe, houve continuidade da deflação – apesar de em menor grau – em preços administrados (-1,66%, após -4,28% e projeção de -1,90) e estabilidade em preços livres (0,07% ante projeção de 0,35% e 0,53% em agosto). O índice de difusão,  que mede percentual dos itens com variação positiva, se manteve em queda, sinalizando de inflação menos generalizada entre os itens.

Enquanto isso, o IPCA – principal índice de preços do Brasil, métrica oficial de inflação adotada pelo Banco Central – apresentou variação acima das expectativas. O índice caiu 0,29%, enquanto nossa projeção era de -0,33%.

Na análise do IPCA de setembro, vale destacar a deflação em Alimentação e Bebidas (-0,51% ante 0,24% em agosto), puxado por intensa queda em Leite e Derivados (-6,15% ante 0,44%) e, em menor medida, Carnes (-0,72%, ante -0,53%), além do menor aumento em Alimentação fora do domicílio (0,47% ante 0,89%).

Nesta leitura vimos deflação menos intensa em Transportes (-1,98% após -3,37%), puxado por queda no preço da gasolina (-8,33% após -11,64%), decorrente da dissipação do efeito das quedas nos preços dos combustíveis nas refinarias, redução do PIS\COFINS e a despeito de recuo intenso em Etanol (-12,43%, ante 8,67% em agosto e projeção de -11,0%). Comunicação seguiu a mesma tendencia do mês anterior e caiu (-2,08% ante -1,10% anterior, projeção de -2,29), nesse caso, pelos efeitos defasados da redução de impostos terem se refletido mais intensamente na última divulgação. Em Habitação, reajustes altistas na energia elétrica de Vitória, Belém e São Luís – em agosto – puxaram o aumento mais intenso (0,60% ante 0,10%, projeção de 0,43%).

Por fim, Despesas Pessoais (0,95%, após 0,54%, projeção de 0,90%) – a partir de aumento em serviço bancário (1,56% ante 0,20%) e itens relacionados à gasto com recreação – e Vestuário (1,77%, ante 1,69%, projeção de 1,48%) – variaram positivamente.

IGPs – Índice Geral de Preços

O IGP-10 calcula a variação entre o dia 11 do mês anterior e 10 do atual; o IGP-M, do dia 21 de cada um; e o IGP-DI calcula um mês cheio, ou seja, do dia 1º até 30 ou 31. Nesse sentido, indicar a linha do tempo da divulgação de cada um é importante para sinalizar o fechamento do mês corrente, além de ser essencial para indicar a inflação ao produtor com o IPA – Índice de Preços ao Produtor Amplo (60% do IGP); ao consumidor, com o IPC – Índice de Preços ao Consumidor (30% do IGP); e ao setor de construção civil com o INCC- Índice Nacional de Custo de Construção (10% do IGP). Nesse sentido, a sensibilidade dos índices em relação aos três grupos é dada pelo peso de cada um.

A tônica dos IGPs desse mês foi a deflação mais intensa. Produtos industriais aprofundaram a queda anterior (-1,50% no IGP-10; -1,39% no IGP-M; -1,88% no IGP-DI), puxado novamente pelas variações observadas em produtos derivados de petróleo. Produtos Agrícolas trocaram de sinal em setembro (-0,39% no IGP-10; -0,99% no IGP-M; -1,20% no IGP-DI), pela moderação na espiral inflacionária em leite in natura e menor pressão em bovinos.

Para o IPC, índice de preços ao consumidor, ocorreu queda mais suave em relação a agosto (-0,14% no IGP-10; -0,08% no IGP-M; +0,02% no IGP-DI). Energia elétrica e combustíveis foram os destaques, além de aceleração observada em passagem aérea (27,61% após -17,32% no IGP-M) e aluguel residencial (1,42% ante 0,27% no IGP-M).

Por fim, no INCC-DI, os preços de Mão de obra apresentaram aumento em relação a agosto (0,39% ante 0,28%), em grande parte por conta de reajuste salarial do setor no Rio de Janeiro. Para Materiais, equipamentos e serviços, queda de 0,20%, após -0,10%.

INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor

O INPC, que é diferente do IPCA por conta de sua mensuração considerar menor faixas de renda – até 5 salários-mínimos comparado a 40 salários-mínimos no segundo – teve deflação de 0,32% em setembro, após -0,31% em agosto.

A variação acumulada no ano é de 4,32% e em 12 meses, 7,19%.

Custo da Cesta Básica

Por fim, o custo da cesta básica, índice calculado pelo PROCON no qual se mede a variação do custo da cesta básica no país, caiu -0,32% em setembro, após deflação de -1,08% em agosto. Apesar de ser um índice defasado, é importante por retratar o impacto da inflação para as pessoas de menor renda.

O grupo Limpeza teve alta de menor magnitude que agosto (2,25% ante 3,41%), enquanto Higiene Pessoal (2,34%, após 1,87%) seguiu o sentido oposto e segue sua tendencia de alta, iniciada em junho.

No ano, o índice acumula alta de 14,11% (14,82% em 12 meses).

O que o último dado de inflação nos Estados Unidos e Europa podem significar para o Brasil?

Tal como no Brasil, a inflação nos EUA veio em nível acima do consenso: avançou 0,4% em setembro, com o consenso de mercado projetando 0,2% e a XP, -0,1%. Para análise detalhada, veja nosso relatório. No mesmo sentido, a Europa teve inflação acumulada de 10% em setembro, com variação mensal em 1,2%, acima das expectativas de 0,9% (para mais detalhes, veja nosso relatório).

Com o Banco Central Europeu e FED pressionados, é esperado que o cenário inflacionário para o Brasil em 2023 seja benigno, tendo em vista o vetor baixista vindo de juro mais alto nos países centrais e a política monetária doméstica em campo contracionista afetando de maneira mais intensa a nossa economia. Além disso, leva-se em conta um processo de desinflação relacionado à normalização das cadeias de oferta globais.

Cenário inflacionário para os próximos meses

Com a deflação observada no atacado, desaceleração de bens industriais e serviços subjacentes, bem como dinâmica benigna capturada por indicadores de alta frequência, projetamos IPCA para 2022 em 5,6%. Além disso, gradual normalização das cadeias globais de suprimentos e queda nos preços domésticos de energia reforçam esse cenário, corroborado por queda nos custos de fretes marítimos e acomodação do preço de commodities, apesar de ainda em patamares elevados. Por outro lado, a tendencia baixista nos preços de combustíveis deve perder força, levando o índice para o campo positivo nas variações mensais até o fim do ano. Esperamos, ainda,  pressão vinda de alimentação por conta de fatores sazonais do período de festas de fim de ano e o setor de serviços em destaque – apesar de alguma queda marginal por conta dos efeitos da redução de impostos em comunicação.

Para 2023, a menor inércia inflacionária, aliada a demanda arrefecida pela política monetária contracionista no Brasil e países desenvolvidos, nos fez revisar a projeção para 5,2% (ante 5,3% anteriormente), apesar da continuidade da pressão vinda do setor de serviços, mas menor intensidade quando comparado a 2022. Assumimos reoneração de PIS\COFINS em combustíveis; caso se mantenha a desoneração, segundo nossas estimativas, o impacto corresponde a impacto na ordem de -0,50pp no IPCA.

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