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Economia em Destaque: Nova alta de juros e combustíveis

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

Nesta semana, as decisões de juros nos EUA, no Brasil e em outras partes do mundo foram o principal tema econômico. As altas de juros aumentam a percepção de aumento de risco de recessão global.

No Brasil, foi aprovado o PLP 18, projeto que tem como efeito a redução do ICMS sobre combustíveis e energia elétrica. Apesar disso, a pauta de combustíveis não sai do radar com novo reajuste de gasolina e diesel pela Petrobras.

Atualizações Covid-19 no Brasil

No Brasil, tanto a média móvel de sete dias de novos casos quanto a de óbitos subiram, para 40,1 mil e 151, respectivamente. Ao todo, 84,6% da população brasileira já está vacinada com ao menos a primeira dose de imunizante contra a doença; 79,4% já tomou dose única ou duas doses e 48,0% já teve o reforço da vacinação.

Cenário internacional

FOMC promove a maior elevação de juros em 30 anos nos EUA

O FOMC, Comitê de Política Monetária do banco central americano, elevou a taxa básica de juros em 0,75 pp, o aumento mais forte em quase 30 anos. Com isso, a taxa dos Fed Funds foi para o intervalo entre 1,50-1,75% a.a. O aumento já era esperado pelo mercado nos últimos dias que antecederam a reunião devido à piora no quadro de inflação.

Mais importante até do que a alta desta semana, foi a sinalização que os juros devem chegar perto de 4% no ano que vem (contra uma sinalização em torno de 3% anteriormente). Como resultado, as bolsas caíram fortemente no mundo.

Com muitos bancos centrais aumentando as taxas tempestivamente para conter a inflação (ver Europa e Reino Unido abaixo), a maioria dos participantes do mercado prevê uma recessão global em algum momento nos próximos 12 meses, uma vez que a elevação de juros tem como efeito a desaceleração da atividade econômica.

Banco Central Europeu se reúne extraordinariamente após anunciar aumento de juros em julho

O Banco Central Europeu fez uma reunião de emergência do seu Conselho, após o encontro da semana passada na qual sinalizaram aumento da taxa básica de juros da região em julho. O BCE discutiu uma estratégia mais ampla para proteger a integridade da região do euro, incluindo a possibilidade de reinvestimento dos ativos adquiridos durante seu programa de compra de ativos para conter os efeitos da crise do Covid-19 sobre os mercados.

Com a inflação da região em nível recorde desde a criação do Euro e a sugestão de um aperto monetário adiante pelo BCE, os juros dos títulos dos países da zona do euro subiram rapidamente. Após a reunião extraordinária, o Banco Central Europeu comunicou que não irá permitir que os mercados de títulos soberanos saiam do controle durante o ciclo de alta de juros.

Reino Unido sobe juros e economia já demonstra sinais de esfriamento

O Banco da Inglaterra (BoE) elevou os juros britânicos conforme o esperado, em 0,25 pp, levando a taxa ao patamar de 1,25%, nível mais alto desde 2009.

A taxa de desemprego da Grã-Bretanha subiu pela primeira vez desde o final de 2020 e outros indicadores do mercado de trabalho do país apontaram esfriamento da atividade, potencialmente aliviando as preocupações do Banco da Inglaterra com a inflação recorde.

Japão na contramão

O Banco do Japão (BoJ) é exceção na tendência de juros mais altos no mundo. O BoJ manteve a sua taxa de juros inalterada, mantendo sua política monetária frouxa em vigor, com juros negativos (-0,1% a.a).

Economia chinesa recupera o fôlego em maio após lockdowns

Na China, os principais indicadores econômicos de maio ficaram acima das expectativas, uma vez que o relaxamento das restrições do Covid melhorou as condições de oferta da economia. A produção industrial de cresceu 0,7% em maio contra o mesmo período do ano anterior, ante a queda de 2,9% em abril. As vendas no varejo continuam em território negativo, mas caindo menos que o esperado e menos que no mês anterior. A recuperação deve continuar à medida que a reabertura continua e os estímulos ao crédito do governo fazem efeito.

Enquanto isso, no Brasil…

Copom: ciclo está chegando no fim, mas alta de junho não foi a última

O Copom elevou na quarta-feira a taxa Selic em 0,50 pp, para 13,25%. No comunicado que acompanhou a reunião, o Comitê indicou outro aumento “de igual ou menor magnitude” em agosto.

Acreditamos que o Comitê fará mais um aumento de 0,50 pp, uma vez que as atuais pressões inflacionárias não devem diminuir o suficiente até lá. Consideramos que a decisão e o comunicado são consistente com nosso cenário de taxa Selic terminal de 13,75%.

Aprovado PLP 18, mas Petrobras volta a elevar gasolina e diesel

O Congresso aprovou o PLP 18/2022, que passa a considerar combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte público como itens essenciais, sujeitos à alíquota máxima de 17% no ICMS. A proposta teve mudanças importantes em relação à sua versão anterior, principalmente na inclusão da desoneração de tributos federais (PIS, Cofins e Cide).

A aprovação do PLP/18 não é solução definitiva para a alta dos combustíveis. Os preços no Brasil estão novamente defasados em relação aos níveis internacionais (pela alta do petróleo e pela desvalorização recente da taxa de câmbio). Desta forma, a Petrobras anunciou nesta sexta-feira um novo reajuste de preços, de 5,18% para gasolina e 14,26% para diesel, apesar das pressões políticas contrárias à medida.

Nossa projeção de IPCA (9,2%, desconsiderando as medidas de desoneração em discussão no Congresso) já considera um aumento adicional de 10% nos preços dos combustíveis.

Serviços tem alta em abril, mas dados desagregados começam a indicar desaceleração

O IBGE publicou os resultados da PMS – Pesquisa Mensal de Serviços – de abril, que registrou aumento de 0,2% da receita real do setor de serviços entre março e abril (XP: 0,4%; consenso: 0,5%). Ainda assim, os resultados indicam que o setor de serviços segue em trajetória positiva, colhendo frutos da reabertura econômica (normalização do padrão de consumo); recuperação do emprego; maiores transferências de dinheiro do governo com base no novo programa de bem-estar; e medidas de estímulo de curto prazo, como a liberação de saques extraordinários do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Esperamos que a atividade doméstica desacelere gradualmente adiante e reforçamos a projeção de crescimento de 1,6% para o PIB de 2022.

O que esperar para semana que vem?

No cenário internacional, os destaques serão os discursos de dirigentes do Fed, repercutindo a decisão de juros. Além disso, teremos a decisão de juros da China, a divulgação da inflação ao produtor da Alemanha em maio e a prévia de junho de índices de gerentes de compras (PMI) de países desenvolvidos.

No cenário doméstico, os destaques serão a divulgação da ata da última reunião do Copom, o IPCA-15 de junho e a arrecadação federal de maio.

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