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Ano novo, vida nova?

O ano começou com bastante volatilidade nos mercados, e o S&P500 teve o seu pior começo de ano desde 2016. O índice Ibovespa também caiu 2% na semana, com grande discrepância entre os setores. Quais são os principais temas que seguem impactando os mercados?

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Mais um ano começou. Com ele, muitas resoluções e promessas são feitas, junto da esperança de dias melhores pela frente. Nada mais justo, afinal a pandemia alterou fundamentalmente a forma como nós vivemos ao longo dos últimos 2 anos. Em muitos aspectos, porém, dá para se dizer que 2022 começou sem que muitas coisas tenham mudadas drasticamente no mundo.

O ano começou com bastante volatilidade nos mercados, e o índice S&P 500 teve o seu pior começo de ano desde 2016. O Ibovespa também caiu 2% na semana, com grande discrepância entre os setores. Quais são os principais temas que seguem impactando os mercados?

1. A pandemia continua

Estamos vivendo mais uma nova onda da COVID, e a mais contagiosa até agora. Apesar disso, a variante Ômicron tem se mostrado bem menos letal que as cepas anteriores até o momento. Será que essa nova variante irá representar o começo do “fim da pandemia”, dado que ela irá rapidamente repor as cepas mais letais anteriores, como a Delta? Ou será que novas cepas, mais virulentas e perigosas, voltarão a aparecer no futuro?

Essas são respostas que ninguém tem no momento. Até agora, o mercado não tem reagido mal ao rápido aumento de casos da Ômicron. Isso porque não estamos observando o mesmo impacto na economia como visto nas outras variantes. Temos visto menos anúncios de lockdowns, de fechamentos de fronteiras e de setores da economia. Além disso, a aceleração da vacinação pelo mundo e a baixa letalidade dessa nova variante têm aumentado a esperança de que essa cepa poderá ser “mais branda” em relação às anteriores.

Falando dos dados, enquanto a média móvel de casos no mundo se encontra em um recorde acima de 2 milhões por dia, a média móvel de mortes hoje é de 6,1 mil, ou 60% abaixo do pico de 15 mil mortes diárias, em fevereiro de 2021. No pico das mortes diárias no mundo, a razão de mortes para número de casos estava em 2,73%. Hoje, essa razão se encontra em 0,31%, quase um décimo do observado no pico.

Os especialistas acreditam que o Brasil irá observar um forte aumento no número de casos confirmados ao longo das próximas semanas. Mesmo que a virulência dessa cepa venha sendo menor até agora, ela já tem causado impactos em setores, como o de transportes, e setores bastante intensivos em mão-de-obra, por conta do grande número de trabalhadores infectados. Ou seja, o impacto da pandemia em vários setores da economia segue nesse início de 2022, mesmo que de uma forma diferente do passado.

Fonte: Bloomberg News, Johns Hopkins, XP Research.

2. Combate à inflação segue como o tema da vez

Essa semana tivemos uma surpresa vinda do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano. Na quarta-feira, a ata da última reunião do FOMC (Comitê de Política Monetária) foi publicada. Nela, duas mensagens surpreenderam o mercado, que foram discutidas entre os membros do FOMC: 1) a necessidade de antecipar a alta das taxas de juros nos EUA, e 2) possivelmente começar a reduzir o tamanho do balanço de ativos do Fed.

Ou seja, não só o Fed irá parar de injetar liquidez nos mercados via compra de títulos – também conhecido como tapering – mas também foi discutida a possibilidade de redução do tamanho do balanço de ativos. Desde o início da pandemia, o balanço do Fed se expandiu em +US$ 4,6 trilhões, saindo de US$ 4,1 trilhões em fevereiro de 2020 para quase US$9 trilhões atualmente. Esse aumento brutal se traduziu em aumento de liquidez nos mercados que, no final, refletiu-se em um aumento dos preços dos ativos.

Dessa forma, a mensagem mais dura do Fed culminou em uma alta expressiva nas taxas de juros dos títulos do governo americano, as chamadas Treasuries, como vemos no gráfico abaixo. As taxas de juros das Treasuries de 2, 5 e 10 anos subiram aos maiores níveis vistos desde o início da pandemia. O título de 10 anos chegou a uma taxa de 1,76% ao final da semana.

Com isso, vimos uma queda generalizada das Bolsas lá fora. O S&P 500 recuou quase -2% na semana e o Nasdaq -4,5%, sendo o pior começo de ano para a Bolsa Americana desde 2016.

Fonte: Federal Reserve, XP Research
Fonte: Bloomberg, XP Research

3. Setores da economia real sendo favorecidos em relação à tecnologia

Dado o aumento das taxas de juros nos EUA e no mundo, o que vimos é a continuação de uma forte rotação entre setores. Os setores mais beneficiados por esse aumento e pela alta dos preços das commodities subiram forte na semana, como o setor de Energia e Bancos. Já os setores mais sensíveis à taxa de juros, como Imobiliário e Tecnologia, foram os setores que mais sofreram na semana, com fortes quedas aqui e lá fora.

No Brasil não foi diferente, vimos os setores de Bancos e Commodities liderando as altas da Bolsa na semana, enquanto os papéis ligados ao setor de Tecnologia e setores domésticos sofreram bastante.

É importante frisar que, caso essa rotação continue no mundo nos próximos meses, isso pode acabar beneficiando o Brasil. Isso porque a Bolsa brasileira tem uma grande exposição aos setores Financeiro (23%) e de Commodities (41%). O Brasil pode seguir atraindo recursos de investidores estrangeiros em 2022, assim como vimos em 2021, com a entrada de mais de R$100 bilhões.

Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

4. Já no Brasil, mais do mesmo…

No Brasil, começamos o ano novamente com notícias negativas sobre o cenário Fiscal, após declarações do líder do governo na Câmara dos Deputados sobre a necessidade de se alterar o teto de gastos.

O mercado já trabalhava com a hipótese de que, após toda a discussão e o desgaste que levaram à aprovação da PEC dos Precatórios em 2021, o tema fiscal não seria mais um grande risco para 2022. Nessa hipótese o tamanho das novas despesas dentro do novo teto já era sabido e o assunto não voltaria à tona antes das eleições.

Dessa forma, o comentário vindo do Deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, já na abertura do ano, em relação à necessidade de se “rediscutir o assunto do teto de gastos”, foi mal recebido pelo mercado. As taxas de juros, medidas pela curva futura do CDI, voltaram a subir, assim como o Dólar, e a Bolsa sofreu novamente.

O contrato do CDI para Janeiro de 2025, por exemplo, subiu de 10,6% no início da semana, para 11,38% ao final da semana. O Dólar passou dos R$5,70 durante a semana, mas recuou para R$5,63 na sexta-feira, em meio a uma apreciação global das moedas emergentes frente ao Dólar. Já a Bolsa Brasileira recuou 2% na semana, com forte queda dos setores mais sensíveis à taxas de juros, como setores Imobiliário, Shoppings, Varejo e Tecnologia.

Vimos esse filme desde junho de 2021, onde os riscos domésticos se sobressaíram e pressionaram os ativos brasileiros. Abaixo, os gráficos do Dólar-Real e a curva de juros do CDI.

Conclusão – começo de ano volátil, mas com oportunidades pela frente

Como escrevemos em nosso relatório “Onde Investir em 2022“, o ano de 2022 deve trazer maior volatilidade, como vimos já nessa primeira semana do ano. Os estímulos monetários estão sendo retirados pelo mundo, os juros estão começando a subir por conta da inflação alta e persistente, e o crescimento econômico será mais fraco. No Brasil, além do cenário Macroeconômico desafiador, as eleições no 2º semestre também devem trazer maior volatilidade ao mercado.

Porém, lembre-se que volatilidade também traz oportunidades. Os preços dos ativos brasileiros já embutem muitas notícias negativas. Na Bolsa, várias empresas sólidas estão negociando em patamares muito atrativos de valuation e preço. Os fortes resgates que os fundos de investimento no Brasil estão sofrendo nos últimos meses levaram à venda forçada de vários ativos de qualidade. Os investidores que tiverem paciência e visão de longo prazo deverão ser recompensados por esses momentos de maior volatilidade.

Para ler a nossa expectativa para a Bolsa em 2022 e quais setores investir, leia o relatório Raio-XP: O que esperar para a Bolsa brasileira em 2022?

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