Varejo e o COVID-19 – Parte 2: Tendências no Brasil e no Mundo

Dando sequência à série de relatórios sobre os impactos da crise no setor de varejo, mostramos as tendências mais recentes no Brasil e no mundo por meio de dados disponibilizados ao longo das últimas semanas. Neste relatório nós mostramos três principais tendências do setor, ilustradas por meio de dados do Brasil, Reino Unido e China. Por fim, reiteramos a nossa preferência relativa por três nomes dentro da nossa cobertura de varejo: Magalu (MGLU3), Vivara (VIVA3) e Grupo Pão de Açúcar (PCAR3).


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Dando sequência à série de relatórios sobre os impactos da crise no setor de varejo, mostramos as tendências mais recentes no Brasil e no mundo por meio de dados disponibilizados ao longo das últimas semanas.

Nosso objetivo é ajudar investidores e empresas a filtrar alguns dos comentários de empresas e dados de alta frequência mais relevantes sobre o setor, considerando a grande quantidade de informação sendo disponibilizada no momento. Neste relatório nós mostramos três principais tendências do setor, ilustradas por meio de dados do Brasil, Reino Unido e China.

Mas antes, um comentário sobre as nossas ações preferidas do setor. Reiteramos a nossa preferência relativa por três nomes dentro da nossa cobertura de varejo: Top-picks: Magalu (MGLU3), Vivara (VIVA3) e Grupo Pão de Açúcar (PCAR3). Pra mais detalhes, acesse o nosso relatório publicado na semana passada: “Varejo: Esperando o melhor, mas nos preparando para o pior; Magalu COMPRA”.

Acesse nossos outros relatórios sobre os impactos da crise no setor de varejo: “Varejo e o COVID-19: Entendendo a queda das ações; 4 principais pontos” e “Os impactos do coronavírus para as empresas“.


Varejo e o COVID-19: Três principais tendências no Brasil e no mundo

Tendência #1. Recuperação gradual após o fim da quarentena

A experiência internacional tem mostrado evidências cada vez maiores de que a recuperação do setor segue uma tendência gradual, uma vez retomadas as atividades das lojas ao final da quarentena. Tanto por uma questão comportamental, dado o receio inicial das pessoas em circular em locais públicos (shoppings, restaurantes, lojas de rua, etc.) ou por um maior comprometimento da renda disponível e queda da confiança, principalmente em função da deterioração do mercado de trabalho.

Na China, o setor iniciou o processo de reabertura das lojas a partir do final do fevereiro (veja imagem abaixo). Ao final da semana anterior, cerca de 80% dos restaurantes e 90% dos estabelecimentos comerciais já tinham retomado as suas atividades.

Entretanto, o tráfego em grande parte do varejo ainda segue comprometido ao longo das últimas semanas. Como exemplo, de acordo com empresários do segmento de vestuário, a recuperação de vendas nas lojas acontece em um ritmo em torno de 7 a 8 p.p por semana. Artigos reportam que algumas das lojas da varejista de eletrônicos Suning.com operavam com um tráfego 50% abaixo do normal na última semana de março.

China: % de lojas abertas no pequeno varejo
Fonte: Shiji Retail Solutions

Nossa visão: Esses dados reforçam o nosso posicionamento mais cauteloso em relação ao setor, conforme explicamos no relatório publicado na semana passada: “Varejo: Esperando o melhor, mas nos preparando para o pior; Magalu COMPRA”. No Brasil, a queda na confiança e a perspectiva de deterioração do mercado de trabalho devem fazer com que a recuperação seja gradual, especialmente em segmentos discricionários (não-essenciais) com um ritmo ainda lento de vendas na segunda metade do ano.

Tendência #2. Bens duráveis vs. não-duráveis

A essa altura já é claro que a venda de bens duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, vestuário) tem apresentado uma evolução muito inferior em relação àquela de bens não duráveis (alimentação e medicamentos).

De acordo com dados divulgados pela Cielo (~40% do mercado de pagamentos no Brasil), as vendas do varejo caíram cerca de -21,5% nos dias 09 a 30 de março em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo período, o segmento de bens duráveis apresentou uma queda de -43,7%, enquanto o de bens não duráveis apresentou uma alta de 14,3%.

Brasil: Vendas no Varejo (09 a 30 de Março)
Fonte: Cielo

No Reino Unido, as vendas em lojas de bens discricionários caíram em torno de -34% no mês de março em relação ao mesmo período do ano anterior (vs. +2% em Jan/Fev). A BDO divulga o High Street Sales Tracker, índice que monitora principalmente vendas de bens discricionários no varejo físico e online. O desempenho deteriorou-se gradualmente ao longo do mês, tendo atingido -96% A/A na última semana do mês, após o lockdown decretado pelo primeiro ministro Boris Johnson. O destaque negativo foi a categoria de fashion (moda) que apresentou uma queda de -40% no mês.

Reino Unido: Vendas no Varejo Físico (Bens Duráveis)
Fonte: BDO

Nossa visão: Apesar das categorias de bens duráveis terem apresentado um desempenho negativo de maneira generalizada, acreditamos que algumas delas devam apresentar uma recuperação relativamente mais acelerada (ou menos gradual). Em especial, destacamos as categorias de vestuário e cosméticos, consideradas bens “socialmente” essenciais, de ticket menor e menos dependente de crédito quando comparadas a eletrônicos, eletrodomésticos, móveis.

Tendência #3. E-commerce relativamente mais resiliente, apesar de também impactado

O canal, apesar de menos impactado, também está sendo negativamente afetado pela desaceleração de vendas, conforme consumidores direcionam o orçamento para gastos relacionados ao consumo básico.

No Brasil, na média dos dias 17 a 23 de março, as vendas online dos setores de Farmácias e Supermercados no e-commerce apresentaram alta de 24% e 28%, respectivamente. Por outro lado, as vendas dos demais setores (que são muito mais relevantes para o canal – mais de 95% das vendas) apresentaram uma queda média no mesmo período de -23%, também com destaque negativo para as categorias de turismo, construção e vestuário.

Fonte: ELO

A fim de ilustrar o aumento da demanda pelas categorias de bens não duráveis no e-commerce, mostramos a evolução do tráfego nas principais plataformas de varejo alimentar. Na média, o grupo selecionado apresentou um aumento de 55% do tráfego em março em relação à média de janeiro e fevereiro. Ressaltamos que esses números excluem os acessos em aplicativos, que provavelmente mostraram uma aceleração ainda maior.

E-commerce: Tráfego nos principais sites de varejo alimentar
Fonte: Similarweb

No Reino Unido, os mesmos dados da BDO mostram uma pressão relativamente pequena para o segmento de e-commerce como um todo no mês de março (+14% A/A, em linha com a média em Jan/Fev). Entretanto, os comentários do relatório indicam um desempenho fraco da categoria de vestuário no canal online, enquanto algumas categorias de lifestyle (cosméticos, decoração) apresentaram crescimento.

Reino Unido: Vendas no Varejo Físico vs. Online (Bens Duráveis)
Fonte: BDO

Nossa visão: Continuamos apostando em uma aceleração do processo de digitalização no Brasil, especialmente em categorias de ticket baixo (por exemplo, vestuário, cosméticos), cuja presença no e-commerce brasileiro ainda é limitada, ou até em segmentos como alimentação e saúde (farmácias), que apresentam relevância ainda menor. De qualquer maneira, no curto prazo esperamos que a deterioração da renda disponível continue pressionando o crescimento do e-commerce de maneira geral, também impactado pelo potencial aumento da taxa de mortalidade de pequenos e médios comerciantes no canal.

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