Resumo da Semana: Ibovespa fecha em queda de -2,6%

Não conseguiu acompanhar de perto o mercado durante a semana? Resumimos para você os principais destaques!


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Destaques da semana: 22/10 a 29/10

Ibovespa: -2,6% | 103.501 pontos

O Ibovespa fechou mais uma semana em território negativo, com uma queda de -2,6%, aos 103.501 pontos, o menor nível até agora em 2021. Em outubro, a Bolsa brasileira teve o pior mês do ano com uma correção de -6,7% e, no ano, acumula perdas de -13,0%.

O sentimento da Bolsa nas últimas semanas foi afetado, principalmente, por maiores incertezas fiscais. A PEC dos Precatórios, solução encontrada pelo governo federal para reajuste do limite de gastos, segue sem consenso para aprovação, devendo ser votada na semana que vem. Por isso, estuda-se uma saída para permitir o Auxílio Brasil, com a possibilidade de estender, por alguns meses, o auxílio emergencial financiado através de crédito extraordinário e não depende de aprovação para seguir. Além disso, a semana também foi marcada pela divulgação do IPCA-15 acima das expectativas em 1,2%, e pela aceleração no ritmo de elevação da taxa Selic, em 1,5p.p. para 7,75%, em resposta à piora do risco fiscal. A decisão foi consistente com o cenário de uma taxa de juros básica 9,25% ao final do ano esperada pelo nosso time de Economia.

A temporada de balanços no Brasil ganhou tração nessa semana. Entre os destaques, tivemos a divulgação da Petrobras que anunciou o pagamento de R$ 31,8 bilhões em antecipação de remuneração aos acionistas, porém ruídos em relação à política de preços voltaram a puxar os preços das ações para baixo. Além disso, a Vale divulgou resultados operacionais piores do que o esperado no terceiro trimestre, 4% abaixo das nossas estimativas e 18% abaixo do consenso, e os números pesaram no papel.

Lá fora, os índices americanos fecharam novamente perto das máximas históricas apesar de balanços das big techs abaixo do esperado. As grandes empresas de tecnologia como Amazon e Apple decepcionaram, afetadas por custos mais altos e problemas nas cadeias de suprimentos. Até o momento, 270 das 500 maiores empresas americanas já reportaram e as surpresas positivas continuam. No agregado, mais de 80% das companhias surpreenderam expectativas, com lucros em 17% acima do esperado. O mercado agora espera um sólido crescimento de quase 38% em comparação com o ano passado. Adicionalmente, as Bolsas americanas também foram ajudados pela apresentação pelo presidente Joe Biden de um novo esboço do Plano da Família Americanas com valor de US$ 1,75 trilhão, na expectativa de unir as diferente alas do partido democrata e destravar sua agenda econômica. Apesar de ter sido recebido com tom positivo pelos parlamentares, o projeto ainda terá que ser negociado.

No panorama econômico internacional, a semana teve a divulgação de dados importantes. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve suas taxas de juros de referência inalteradas, conforme amplamente esperado. Investidores ficaram de olho na fala da presidente do BCE, Christine Lagarde, que reforçou a avaliação de que a inflação mais alta tende a ser transitória por conta da alta dos custos de produção. Nos EUA, a economia cresceu a uma taxa anualizada de 2% no trimestre passado, abaixo do esperado e após crescer 6,7% no segundo trimestre. Por fim, foi divulgado o deflator de despesas de consumo pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Federal Reserve, que veio em linha com as expectativas com uma alta de +0,3%.


Câmbio e juros

O Dólar fechou a semana com uma queda de -0,07% em relação ao Real, em R$ 5,63/USD. Já a curva DI para o vértice de janeiro/31 apresentou alta de 27 bps na semana, atingindo 12,3%.


O que esperar para semana que vem?

Do lado internacional, destaque para decisão de juros do comitê de política monetária americano (FOMC) e possível anúncio oficial do calendário para redução gradual da compra de ativos mensal, o tapering. Também nos EUA, relatório de empregos privados (ADP) e folha de pagamento não agrícola (payroll). Além disso, índices como o ISM dos EUA, os PMIs da China e Zona do Euro, assim como dados de setor externo na China serão termômetro da atividade econômica global.

No cenário doméstico, destaque para o andamento da PEC dos Precatórios no Congresso. Na seara de indicadores, teremos balança comercial mensal, índice de commodities do Banco Central e produção industrial do mês de setembro, além da ata da última reunião do Copom.


Ações

A performance das ações reflete a divulgação dos resultados do 3T21, que vieram acima do consenso de mercado. A AmBev divulgou crescimento nas vendas de cerveja e preços médios mais altos, reflexo de um mix de maior valor agregado, ainda que com margens menores dado o câmbio e custos das commodities, mas que eram esperados.

Atribuímos a performance acima do Índice Ibovespa para as ações de RD na última semana, ao sólido posicionamento de mercado da companhia e resiliência do setor de farmácias frente a piora do cenário macroeconômico.

A notícia de que a Marfrig chegou a 33,2% de participação acionária ajudou a sustentar a alta dos papéis da BRF, apesar de não ter nenhuma outra notícia relevante na semana.

A performance das ações reflete a divulgação de resultado recorde no 3T21, devido principalmente ao bom momento da indústria nos Estados Unidos. O spread entre preço do gado e preço da carne nos EUA segue muito positivo, o que cria a expectativa de um 4T21 ainda positivo.

As ações da companhia reagiram positivamente aos resultados reportados durante a semana, confirmando o forte ritmo de recuperação do seu portfólio no 3T21 e com boas perspectivas para o 4T21.

Acreditamos que a queda nos papéis esteja relacionada além do aumento nas taxas de juros de longo prazo, o que tende a impactar papéis com maior exposição ao risco doméstico, também aos resultados publicados pela companhia nesta semana que mostrou pressão em despesas, apesar melhoria na receita.

Acreditamos que a queda nos papéis esteja relacionada ao aumento nas taxas de juros de longo prazo, o que tende a impactar papéis com maior exposição ao risco doméstico.

Acreditamos que a maior queda relativa vs. ao índice continue a refletir o aumento nas taxas de juros de longo-prazo, causando um impacto maior em papeis mais sensíveis à perspectiva de risco doméstico, como companhias aéreas.

Atribuímos a performance negativa das ações à deterioração do cenário macroeconômico e aumento das taxas de juros, que tendem a impactar empresas de tecnologia e de alto crescimento.

Atribuímos a performance negativa das ações à deterioração do cenário macroeconômico e aumento das taxas de juros, que tendem a impactar empresas de tecnologia e de alto crescimento.

Fluxo de estrangeiros na Bolsa brasileira

Nessa semana, o saldo acumulado da movimentação dos investidores estrangeiros na Bolsa foi de -R$ 0,46 bilhão*.

*Até dia 26/10/2021

Performance das Bolsas mundiais na semana

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