Live Expert Talks: CFO da Klabin vê cenário favorável com aumento de demanda e prevê retomar pagamento de dividendos

CFO e diretor de RI da Klabin, Marcos Ivo, conversou com o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, e o analista de Papel & Celulose, Yuri Pereira, sobre os resultados da empresa, planos de investimento e tendências do mercado como parte da série Expert Talks. Confira


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Após reportar fortes resultados no 2º trimestre de 2021, o CFO e diretor de RI da Klabin, Marcos Ivo, espera um cenário favorável para a empresa com aumento da demanda por embalagens mais sustentáveis e prevê a retomada do pagamento de dividendos no segundo semestre, disse em conversa com o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, e o analista de Papel & Celulose, Yuri Pereira, como parte da série Expert Talks.

Maior produtora e exportadora brasileira de papéis para embalagem do Brasil, a empresa se aproveitou bem do ciclo de alta de commodities, refletido pelos altos volumes e preços negociados, alavancando o EBITDA recorrente que somou R$1,8 bilhão no 2T21, 1.5% acima da estimativa dos analistas da XP e 2% acima do consenso.

Com isso, a empresa teve lucro líquido de R$ 659,2 milhões, revertendo prejuízo verificado um ano antes. Com dois trimestres positivos já neste ano, a Klabin conseguiu recompor a reserva de lucros, o que abre caminho para a empresa retomar o pagamento de dividendos no segundo semestre conforme a política da companhia, afirmou Ivo. A política da Klabin prevê a distribuição de 20% do Ebitda em dividendos desde que os índices de alavancagem e de liquidez estejam dentro dos parâmetros. “Na última década nós pagamos dividendos, o que aconteceu foi que em 2020, a forte desvalorização do real frente ao dólar teve impacto no valor da dívida e isso gerou um prejuízo contábil, que consumiu a reserva e a empresa ficou temporariamente sem pagar dividendos”, explicou Ivo.

Crescimento constante confirmado no 2T21

Posicionada em um setor defensivo, como fornecedora de papéis usados em itens de primeira necessidade como papel higiênico, fraldas, embalagens para alimentos e bebidas, a Klabin tem entregado um crescimento de 15% ao ano na última década e prevê uma expansão com a demanda crescente por embalagens mais sustentáveis em substituição ao plástico, destacou o executivo. “70% das vendas da empresa estão ligadas a itens de primeira necessidade”, disse.

Marcos Ivo destacou que a empresa tem aliado o potencial de crescimento atuando em um segmento defensivo. “Será o décimo segundo ano seguido em que a Klabin cresce seu EBITDA. São poucas empresas no Brasil, em todos os setores, que conseguem um crescimento desse. Tivemos câmbio chegando a R$ 6, inflação alta, Selic em todos os patamares possíveis. E a nossa competitividade segue presente, com crescimento constante e EBITDA e receita recorde neste trimestre”, disse o executivo.

Outro ponto importante destacado foi a associação de crescimento com geração de valor, através de um fluxo de caixa crescente e ROIC – Retorno sobre Capital Investido – em 19%. Além disso, a força da empresa em todos os segmentos que a empresa tem presença também é destaque, com as frentes de embalagens, celulose e papeis crescendo sem exceção.

Início da operação da 1ª máquina do projeto Puma II está previsto para este mês

A Klabin espera iniciar a operação da primeira máquina de papel kraftliner do projeto Puma II na segunda quinzena de agosto, afirmou Marcos Ivo. O projeto Puma II, que contempla a construção de duas máquinas para expansão de capacidade no segmento de papéis para embalagem com produção de celulose integrada, contou com um capex de R$ 12,9 bilhões, sendo R$ 6,5 bilhões já investidos até junho, e vai começar a gerar receita.

O início da operação da segunda máquina de papel cartão está previsto para 20023. “O projeto vai permitir à companhia continuar crescendo e gerando valor”, disse Marcos Ivo.

Compra da IP traz sinergias

O resultado da aquisição dos negócios de embalagens de papelão ondulado e papéis para embalagens da International Paper no Brasil, anunciada em março de 2020, superou as expectativas da Klabin. “Assumimos a IP em outubro de 2020 e achávamos que poderíamos perder um pouco de market share [da IP de 6,6%]. Não perdemos market share e enxergamos que não perderemos”, disse Marcos Ivo. Ele destacou que o preço de venda de papel ondulado está melhor que em 2019 e 2020, e com, isso, a rentabilidade está melhor.

Alta demanda protege da inflação

Com 24% do market share do setor de papel ondulado no Brasil, a Klabin vem se favorecendo de uma mudança no mercado de embalagens. Segundo Marcos Ivo, até o ano passado, havia uma correlação com o PIB brasileiro e a demanda do produto. No entanto, desde 2020, a demanda de embalagens segue crescendo: em 2020, com o PIB negativo, a demanda cresceu 5%, enquanto em 2021 o acumulado até junho da demanda já chega a 11%, enquanto as projeções do PIB ficam entre 4% e 5% para o final do ano.

Com isso, a empresa se beneficia mesmo em um cenário de alta na inflação pelo equilibro entre oferta e demanda, além da possibilidade de repasse dos custos no preço do produto. Outro ponto positivo seria a projeção de controle da inflação a partir do terceiro trimestre deste ano, que tiraria a pressão das margens, aumentando a possibilidade crescer os lucros.

Aumento da base de acionistas pessoa física

Com uma base de 200 mil acionistas pessoa física, a Klabin lançou a plataforma Klabin Invest com um time de RI focado em atender esse público.

A empresa também está comprometida em atender as metas de sustentabilidade estabelecidas até 2030.

Confira o relatórios dos analistas da XP sobre o resultado da Klabin no 2T21 aqui.

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