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Data Expert | The Wood Digester: Visão geral da XP sobre os mercados globais de celulose e papéis de embalagem no Brasil

Nesse relatório, apresentamos nosso monitor mensal de papel e celulose e nossa visão geral sobre os mercados. Confira a seguir.

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No nosso relatório mensal de Madeira, Papel e Celulose: The Wood Digester, colocamos em pauta: (i) discussão sobre temas-chave para a indústria; (ii) nossos comentários sobre os mercados globais de papel e celulose; (iii) Nossa perspectiva de curto prazo; (iii) compilado de gráficos para o acompanhamento de indicadores relacionados ao setor.

Em nossa edição de abril de 2023:

Preços de celulose próximo ao custo marginal: Estamos chegando no final do ciclo de baixa?

Em março, os preços da celulose de fibra curta caíram novamente na China para US$ 580-600/t, enquanto os preços da fibra longa caíram para US$ 770-820/t. Em março, o mercado de BCP continuou impactado pela fraqueza da demanda, com preços caindo para todas as fibras: os últimos 2 meses foram a queda mais rápida nos preços de celulose desde a crise financeira de 2008 (os preços de BHKP caíram ~US$ 130/t líquida). A HW acredita que o preço de BHKP está atingindo o custo marginal e, quando isso aconteceu no passado, os preços aumentaram acentuadamente à medida que os consumidores reabasteciam. Concordamos com essa visão e, ao nos aproximarmos do final desse ciclo de queda nos preços da celulose, reiteramos nossa visão positiva sobre as ações, sendo a Suzano a nossa top pick.

Em março, o mercado BCP manteve-se marcado pela fragilidade da demanda (particularmente nos setores gráfico e de especialidades), com preços em queda para todas as fibras: os últimos 2 meses foram a queda mais rápida dos preços da celulose de fibra curta desde a crise financeira de 2008 (os preços BHKP caíram ~ US$ 130/t líquido). Apesar do bom momento para os produtores de papéis e embalagens desde a reabertura chinesa, a demanda fraca e os menores volumes de exportação já estão impactando os preços. Para fibra longa, mesmo com os problemas no fornecimento canadense, os volumes russos e europeus melhoraram, reequilibrando o mercado e, portanto, impactando negativamente os preços. Além disso, o projeto MAPA da Arauco deverá vender volumes mais relevantes em abril, enquanto a UPM deverá iniciar suas operações neste mês. Além disso, os estoques globais de produtores de celulose subiram significativamente, principalmente para BHKP, passando de 49d em janeiro para 52d em fevereiro.

Na China, os preços da celulose de fibra curta voltaram a cair devido ao enfraquecimento do mercado de papel. Os preços de BEKP caíram para US$ 580-600/t contra o pico histórico de US$ 850-860/t registrado em novembro, marcando o quarto mês consecutivo de queda. Os preços da fibra longa caíram para US$ 770-820/t (líquido). Impostos de importação mais baixos sobre alguns grades de papel ainda estão aumentando os volumes importados, o que, juntamente com a menor demanda e um mercado com excesso de oferta, adiciona pressão adicional aos preços de papel e celulose.

Na Europa, os preços voltaram a cair para fibra curta e longa, com concessões negociadas a partir de abril para ambas as fibras. Os preços da fibra curta caíram de US$ 80/t para US$ 1.200/t, com expectativa de queda de mais US$ 80-100/t em abril. Além disso, a fibra longa caiu de US$ 30/t para US$ 1.340/t. A demanda permanece moderada, apesar dos problemas do lado da oferta, com os estoques dos portos europeus aumentando 25%, atingindo níveis de pico.

A América do Norte tem enfrentado problemas com o fornecimento de madeira canadense, mas uma crescente oferta nórdica chegou ao mercado. Com isso, os preços da celulose caíram na faixa de US$ 25-50/t.

Demanda: Em fevereiro, os embarques globais de BCP foram +1% M/M e -2% A/A, com embarques de BHKP aumentando +4% M/M. As importações da China BCP diminuíram -8% M/M, após um aumento de +36% nas importações de BHKP em janeiro.

Quanto aos estoques, os estoques dos produtores globais de BCP foram maiores em fevereiro (+3 dias M/M), com uma melhora significativa nos estoques nos portos chineses e europeus, bem como nos estoques dos produtores.

Para o Brasil, a demanda por papelão ondulado permaneceu estável (3M MM 0% A/A), enquanto os preços tanto do fluting (-3% M/M) quanto de aparas (-6% M/M) caíram em fevereiro, causando uma queda na margem papelão ondulado (ajustada pela inflação) estimada +4% M/M para R$ 5,9 mil/t.

Possíveis impactos da demanda europeia de papel gráfico na celulose de mercado: Segundo a HW, apesar da inflação de custos e da contração da demanda (-15% A/A), as fábricas europeias de papel gráfico registraram lucros recordes em 2022, principalmente devido aos preços recordes do papel (por sua vez, pressionados pela racionalização da capacidade e interrupções no fornecimento). A demanda no 4T22 piorou (-26% A/A), tendência que se manteve em janeiro (-27% A/A), fazendo com que os preços de papéis gráficos também contraíssem (isso deve continuar ainda mais, já que os custos de energia e celulose estão diminuindo). A HW estima que, desde 2020, 5,2Mta da capacidade europeia de papéis foi fechada ou convertida, implicando uma redução de consumo de celulose de ~2Mt. Apesar disso, a demanda de celulose de mercado ficou praticamente estável na Europa (14,3Mt em 2019 e 14Mt em 2022), o que significa que a maior parte dos cortes veio de usinas integradas. Além disso, é importante notar que os embarques de celulose de mercado do setor europeu de papéis gráficos reduziram significativamente desde 2010 (de ~7Mt para ~3Mt). Assim, embora os embarques europeus de papéis gráficos devam continuar reduzindo à frente, o impacto absoluto sobre a demanda de celulose no mercado global deve se tornar menos relevante.

Nossa opinião: Como os volumes da Arauco e da UPM estão chegando ao mercado nas próximas semanas, esperamos que a queda dos preços da celulose continue no 2T, embora em ritmo menor (a correção de preço ocorrida nos últimos dois meses lembra o padrão da crise financeira de 2008, um dos mais graves nas últimas duas décadas). A HW acredita que o preço de BHKP está atingindo o custo marginal e, quando isso aconteceu no passado, os preços aumentaram acentuadamente com o reabastecimento do consumidor (os estoques dos consumidores caíram 2Mt desde dez/20 vs novos projetos adicionando 1,5 a 2Mt de nova oferta). Concordamos com essa visão e acrescentamos que as produtoras brasileiras de celulose Suzano e Klabin estão negociando em níveis de valuation atraentes com base no FCD. À medida que nos aproximamos do final deste ciclo de queda nos preços da celulose, reiteramos nossa visão positiva sobre as ações, com Suzano como nossa top pick.

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